Você já se perguntou o que sente uma mãe que vê a morte de seu filho inocente? E o que sentiria se esse filho fosse, além disso, o seu Deus? Desde os primeiros séculos, os cristãos se fizeram essa pergunta. Movidos pela compaixão diante do sofrimento da Santíssima Virgem, escreveram meditações e orações para refletir sobre a sua dor e implorar o seu auxílio diante das próprias cruzes.
A oração a Nossa Senhora das Dores é a prece com que a Igreja acompanha Maria nos sofrimentos que ela viveu unida à Paixão de Cristo, desde a profecia de Simeão no Templo até a sepultura de Jesus. Quem reza à Senhora das Dores aprende a olhar a cruz com os olhos da Mãe.
Neste artigo você vai encontrar o que é a devoção a Nossa Senhora das Dores, como ela nasceu, por que vale a pena rezar a ela e sete orações completas da tradição católica.
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A devoção a Nossa Senhora das Dores
A devoção a Nossa Senhora das Dores contempla Maria como Mater Dolorosa, isto é, a Mãe que padeceu em sua alma os sofrimentos de seu Filho. A Igreja chama essa participação de compassio Mariae, do latim cum-patior, “padecer com outro”. A palavra designa algo mais profundo do que a pena: uma união livre e amorosa da Virgem com o sacrifício de Cristo. Toda oração a Nossa Senhora das Dores nasce dessa contemplação.
O Catecismo da Igreja Católica (1992) ensina que Jesus associa ao seu sacrifício redentor aqueles que são os seus primeiros beneficiários, e que isso se realiza de modo supremo em sua Mãe (CIC 618). Mais adiante, afirma que a união de Maria com Cristo se manifesta de maneira particular na hora da Paixão (CIC 964).
Por que Nossa Senhora é representada com uma espada no coração?
Os sofrimentos da Santíssima Virgem começaram no próprio dia da Anunciação. Maria conhecia perfeitamente as profecias sobre o sofrimento do Messias e por isso tinha plena consciência de tudo o que o seu Filho devia padecer.
Além disso, essa certeza se confirmou quarenta dias depois do nascimento de Jesus. Maria e José o apresentaram no Templo de Jerusalém. Ali o ancião Simeão, movido pelo Espírito Santo, anunciou à Mãe:
“Quanto a ti, uma espada te traspassará a alma” (Lc 2,35).
O evangelista São Lucas escolheu a palavra grega rhomphaia, que na Septuaginta, a tradução grega do Antigo Testamento feita em Alexandria por volta do século III a.C., designa uma grande espada de combate. A ferida anunciada toca o espírito de Maria. Desde aquele dia, a Virgem teve a confirmação de que a sua maternidade ficava unida ao destino do Redentor.
Pense em uma mãe que conhece de antemão o dia e a forma como perderá o seu filho. Cada carícia, cada brincadeira, cada refeição partilhada levaria dentro essa certeza. Assim viveu Maria os trinta anos de Nazaré.
Maria ao pé da cruz
Ao pé da cruz, todo o sofrimento de Maria atinge o seu ápice. São João, único apóstolo presente no Calvário, deixou escrito:
“Junto à cruz de Jesus estavam de pé sua mãe” e outras mulheres (Jo 19,25).
A Vulgata, a tradução latina da Bíblia preparada por São Jerônimo em Belém no fim do século IV, traduziu esse verbo com a palavra stabat: “estava de pé”.
O Concílio Vaticano II, na constituição Lumen Gentium (Roma, 1964), recolhe esse detalhe e ensina que a Virgem se manteve junto à cruz por desígnio divino, sofreu profundamente com o seu Filho e se associou com coração de mãe ao seu sacrifício (cf. LG 58). Maria permaneceu de pé pela fé. A sua dor foi imensa, mas a sua adesão à vontade do Pai foi ainda maior.
Da cruz, Jesus a confiou ao discípulo amado: “Mulher, eis aí o teu filho” (Jo 19,26). Naquela hora, Maria recebeu uma maternidade nova sobre todos os redimidos.
Quais são as sete dores de Nossa Senhora?
A tradição resume a vida dolorosa de Maria em sete episódios:
- A profecia de Simeão (Lc 2,34-35).
- A fuga para o Egito (Mt 2,13-15).
- A perda do Menino Jesus no Templo (Lc 2,41-50).
- O encontro com Jesus a caminho do Calvário, segundo a tradição piedosa da Via-Sacra.
- A crucifixão e morte de Jesus (Jo 19,25-30).
- A descida da cruz (Mc 15,42-46; Jo 19,38-40).
- A sepultura de Jesus e a soledade de Maria (Mt 27,59-61; Jo 19,41-42).
Se você quiser rezá-las uma por uma, no artigo sobre o terço de Nossa Senhora das Dores encontrará um guia para isso.
Por que se celebra em 15 de setembro?
O primeiro testemunho de uma festa litúrgica dedicada às dores de Maria vem do Sínodo de Colônia (Alemanha, 1423). Aquela celebração nasceu como ato de reparação diante dos ataques hussitas contra as imagens sagradas.
Depois vieram vários passos decisivos. O papa Bento XIII estendeu em 1727 a toda a Igreja latina a comemoração da sexta-feira anterior ao Domingo de Ramos. O papa Pio VII universalizou em 1814 a festa de setembro, em ação de graças por seu regresso a Roma depois do cativeiro imposto por Napoleão. São Pio X a fixou em 1913 no dia 15 de setembro.
Essa data tem uma bela lógica. Em 14 de setembro a Igreja celebra a Exaltação da Santa Cruz e, no dia seguinte, olha para a Mãe que permaneceu ao pé desse mesmo madeiro. São Paulo VI, na exortação Marialis Cultus (Roma, 1974), apresenta esta memória como ocasião para venerar, junto com o Filho exaltado na Cruz, a mãe que compartilha a sua dor (MC 7).
Por que rezar a Nossa Senhora das Dores?
São João Paulo II, na carta apostólica Salvifici Doloris (Roma, 1984), explica que no Calvário o sofrimento de Maria, unido ao de Jesus, atingiu um ápice difícil de imaginar e foi sobrenaturalmente fecundo para a salvação do mundo (cf. SD 25). Cada oração a Nossa Senhora das Dores nos ajuda a encontrar sentido para a própria dor. A doença, o luto ou a solidão deixam de ser um absurdo quando são vividos junto à Mãe que permaneceu firme na fé. Nela encontramos compreensão, alívio e consolo.
Nossa Senhora das Dores e a Eucaristia
O Concílio de Trento (Itália, sessão XXII, 1562) ensina que o sacrifício da Missa e o sacrifício da cruz são um único sacrifício, oferecido de modo diferente. Cada vez que você participa da Santa Missa, coloca-se, de verdade, ao pé do Calvário, no mesmo lugar onde estava Maria. Por isso uma oração a Nossa Senhora das Dores pode ajudar você a viver melhor o mistério eucarístico.
São João Paulo II, na encíclica Ecclesia de Eucharistia (Roma, 2003), descreve a vida da Virgem como uma espécie de “Eucaristia antecipada”, uma constante oferta interior que culminou na Paixão (EdE 56)
A Mater Dolorosa nos ajuda a nos confessar
As lágrimas de Maria Santíssima revelam o preço real do pecado. Nossas culpas causaram os tormentos de Cristo e a ferida do coração de sua Mãe. Por isso, uma oração a Nossa Senhora das Dores rezada com fé move à contrição, a dor sincera de ter ofendido a Deus, que nasce do amor e vai além do temor do castigo.
Nossa Senhora nunca afasta o pecador. Como Refúgio dos pecadores, ela o toma pela mão e o conduz ao confessionário. Se faz tempo que você não se confessa, pode preparar esse passo com este guia sobre o sacramento da confissão e com estas orações para pedir perdão a Deus.
Oração a Nossa Senhora das Dores
Cada oração a Nossa Senhora das Dores que você encontrará a seguir vem da liturgia, dos santos ou da piedade popular. Cada uma tem o seu tom próprio: algumas contemplam, outras suplicam, outras pedem perdão. Escolha a que melhor responda ao que o seu coração precisa hoje.
1. Stabat Mater
O Stabat Mater é um poema latino do século XIII, atribuído ao franciscano Jacopone de Todi (Itália, † 1306) ou ao papa Inocêncio III († 1216). É uma das composições religiosas com mais versões musicais da história e, na Missa de 15 de setembro, pode ser cantado como sequência antes do Evangelho. A versão castelhana mais difundida é a tradução poética de Lope de Vega, publicada em suas Rimas sacras (Madri, 1614), com leves variantes em seu uso litúrgico. Você pode rezar esta oração a Nossa Senhora das Dores em sua memória litúrgica.
De pé a Mãe dolorosa,
junto da cruz, lacrimosa,
via Jesus que pendia.
No coração transpassado
sentia o gládio enterrado
de uma cruel profecia.
Mãe entre todas bendita,
do Filho único, aflita,
a imensa dor assistia.
E, suspirando, chorava,
e da cruz não se afastava,
ao ver que o Filho morria.
Pobre mãe, tão desolada,
ao vê-la assim transpassada,
quem de dor não choraria?
Quem na terra há que resista,
se a Mãe assim se contrista
ante uma tal agonia?
Para salvar sua gente,
eis que seu Filho inocente
suor e sangue vertia.
Na cruz por seu Pai chamando,
vai a cabeça inclinando,
enquanto escurece o dia.
Faze, ó Mãe, fonte de amor,
que eu sinta em mim tua dor,
para contigo chorar.
Faze arder meu coração,
partilhar tua paixão
e teu Jesus consolar.
Ó santa Mãe, por favor,
faze que as chagas do amor
em mim se venham gravar.
O que Jesus padeceu
venha a sofrer também eu,
causa de tanto penar.
Ó dá-me, enquanto viver,
com Jesus Cristo sofrer,
contigo sempre chorar!
Quero ficar junto à cruz,
velar contigo a Jesus,
e o teu pranto enxugar.
Virgem Mãe tão santa e pura,
vendo eu a tua amargura,
possa contigo chorar.
Que do Cristo eu traga a morte,
sua paixão me conforte,
sua cruz possa abraçar!
Em sangue as chagas me lavem
e no meu peito se gravem,
para não mais se apagar.
No julgamento consegue
que às chamas não seja entregue
quem soube em ti se abrigar.
Que a santa cruz me proteja,
que eu vença a dura peleja,
possa do mal triunfar!
Vindo, ó Jesus, minha hora,
por essas dores de agora,
no céu mereça um lugar. Amém.
2. Ato de contrição diante de Nossa Senhora em sua soledade
Esta oração a Nossa Senhora das Dores abre o antigo exercício dos “Pêsames a Maria Santíssima em sua soledade”, que os fiéis rezavam na noite da Sexta-feira Santa diante da imagem de Nossa Senhora. Seu autor é anônimo e sua linguagem conserva o estilo devocional dos séculos passados. É ideal como preparação para a confissão.
Amorosíssima Maria, mãe de misericórdias, abismo de dores, insondável pélago de penas e tormentoso mar de desconsolos, que nas amargas ondas da vossa desamparada soledade renovais os martírios do vosso amante coração com a terna memória dos tormentos do vosso dulcíssimo Jesus, morto pelas mãos da obstinada ingratidão dos pecadores! Oh, quem pudera, Senhora, expressar o nosso sentimento, causa dos vossos, com a mais verdadeira contrição, para que, rasgados os corações, brotasse em vossa presença a mais fina expressão de uma perfeita dor, com que consolásseis a vossa acerba aflição!
Mas ai, Rainha dolorosa, que na impossível realização deste desejo se vê o estorvo que a nossa malícia causa! Ela é, ó divina Mãe, a espada cruel que atravessa o vosso amante coração; e pois com cada culpa acrescentamos fios aos seus desumanos cortes, e à vossa soledade maiores angústias, renovando a paixão dolorosa do vosso falecido Jesus, por ser em ofensa dele e aumento das vossas aflições, pesa-nos, desamparada Senhora; pesa-nos, pacientíssima Mãe; pesa-nos, Virgem amabilíssima, de todo o coração e acima de todo encarecimento, ter pecado e matado tantas vezes o bem da vossa vida, vida da vossa alma e alma do vosso coração, Jesus.
Pesa-nos, rola amorosíssima, ter sido tão contínuo motivo da vossa amarguíssima soledade, sendo vós o nosso remédio, abrigo e amparo. Pecamos, piedosíssima Maria, contra o vosso doce Jesus, contra vós, tão inculpável, tão pura e tão santa. Pecamos, mas nem por isso esquecemos a vossa clemência; e assim, com ela, alcançai-nos o perdão, pois todos professamos o mais firme propósito de não voltar a pecar, de antes morrer que ofender o vosso falecido Jesus, e de não dar entrada ao ingrato esquecimento das vossas penas.
E confiamos em vossa amabilíssima condição e maternais entranhas: vós nos alcançareis a remissão, a emenda e a perseverança nela, para que, como filhos verdadeiros, vos acompanhemos nas amarguras da vossa terna soledade. Amém.
3. Oração de Santo Afonso Maria de Ligório para alcançar uma boa morte
Santo Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja, colocou esta oração no início de Glórias de Maria (Nápoles, 1750). Ela invoca a dor que a Virgem sofreu ao assistir à morte de seu Filho e lhe pede a mesma companhia na hora final. É uma oração muito adequada para rezar junto a um doente grave, sobretudo quando ele recebe a Unção dos Enfermos.
Ó Maria, doce refúgio dos pobres pecadores: quando a minha alma tiver de deixar este mundo, minha Mãe dulcíssima, por aquela dor que sentistes ao assistir à morte do vosso Filho na cruz, assisti-me então com a vossa misericórdia.
Afastai de mim os inimigos do inferno e vinde então tomar a minha alma para apresentá-la ao Juiz eterno. Minha Rainha, não me abandoneis. Vós, depois de Jesus, haveis de ser o meu consolo naquele terrível momento.
Rogai ao vosso Filho que, por sua bondade, me conceda morrer abraçado aos vossos pés e entregar a minha alma em suas santas chagas, dizendo: “Jesus e Maria, eu vos dou o coração e a alma minha”.
4. Oração a Nossa Senhora das Dores do Beato Miguel Agostinho Pro
Esta é a oração a Nossa Senhora das Dores que o Padre Pro escreveu dias antes de seu martírio, exatamente em 13 de novembro de 1927.
Deixai-me passar a vida ao vosso lado, minha Mãe,
acompanhado da vossa soledade e do vosso pesar profundo.
Deixai-me sentir em minha alma o triste pranto dos vossos olhos e
o desamparo do vosso coração.
Não quero no caminho da minha vida saborear as alegrias de Belém,
adorando em vossos braços virginais o Menino Deus;
não quero gozar na casinha humilde de Nazaré
da amável presença de Jesus Cristo;
não quero acompanhar-vos em vossa Assunção gloriosa entre os coros dos Anjos...
Quero em minha vida as zombarias e os escárnios do Calvário,
quero a agonia lenta do vosso Filho, o desprezo,
a ignomínia, a infâmia da cruz;
quero estar ao vosso lado, Virgem dolorosíssima, de pé,
fortalecendo o meu espírito com as vossas lágrimas,
consumando o meu sacrifício com o vosso martírio,
sustentando o meu coração com a vossa soledade,
amando o meu Deus e vosso Deus com a imolação do meu ser. Amém.
5. Súplicas ao Coração Doloroso de Maria
Com esta oração a Nossa Senhora das Dores pedimos a ela que interceda por nós e nos alcance as graças de que precisamos para crescer em santidade:
V/. Vinde, ó Deus, em meu auxílio.
R/. Senhor, socorrei-me sem demora.
Glória ao Pai…
1. Eu me compadeço de vós, ó Maria, Mãe dolorosa, pela aflição que o vosso terno coração sofreu diante da profecia do santo ancião Simeão. Mãe queridíssima, pelo vosso coração tão aflito, alcançai-me a virtude da humildade e o dom do temor de Deus.
Ave-Maria…
2. Eu me compadeço de vós, ó Maria, Mãe dolorosa, pelos angustiosos temores que o vosso amante coração suportou na fuga para o Egito e durante a vossa permanência naquela terra. Mãe queridíssima, pelo vosso coração tão inquieto, alcançai-me a virtude da generosidade, sobretudo para com os pobres, e o dom da piedade.
Ave-Maria…
3. Eu me compadeço de vós, ó Maria, Mãe dolorosa, pela angústia que o vosso atribulado coração padeceu quando perdestes o vosso amado Filho Jesus. Mãe queridíssima, pelo vosso coração tão profundamente perturbado, alcançai-me a virtude da castidade e o dom da ciência.
Ave-Maria…
4. Eu me compadeço de vós, ó Maria, Mãe dolorosa, pelo horror que feriu o vosso coração de mãe ao encontrar Jesus carregando a cruz. Mãe queridíssima, pelo vosso coração tão oprimido, alcançai-me a virtude da paciência e o dom da fortaleza.
Ave-Maria…
5. Eu me compadeço de vós, ó Maria, Mãe dolorosa, pelo martírio que atormentou o vosso magnânimo coração na agonia de Jesus. Mãe queridíssima, pelo vosso coração martirizado, alcançai-me a virtude da temperança e o dom do conselho.
Ave-Maria…
6. Eu me compadeço de vós, ó Maria, Mãe dolorosa, pela angústia que causou em vosso terno coração a lança que abriu o lado de Jesus e traspassou o seu adorabilíssimo Coração. Mãe queridíssima, por esta ferida que o vosso próprio coração padeceu em lugar do dele, alcançai-me a virtude do amor fraterno e o dom do entendimento.
Ave-Maria…
7. Eu me compadeço de vós, ó Maria, Mãe dolorosa, pela agonia que dilacerou o vosso amantíssimo coração na sepultura de Jesus. Mãe queridíssima, pelo tormento extremo que encheu o vosso coração abatido, alcançai-me a virtude do zelo e o dom da sabedoria.
Ave-Maria…
V/. Rogai por nós, Virgem dolorosíssima.
R/. Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Oremos.
Senhor Jesus Cristo, nós vos pedimos que a santíssima Virgem Maria, cuja alma foi traspassada pela espada da dor na hora da vossa Paixão, seja nossa advogada diante do trono da vossa misericórdia, agora e na hora de nossa morte. Por vós, Jesus Cristo, Redentor do mundo, que viveis e reinais com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos dos séculos. Amém.
6. Oração coleta da Missa de Nossa Senhora das Dores
A coleta é a oração com que o padre recolhe as intenções da assembleia no início da Missa. Esta é a oração a Nossa Senhora das Dores própria da memória de 15 de setembro no Missal Romano.
Ó Deus, quando o vosso Filho foi exaltado, quisestes que sua Mãe estivesse de pé junto à cruz, sofrendo com ele; dai à vossa Igreja, unida a Maria na paixão de Cristo, participar da ressurreição do Senhor. Por nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho, que é Deus, e convosco vive e reina, na unidade do Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Amém.
7. Ave-Maria Dolorosa
Esta Ave-Maria é uma versão adaptada como oração a Nossa Senhora das Dores.
Ave, Maria, cheia de dores; Jesus crucificado é convosco; digna sois de ser chorada e compadecida entre todas as mulheres, e digno é de ser chorado e compadecido Jesus, bendito fruto do vosso ventre.
Santa Maria, Mãe do Crucificado, dai lágrimas a nós, crucificadores do vosso Filho, agora e na hora de nossa morte. Amém.
Quantas lições Nossa Senhora das Dores nos ensina!
Ela nos mostra que o sofrimento humano deixa de ser inútil quando se une ao sacrifício de Cristo. Assim como Maria participou da Redenção de maneira singular, nós, fiéis, podemos oferecer as nossas próprias dores como um ato de amor às almas e de cooperação na salvação do mundo. É o preço do amor a um Deus crucificado por amor a nós.
A figura de Nossa Senhora das Dores ao pé da Cruz (Stabat Mater) ensina que a fé requer a firmeza de permanecer "de pé" diante da adversidade. A dor se torna uma escola de fortaleza na qual o fiel encontra na Mater Dolorosa companhia e força para não ser "esmagado" pelas tribulações.
Maria Santíssima conhecia as Escrituras e sabia perfeitamente tudo o que o Messias devia sofrer. Apesar disso, não se acovardou, mas aceitou o plano de Deus. Com o seu fiat na Anunciação e ao pé da cruz, ela nos mostra que a dor deve ser um "sim" renovado à vontade de Deus, mesmo quando não compreendemos o porquê imediato do sofrimento.
A devoção a Nossa Senhora das Dores nos lembra que a dor não é o destino final. Maria, embora dilacerada, manteve a esperança na vitória sobre a morte. Assim, a dor cristã se torna o caminho necessário que precede a glória da Ressurreição.
Como é importante meditar as suas dores ao longo do ano! Quando rezarmos uma oração a Nossa Senhora das Dores, peçamos a ela a graça do horror ao pecado e um renovado ardor no combate pela nossa santificação.
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Quando é o dia de Nossa Senhora das Dores?
A Igreja universal celebra a memória de Nossa Senhora das Dores em 15 de setembro. Muitos lugares mantêm, além disso, a Sexta-feira das Dores, a sexta-feira anterior ao Domingo de Ramos.
Como fazer um pedido a Nossa Senhora das Dores?
Pode-se recorrer a ela como "consoladora dos aflitos", pedindo-lhe fortaleza para enfrentar as adversidades e sentido para o próprio sofrimento. Uma forma tradicional de pedir é rezar o seu Terço das Sete Dores, solicitando que ela nos "empreste o seu Coração" para amar Jesus como ela o ama.
O que significam as 7 espadas de Nossa Senhora das Dores?
As sete espadas que costumam atravessar o coração da imagem são uma representação visual da profecia do ancião Simeão ("uma espada traspassará a tua alma").
Qual é a diferença entre Nossa Senhora das Dores e Nossa Senhora da Soledade?
Os dois títulos contemplam o mesmo mistério. Nossa Senhora das Dores abrange as sete dores de Maria ao longo de sua vida. Nossa Senhora da Soledade se concentra na última: a soledade de Maria depois da sepultura de Jesus, que a Igreja contempla de modo especial no Sábado Santo.
Como rezar o terço das 7 dores?
Diferentemente do terço tradicional, este se estrutura em grupos de sete:
- Inicia-se, opcionalmente, com um Ato de Contrição.
- Anuncia-se a primeira dor e medita-se brevemente sobre ela.
- Reza-se um Pai-Nosso, sete Ave-Marias e um Glória ao Pai.
- Repete-se esse processo para cada uma das sete dores.
- Ao terminar, costuma-se rezar três Ave-Marias em honra das lágrimas derramadas pela Virgem Maria.
Qual é a história de Nossa Senhora das Dores?
O culto à compaixão de Maria começou a ser documentado por volta do século X, sob títulos como "Rainha dos Mártires".
