O que aconteceu na Quinta-feira Santa?

por Mariana Manzanares | Festas litúrgicas

A Quinta-feira Santa inaugura o Tríduo Pascal, o coração do ano litúrgico católico. A Quaresma termina no início da Missa da Ceia do Senhor deste dia, e a partir desse momento começa o sagrado Tríduo, que se estenderá até o Domingo da Ressurreição.

Na Quinta-feira Santa a Igreja comemora quatro realidades inseparáveis:

  • A instituição da Eucaristia na Última Ceia;
  • A instituição do sacerdócio ministerial;
  • A celebração da primeira Santa Missa; 
  • O mandamento do amor expresso no lava-pés.

Por outro lado, neste dia, o bispo, em comunhão com todos os padres de sua diocese, realiza a bênção dos santos óleos que sustentarão a vida sacramental de toda a diocese durante o ano. Esta celebração é conhecida como Missa do Crisma. 

Muitos católicos se perguntam:É obrigatório ir à Missa na Quinta-feira Santa? Embora não seja dia de preceito, a Igreja convida vivamente os fiéis a participar. Justamente, a Missa da Ceia do Senhor é uma das celebrações mais importantes do ano litúrgico.

No Santíssimo Sacramento, Jesus se entrega para permanecer para sempre conosco até o fim dos tempos Como não vamos participar da Missa da Ceia do Senhor da Quinta-feira Santa para dar-lhe graças por seu infinito amor, que o levou a fazer-se Eucaristia?

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As Missas da Quinta-feira Santa

1. A Missa do Crisma

Na manhã da Quinta-feira Santa, em cada catedral do mundo, o bispo celebra a Missa do Crisma rodeado de todo o seu presbitério. É uma das imagens mais belas da unidade da Igreja: todos os padres da diocese reunidos com seu pastor, em torno do altar, para abençoar os óleos que sustentarão a vida sacramental do ano.

Os três santos óleos

Nesta primeira celebração da Quinta-feira Santa são abençoados e consagrados os três óleos sagrados:

Óleo sagrado Uso sacramental Efeito espiritual
Santo Crisma Batismo, Confirmação, Ordem, dedicação de igrejas Consagração e participação no sacerdócio, na realeza e na profecia de Cristo
Óleo dos Catecúmenos Unção pré-batismal Fortaleza para renunciar ao pecado antes do Batismo
Óleo dos Enfermos Unção dos Enfermos Alívio físico, consolo e cura espiritual

A renovação das promessas sacerdotais

Um dos momentos mais comoventes desta Missa é quando os padres renovam publicamente suas promessas de ordenação. Reafirmam sua disposição de unir-se mais intimamente a Cristo e de cumprir seus ministérios com alegria e desprendimento. O bispo, em sua homilia, recorda-lhes que sua identidade está configurada a Cristo Ungido: são ministros de esperança para o povo que Deus lhes confiou.

O rito de consagração do crisma

O momento culminante é a consagração do Santo Crisma. O bispo derrama perfumes no azeite de oliva para simbolizar o “bom odor de Cristo” que os batizados devem irradiar. Depois sopra sobre a boca da ânfora, recordando o sopro do Espírito na criação.

Nesse instante, todos os padres presentes estendem a mão direita em direção ao crisma enquanto o bispo pronuncia a oração consecratória. É um gesto de enorme beleza teológica: expressa visivelmente que é um só sacerdócio que age na Igreja para a santificação do povo de Deus.

A Santa Missa da Ceia do Senhor

Ao cair da tarde da Quinta-feira Santa, a Igreja se reúne para a Missa vespertina in Coena Domini. É a celebração que marca o início oficial do Tríduo Pascal e possui uma estrutura única, que não se repete em nenhum outro momento do ano litúrgico.

O Glória e o silêncio dos sinos

No início da celebração entoa-se o Glória com solenidade. Enquanto é cantado, os sinos repicam pela última vez. Terminado o hino, emudecem. Não voltarão a tocar até a Vigília Pascal. É um dos silêncios mais eloquentes do ano litúrgico.

As leituras da Quinta-feira Santa: da Páscoa judaica à Nova Aliança

1ª Leitura: Êxodo 12,1-8.11-14

A primeira leitura (Êxodo 12,1-8.11-14) descreve as prescrições da Páscoa judaica, o banquete que precedeu a libertação do Egito. Jesus, ao celebrar a Última Ceia dentro desse quadro ritual, assume o lugar do Cordeiro Pascal, cujo sangue não liberta da escravidão física, mas do pecado e da morte eterna.

O Senhor disse a Moisés e a Aarão no Egito: “Este mês será para vós o começo dos meses; será o primeiro mês do ano. Falai a toda a comunidade dos filhos de Israel, dizendo: 

‘No décimo dia deste mês, cada um tome um cordeiro por família, um cordeiro para cada casa. Se a família não for bastante numerosa para comer um cordeiro, convidará também o vizinho mais próximo, de acordo com o número de pessoas. Deveis calcular o número de comensais, conforme o tamanho do cordeiro.

O cordeiro será sem defeito, macho, de um ano. Podereis escolher tanto um cordeiro como um cabrito: e devereis guardá-lo preso até o dia catorze deste mês. Então toda a comunidade de Israel reunida o imolará ao cair da tarde. Tomareis um pouco do seu sangue e untareis os marcos e a travessa da porta, nas casas em que o comerdes. Comereis a carne nessa mesma noite, assada ao fogo, com pães ázimos e ervas amargas.

Assim devereis comê-lo: com os rins cingidos, sandálias nos pés e cajado na mão. E comereis às pressas, pois é a Páscoa do Senhor.

Naquela noite passarei pela terra do Egito e ferirei todos os primogênitos, desde os homens até os animais; e infligirei castigos contra todos os deuses do Egito. Eu sou o Senhor.

O sangue servirá de sinal nas casas onde estiverdes. Ao ver o sangue, passarei adiante, e não vos atingirá a praga exterminadora, quando eu ferir a terra do Egito.

Este dia será para vós uma festa memorável em honra do Senhor, que haveis de celebrar por todas as gerações, como instituição perpétua.’”

Salmo 115,12-13.15-16bc.17-18

R. Que poderei retribuir ao Senhor Deus
por tudo aquilo que ele fez em meu favor?

 

Ou:

 

R. O cálice por nós abençoado
é a nossa comunhão com o sangue do Senhor.

 

Que poderei retribuir ao Senhor Deus
por tudo aquilo que ele fez em meu favor?
Elevo o cálice da minha salvação,
invocando o nome santo do Senhor. R.

 

É sentida por demais pelo Senhor
a morte de seus santos, seus amigos.
Eis que sou o vosso servo, ó Senhor,
vosso servo que nasceu de vossa serva;
mas me quebrastes os grilhões da escravidão! R.

 

Por isso oferto um sacrifício de louvor,
invocando o nome santo do Senhor.
Vou cumprir minhas promessas ao Senhor
na presença de seu povo reunido. R.

Segunda Leitura: 1Cor 11,23-26

São Paulo, na segunda leitura (1 Coríntios 11,23-26), transmite a tradição eucarística iniciada na Quinta-feira Santa como o núcleo da vida cristã:

Irmãos: O que eu recebi do Senhor, foi isso que eu vos transmiti:
Na noite em que foi entregue, o Senhor Jesus tomou o pão e, depois de dar graças, partiu-o e disse: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em minha memória.”
Do mesmo modo, depois da ceia, tomou também o cálice e disse: “Este cálice é a nova aliança, em meu sangue. Todas as vezes que dele beberdes, fazei isto em minha memória.”
Todas as vezes, de fato, que comerdes deste pão e beberdes deste cálice, estareis proclamando a morte do Senhor, até que ele venha.

Evangelho: Jo 13,1-15

O Evangelho (João 13,1-15) completa o quadro com o gesto que muda tudo: Jesus se humilha e lava os pés de seus discípulos na ceia da Quinta-feira Santa.

Antes da festa da Páscoa, Jesus sabia que tinha chegado a sua hora de passar deste mundo para o Pai; tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim.

 

Estavam tomando a ceia. O diabo já tinha posto no coração de Judas, filho de Simão Iscariotes, o propósito de entregar Jesus. Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, levantou-se da mesa, tirou o manto, pegou uma toalha e amarrou-a na cintura. Derramou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, enxugando-os com a toalha com que estava cingido.

 

Chegou a vez de Simão Pedro. Pedro disse: “Senhor, tu me lavas os pés?”
Respondeu Jesus: “Agora, não entendes o que estou fazendo; mais tarde compreenderás.”
Disse-lhe Pedro: “Tu nunca me lavarás os pés!”
Mas Jesus respondeu: “Se eu não te lavar, não terás parte comigo.”
Simão Pedro disse: “Senhor, então lava não somente os meus pés, mas também as mãos e a cabeça.”
Jesus respondeu: “Quem já se banhou não precisa lavar senão os pés, porque já está todo limpo. Também vós estais limpos, mas não todos.” Jesus sabia quem o ia entregar; por isso disse: “Nem todos estais limpos.”

 

Depois de ter lavado os pés dos discípulos, Jesus vestiu o manto, sentou-se de novo e disse-lhes: “Compreendeis o que acabo de fazer? Vós me chamais Mestre e Senhor, e dizeis bem, pois eu o sou. Portanto, se eu, o Senhor e Mestre, vos lavei os pés, também vós deveis lavar os pés uns dos outros. Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz.”

O Lava-pés

Jesus, sabendo que o Pai tinha colocado tudo em suas mãos e que de Deus tinha saído e para Deus voltava, levantou-se da mesa, cingiu-se com uma toalha e começou a lavar os pés de seus discípulos. Um gesto reservado aos escravos na cultura da época. Uma lição magistral de humildade, serviço e amor.

Este rito, conhecido como Mandatum, foi reformado pelo Papa Francisco em 2016 por meio do decreto In Missa in Cena Domini. Desde então, os escolhidos para o lava-pés da Quinta-feira Santa podem ser designados dentre todo o Povo de Deus: homens, mulheres, jovens, idosos, sãos ou enfermos. O mandamento do serviço não conhece distinções.

Por que o padre tira a casula para o lava-pés? Ao despojar-se do paramento que identifica sua função de presidência, o padre age não só como Cristo Cabeça, mas também como Cristo Servo, recordando que o maior entre os cristãos deve ser o servidor de todos.

A transladação do Santíssimo Sacramento e o altar da reposição

Ao terminar a comunhão, a celebração não se conclui com a bênção habitual. Em seu lugar organiza-se uma procissão solene para transladar a âmbula com as hóstias consagradas para um altar de reserva ou altar da reposição. O padre, coberto com o véu umeral, leva o Santíssimo Sacramento, precedido por incenso e velas, enquanto se canta o hino eucarístico Pange Lingua.

O que é o altar da reposição da Quinta-feira Santa? É o altar de reserva onde a Eucaristia fica exposta para a adoração dos fiéis. As normas litúrgicas proíbem expressamente que tenha forma de sepulcro: seu propósito é ressaltar a presença viva de Cristo, não representar a sua sepultura, que se comemora no Sábado Santo. A adoração eucarística se prolonga até a meia-noite.

A desnudação do altar

Terminada a procissão, procede-se à denudatio altaris: a desnudação do altar. Retiram-se as toalhas, tiram-se as flores e as cruzes são cobertas com um véu vermelho ou roxo. O altar desnudo é uma das imagens mais eloquentes de toda a liturgia cristã. Evoca o despojamento absoluto de Cristo, abandonado por seus discípulos e despojado de suas vestes antes da crucifixão. 

Meditação: Sacrifícios de Jesus na Eucaristia, por São Pedro Julião Eymard

Quais são os caracteres distintivos do amor? Um só: o sacrifício. O amor se conhece pelos sacrifícios que inspira ou que aceita de bom grado.

Um amor sem sacrifícios é uma palavra sem sentido, um egoísmo disfarçado.

Queremos conhecer a grandeza do amor de Jesus para com os homens no mistério da Eucaristia? Vejamos, pois, os sacrifícios que ele teve de se impor para realizá-lo. São os mesmos que o Homem-Deus aceitou no tempo de sua paixão. Agora como então, Jesus Cristo imola sua vida civil, sua vida natural e sua vida divina.

I

Durante a paixão, à qual o impelia seu imenso amor por nós, Jesus Cristo foi excluído da lei; seu povo o renega e o calunia, mas Ele não pronuncia uma só palavra para se defender; põe-se à mercê de seus inimigos e ninguém o protege, mas Ele não alega os direitos do último dos acusados. Todos os seus direitos de cidadão e de homem honrado Ele os imola pela salvação e pelo amor de seu povo.

Na Eucaristia, Jesus aceita e continua os mesmos sacrifícios. Imola sua vida civil, porquanto está sem direito algum; a lei nem sequer lhe reconhece a personalidade; àquele que é Deus e Homem ao mesmo tempo, ao Salvador dos homens, as nações por Ele redimidas mal consagram uma só palavra em seus códigos. Vive no meio de nós e é desconhecido. “Medias autem vestrum stetit quem vos nescitis”. 

Tampouco lhe são concedidas honras públicas. Em muitos países até se suprimiu a festa de Corpus Christi. Jesus Cristo não pode sair, não pode mostrar-se em público. Tem de se esconder, porque o homem se envergonha dEle! Non novi hominem!, não o conheço! E sabeis quem são os que se envergonham de Jesus Cristo? Serão acaso os judeus, ou talvez os maometanos? Não, são cristãos!

A sagrada Eucaristia encontra-se sem defesa nem proteção humanas. Contanto que não perturbeis nem impeçais o exercício público do culto, podeis injuriar Jesus e cometer os sacrilégios que quiserdes: são coisas com as quais as autoridades nada têm a ver.

Portanto, Jesus sacramentado fica sem defesa por parte dos homens.

Mas não virá o céu em sua defesa? Também não. Assim como no palácio de Pilatos e na casa de Caifás, Jesus é entregue por seu Pai à vontade dos pecadores. Jesum vero tradidit voluntati eorum.

É possível que Jesus Cristo soubesse tudo isso ao instituir a Eucaristia e que, mesmo assim, escolhesse livremente esse estado? Sim; assim o fez para nos servir de modelo em tudo e ser nosso consolador nas perseguições e nas penas da vida.

Assim há de permanecer até o fim do mundo, dando-nos exemplo e auxiliando com sua graça cada um de seus filhos. Tanto nos ama!

II

Ao sacrifício de seus direitos, Jesus acrescenta em sua paixão a imolação de tudo aquilo que constitui o homem: imola sua vontade, a bem-aventurança de sua alma, que permitiu fosse presa de tristeza sem igual, de sua vida inteira acabada na cruz.

E, como se fosse pouco ter-se imolado assim uma vez, na Sagrada Eucaristia continua renovando misticamente essa morte natural.

Para imolar a própria vontade, obedece à sua criatura aquele que é Deus; ao súdito aquele que é rei, ao escravo o seu libertador. Obedece aos padres, aos fiéis, aos justos e aos pecadores, sem resistência nem violência alguma, até mesmo aos seus inimigos, e a todos com a mesma prontidão. Não somente na Missa, quando o padre pronuncia as palavras da consagração, mas também em todos os momentos do dia e da noite, conforme as necessidades dos fiéis. Seu estado permanente é pura e simplesmente um estado de obediência. É isso possível? Oh, se o homem compreendesse o amor da Eucaristia!

Durante sua paixão Jesus esteve atado, perdeu sua liberdade: na Eucaristia ata-se a si mesmo; à maneira de férreas correntes, suas promessas o prenderam absoluta e perpetuamente, e as palavras da consagração o uniram inseparavelmente às sagradas espécies. Acha-se no Santíssimo Sacramento sem movimento próprio, sem ação, como na cruz e como no sepulcro, embora possua a plenitude da vida ressuscitada.

Jesus está, de modo absoluto, sob a dependência do homem, como prisioneiro de amor; não pode romper seus laços nem abandonar sua prisão eucarística. Constituiu-se nosso prisioneiro até o fim dos séculos. A tanto se obrigou e a tanto se estende o contrato de seu amor!

Quanto à bem-aventurança de sua alma, é claro que, uma vez ressuscitado, não pode suspender, como no Getsêmani, seus arroubos e gozos; mas perde sua felicidade nos homens e naqueles de seus membros indignos, como são os maus cristãos. Quantas vezes se corresponde a Jesus com a ingratidão e o ultraje! Quantas e quantas vezes os cristãos imitam a conduta dos judeus! Jesus chorou uma vez sobre a cidade culpada de Jerusalém; se agora pudesse chorar no Santíssimo Sacramento, quantas lágrimas lhe fariam derramar os nossos pecados e a perdição eterna dos que se condenam! Como nos ama mais, aflige-o em maior grau a nossa ruína do que a dos judeus!

Por fim, não podendo morrer realmente na sagrada Hóstia, Jesus toma ao menos um estado de morte aparente. Consagram-se separadamente as sagradas espécies para significar o derramamento de seu preciosíssimo sangue, que, ao sair do corpo, lhe causou morte tão dolorosa.

Dá-se a nós na santa Comunhão; as sagradas espécies são consumidas e como que aniquiladas em nós.

Finalmente, Jesus se expõe também a perder a vida sacramental quando os ímpios profanam e destroem as santas espécies.

Os pecadores que o recebem indignamente crucificam-no de novo em sua alma e o unem ao demônio, senhor absoluto de seus corações. Rursum crucifigentes sibimetipsis Filium Dei. Isto é [...] crucificam de novo para si mesmos o Filho de Deus [...](Hb 6,6).

III

Jesus imola também na Eucaristia sua vida natural tanto quanto o permite seu estado glorioso.

Na paixão não poupou sua vida divina; tampouco a poupa na Eucaristia. Pois que glória, que majestade, que poder aparecem nos tormentos de sua paixão? Ali não se vê senão o homem das dores, o maldito de Deus e dos homens, Aquele de quem Isaías dissera que não o podia reconhecer, desfigurada como estava sua face augusta pelas chagas e pelos escarros.

Jesus, em sua paixão, não deixou ver senão o seu amor. Infelizes aqueles que não quiseram reconhecê-lo! Foi preciso que um ladrão, um facínora, o adorasse como Deus e proclamasse sua inocência, e que a natureza chorasse o seu criador.

No Sacramento Jesus continua, com mais amor ainda, o sacrifício de seus atributos divinos.

De tanta glória e de tanto poder como tem, só vemos uma paciência mais que suficiente para nos escandalizar, se não soubéssemos que seu amor pelo homem é infinito, chegando até a loucura. Insanis, Domine!

Com esse proceder, este doce Salvador parece querer dizer-nos: Acaso não faço o bastante para merecer o vosso amor? Que mais posso fazer? Procurai que sacrifício me resta consumar!

Infelizes aqueles que desprezam tanto amor! Compreende-se que o inferno não seja castigo excessivo para eles.

Mas deixemos isso... A Eucaristia é a prova suprema do amor de Jesus pelo homem, porquanto constitui o supremo sacrifício.

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Quer viver o Tríduo Pascal com devoção? Dê uma olhada nestes artigos que poderão ajudar você:

O que é a Quinta-feira Santa?

A Quinta-feira Santa é o primeiro dia do Tríduo Pascal e um dos dias mais sagrados do ano litúrgico católico. É celebrada na quinta-feira anterior ao Domingo da Ressurreição e comemora a Última Ceia de Jesus Cristo com seus apóstolos, a instituição da Eucaristia e a criação do sacerdócio ministerial. Neste dia a Quaresma chega ao fim e começa o tempo mais santo do calendário cristão.

O que se celebra na Quinta-feira Santa?

A Quinta-feira Santa celebra três mistérios fundamentais da fé católica: a instituição da Eucaristia, quando Jesus entregou seu Corpo e Sangue sob as espécies do pão e do vinho; a instituição do sacerdócio da Nova Aliança; e o mandamento do amor fraterno, expresso no lava-pés. Pela manhã, a Igreja celebra ainda a Missa do Crisma, na qual o bispo abençoa os santos óleos que serão usados nos sacramentos durante todo o ano.

O que Jesus fez na Quinta-feira Santa segundo a Bíblia?

Segundo os Evangelhos e a carta de São Paulo aos Coríntios, na Quinta-feira Santa Jesus reuniu seus doze apóstolos para celebrar a ceia pascal. Durante a ceia tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e o entregou dizendo: “Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19). Fez o mesmo com o cálice. Depois levantou-se da mesa, cingiu-se com uma toalha e lavou os pés de seus discípulos, dizendo-lhes: “Dei-vos o exemplo, para que façais a mesma coisa que eu fiz” (Jo 13,15). Em seguida partiu com eles para o Horto do Getsêmani, onde rezou até o momento de sua prisão.

O que é mais importante na Quinta-feira Santa?

O mais importante da Quinta-feira Santa é a instituição da Eucaristia. Na Última Ceia, Jesus entregou à sua Igreja o memorial vivo de sua morte e ressurreição: cada vez que se celebra a Missa, esse mesmo sacrifício se faz presente de maneira incruenta. Junto com a Eucaristia, a Quinta-feira Santa celebra também a origem do sacerdócio cristão, pois foi nessa mesma ceia que Jesus conferiu a seus apóstolos o mandato de fazer o que Ele fez “em sua memória”. Ambos os mistérios são inseparáveis: sem o sacerdócio não há Eucaristia, e sem a Eucaristia a Igreja não pode viver.

Qual é o significado da Quinta-feira Santa?

O significado da Quinta-feira Santa é o do amor levado até o extremo. Neste dia Jesus institui a Eucaristia — o dom de si mesmo sob o pão e o vinho — e lava os pés de seus discípulos, mostrando que o amor cristão autêntico se expressa no serviço. A Quinta-feira Santa não é uma lembrança do passado, mas uma realidade viva: cada vez que a Igreja celebra a Missa, atualiza esse mesmo mistério de entrega e amor que Jesus inaugurou no Cenáculo na noite anterior à sua Paixão.

Pode comer carne na Quinta-feira Santa?

Sim. A Quinta-feira Santa não é dia de abstinência de carne. A abstinência obrigatória corresponde à Sexta-feira Santa. Além disso, é um dia de alegria e celebração pela instituição da Eucaristia. 

Pode-se receber a comunhão na Quinta-feira Santa?

Sim, dentro da Missa da Ceia do Senhor. Fora da Missa, a comunhão também pode ser distribuída aos enfermos que não possam assistir à celebração.

Onde posso encontrar Missas de Quinta-feira Santa perto de mim?

O app Horários de Missa permite localizar igrejas católicas próximas e consultar horários de Missa, confissão e adoração em tempo real. 

Quando é a Quinta-feira Santa em 2026?

Em 2026, a Quinta-feira Santa será celebrada em 2 de abril. Com este dia culmina a Semana Santa, que celebra a Ressurreição Gloriosa do Senhor.

Que horas é a Missa da Quinta-feira Santa?

A Missa da Ceia do Senhor é uma celebração vespertina. O Missal Romano indica que não pode começar antes das 18h, embora o horário exato varie conforme cada paróquia. Consulte os horários atualizados no app Horários de Missa.

Até que horas se pode visitar o altar da reposição?

A adoração solene diante do altar da reposição se estende até a meia-noite da Quinta-feira Santa. A partir desse momento, a adoração pode continuar, mas sem solenidade, pois já começou liturgicamente a Sexta-feira da Paixão do Senhor.