Os 7 Dons do Espírito Santo Explicados

por Mariana Manzanares | Vida espiritual

Você sabia que o Batismo é o melhor presente que um pai pode dar ao seu filho? Sabia que por este sacramento recebemos belos presentes espirituais do Bom Deus, nosso Pai do Céu? Em primeiro lugar, é apagado em nós o pecado original, que nos havia fechado as portas da vida eterna. Além disso, recebemos a graça santificante, que nos torna participantes da vida divina. E pela graça nos tornamos filhos de Deus, por adoção. Deus nos olha e nos ama como a filhos verdadeiros, e nos dá o direito de chamá-lo “Pai!”

E, como se não bastasse, o batizado se torna templo e sacrário do Espírito Santo e de toda a Trindade. Isto é, Deus começa a habitar na alma não só como Criador, mas como Pai e Amigo. 

O Batismo nos abre as portas do Céu. Mas, para alcançar a glória eterna, é necessário levar uma vida cristã coerente com os princípios do Evangelho. A verdade é que não é fácil. Temos de lutar contra o pecado, contra nossas más inclinações, contra o demônio que quer nos afastar de Deus. Devemos conquistar virtudes, fazer boas obras, cumprir os mandamentos. Humanamente, parece impossível.

No entanto, o Espírito Santo, que é o encarregado de que cheguemos ao Céu, nos concede no Batismo as virtudes teologais (fé, esperança e caridade), as virtudes cardeais (prudência, justiça, fortaleza e temperança) e os sete dons do Espírito Santo. Esses presentes ajudam a alma a crescer em santidade.

E para que servem, concretamente, os dons do Espírito Santo? São hábitos sobrenaturais infundidos por Deus que elevam as capacidades da alma ao plano do divino e a tornam capaz de receber e secundar com facilidade as moções do próprio Espírito Santo. Precisamente, para sermos santos, devemos imitar Cristo, nosso modelo, na vida diária. No entanto, muitas vezes não sabemos como fazê-lo. Para isso o Espírito Santo vem em nosso auxílio e nos dá uma série de inspirações ou moções para nos orientar.  Os dons do Espírito Santo preparam a alma para escutar, discernir e obedecer a essas inspirações. 

Sem um conhecimento e um culto adequados ao Espírito Santo, todos esses presentes recebidos no Batismo, como os dons do Espírito Santo, correm o risco de ficar paralisados ou enfraquecidos, ou de se perder. E, desse modo, dificulta-se que a alma alcance a maturidade cristã, e sua salvação corre perigo.

Por isso, se você quer saber mais sobre o Espírito Santo e todas as graças que Ele tem reservadas para os batizados, fique atento. Publicaremos uma série de artigos sobre a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Para que assim seja mais conhecido, mais amado e escutado. Uma alma dócil e obediente às suas inspirações pode alcançar a santidade com maior facilidade e rapidez.

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Os Dons do Espírito Santo e seu significado

O que são os dons do Espírito Santo?

Como dissemos anteriormente, os dons do Espírito Santo são hábitos sobrenaturais infundidos por Deus nas potências da alma para receber e secundar com facilidade as moções do próprio Espírito Santo ao modo divino ou sobre-humano. São hábitos permanentes que o Espírito Santo deposita na alma com a graça santificante e que permanecem nela enquanto a alma estiver em graça.

O primeiro grande dom de Deus é o próprio Espírito Santo, que é o próprio Amor com que Deus se ama e nos ama, chamado pela liturgia de “Altissimi donum Dei”: dom do Deus Altíssimo. D’Ele procedem todos os demais dons.

Qual é a diferença entre dons, virtudes, frutos e bem-aventuranças?

 São quatro realidades distintas, mas profundamente relacionadas na vida sobrenatural:

  • As virtudes infusas dispõem a alma para agir sobrenaturalmente segundo o ditame da razão iluminada pela fé, mas ao modo humano.
  • Os dons do Espírito Santo dispõem a alma para ser movida diretamente pelo Espírito Santo. Isto é, ao modo divino.
  • Os frutos são os atos primorosos que brotam quando a alma coopera docilmente com os dons.
  • As bem-aventuranças são os frutos mais perfeitos e acabados, tão perfeitos que todas as bem-aventuranças são frutos, mas nem todos os frutos são bem-aventuranças.

Aqui você pode ver uma síntese:

 

Virtudes infusas Dons do Espírito Santo Frutos Bem-aventuranças
O que são Hábitos operativos sobrenaturais Hábitos para receber moções divinas Atos primorosos de virtude Atos mais perfeitos e acabados
Quem move O homem como causa principal O Espírito Santo como causa única A alma que coopera com o dom A alma em máxima cooperação
Modo Humano-sobrenatural Divino ou sobre-humano Suave e doce Perfeitíssimo e heroico
Analogia As raízes da árvore Os ramos Os frutos Os frutos mais maduros

Onde os dons do Espírito Santo aparecem na Bíblia?

O texto bíblico fundamental é Isaías 11,1-3:

“Um renovo sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes. Sobre ele repousará o Espírito do Senhor: espírito de sabedoria e de entendimento, espírito de conselho e de fortaleza, espírito de ciência e de temor do Senhor”.

Esse texto é claramente messiânico. Os Santos Padres e a própria Igreja o estendem também aos fiéis de Cristo em virtude do princípio paulino: “Os que ele distinguiu de antemão, também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” (Rm 8,29). Tudo o que há de perfeição em Cristo, se é comunicável, encontra-se também em seus membros unidos a Ele pela graça.

A Igreja falou expressamente dos dons do Espírito Santo no sínodo romano do ano 382, sob o Papa São Dâmaso, inclui-os na liturgia de Pentecostes com o hino Veni Creator e a sequência Veni, Sancte Spiritus e os menciona na administração solene da Crisma. O Papa Leão XIII os expôs magistralmente em sua encíclica Divinum illud munus.

Quantos são os dons do Espírito Santo?

São sete: sabedoria, entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade e temor de Deus.

O texto massorético de Isaías enumera seis, porque repete no final o dom do temor. A versão dos Setenta e a Vulgata latina enumeram sete, porque acrescentam o dom da piedade. A divergência dos dons do Espírito Santo procede da dupla tradução que admite a palavra hebraica yira't, que pode ser traduzida como temor ou piedade.

Santo Ambrósio e Santo Agostinho insistem em que o número sete tem aqui um valor de plenitude, uma vez que todo o conjunto de dons desejáveis habitava no Messias. Seria temerário propor nomes diferentes dos sete que a tradição transmitiu unanimemente.

Qual é a natureza dos dons do Espírito Santo?

A definição teológica clássica é esta:

“Os dons do Espírito Santo são hábitos sobrenaturais infundidos por Deus nas potências da alma para receber e secundar com facilidade as moções do próprio Espírito Santo ao modo divino ou sobre-humano”.

Desdobrada palavra por palavra por Frei Antonio Royo Marín, em sua obra O Grande Desconhecido:

  • Hábitos sobrenaturais: O texto de Isaías diz que os dons “repousarão” sobre o Messias, o que indica permanência habitual. O Espírito Santo nunca está na alma sem os seus dons.
  • Infundidos por Deus: São realidades sobrenaturais que a alma não pode adquirir por suas próprias forças, pois transcendem infinitamente a ordem puramente natural.
  • Nas potências da alma: Residem nas faculdades operativas da alma, assim como as virtudes infusas, cujo ato sobrenatural vêm aperfeiçoar.
  • Para receber e secundar com facilidade: o próprio dos hábitos é aperfeiçoar as potências para receber e secundar com facilidade a moção do agente que as move.
  • As moções do próprio Espírito Santo: o Espírito Santo age como causa motora e principal direta, à diferença das virtudes infusas, pelas quais o próprio homem age como causa motora principal.
  • Ao modo divino ou sobre-humano: Esta é a diferença fundamental: os atos procedentes dos dons do Espírito Santo são incomparavelmente mais perfeitos do que os procedentes das virtudes infusas.

Como é a moção divina dos dons do Espírito Santo?

Este é o ponto mais importante e mais difícil da doutrina dos dons do Espírito Santo. A moção divina dos dons é essencialmente distinta da moção que ativa as virtudes infusas.

Nas virtudes infusas:

  • Deus age como causa principal primeira.
  • O homem age como causa principal segunda, inteiramente subordinada à primeira.
  • Os atos são totalmente do homem, porque partem de sua razão e livre-arbítrio.
  • O modo de agir é humano-sobrenatural.

Nos dons do Espírito Santo:

  • Deus age como causa principal única.
  • O homem passa à categoria de causa instrumental, porque é consciente e livre, mas instrumental.
  • Os atos são materialmente humanos, mas formalmente divinos.
  • O modo de agir é divino ou sobre-humano.

O Pe. Royo Marín usa uma imagem belíssima para explicá-lo: é como a melodia que um artista tira de sua harpa: materialmente é da harpa, mas formalmente é do artista que a toca.

Que papel tem a liberdade sob a moção dos dons do Espírito Santo?

  • A passividade da alma é apenas relativa, somente quanto à iniciativa do ato, que cabe exclusivamente ao Espírito Santo.
  • Uma vez recebida a moção divina, a alma reage ativamente e se associa a ela com toda a força de seu livre-arbítrio.
  • Isso salva a liberdade e o mérito sob a ação dos dons.
  • Tanto mais perfeita resulta a ação quanto mais docilmente a alma secunda a moção divina, sem desviá-la com iniciativas puramente humanas.

Por que os dons do Espírito Santo são necessários?

Os dons do Espírito Santo são necessários por duas razões fundamentais, que o Pe. Royo Marín expõe com rigor:

1. Para a perfeição das virtudes infusas

  • As virtudes infusas são hábitos divinos que residem em potências humanas.
  • Segundo o aforismo teológico: “o que se recebe, recebe-se ao modo do recipiente”.
  • As virtudes infusas, ao serem recebidas pela alma humana, ficam rebaixadas e adquirem o modo humano. Ficam como que “sufocadas” nessa atmosfera humana.
  • Por isso um pecador que se arrepende e se confessa volta facilmente aos seus pecados, apesar de ter recuperado todas as virtudes infusas com a graça.
  • Os dons do Espírito Santo vêm proporcionar às virtudes infusas a atmosfera divina de que precisam para desenvolver toda a sua virtualidade sobrenatural.
  • Sem o regime predominante dos dons é impossível chegar à perfeição cristã.

2. Para a própria salvação

  • A natureza humana está ferida pelo pecado original e inclinada ao mal.
  • Em tentações graves e imprevistas, em que o pecado ou o heroísmo se decide em um instante, o raciocínio humano é lento demais.
  • Nessas situações a alma precisa mover-se “como por instinto sobrenatural”, em outras palavras, sob a moção dos dons do Espírito Santo.
  • Sem essa moção, a queda seria quase certa, dado o peso da concupiscência.
  • Basta que essas situações possam ocorrer alguma vez para concluir que a atuação dos dons é necessária até mesmo para a salvação eterna.

Os 7 dons do Espírito Santo explicados

1. Dom do Temor de Deus

Qual é a natureza do dom do temor?

  • É o primeiro na escala hierárquica dos dons do Espírito Santo, pois é a base para os demais. 
  • Define-se como um hábito sobrenatural pelo qual o justo, sob o instinto do Espírito Santo, adquire uma docilidade especial para afastar-se do pecado e submeter-se à vontade divina, porque se sente dominado por um sentimento reverencial para com a majestade de Deus.
  • Não é temor mundano (que evita males temporais em vez de evitar ofender a Deus) nem temor servil (que evita o pecado só por medo do castigo).
  • É temor filial perfeito: o temor próprio de um filho que ama seu pai e evita desobedecer-lhe para não o desgostar, pois se funda na caridade e na reverência.
  • Seu modo deiforme tem seu exemplar na santidade infinita de Deus e em seu afastamento total de todo mal. O Espírito Santo transmite à alma algo da detestação infinita que Deus tem pelo pecado.

Por que o dom do temor é importante?

  • Aperfeiçoa a esperança, porque arranca pela raiz a presunção ao dar um sentimento de radical impotência diante de Deus.
  • Reforça a temperança, ao frear a tendência desordenada para os prazeres por medo reverencial de ofender a Deus.
  • Eleva a religião à sua máxima perfeição, enchendo-a da reverência que os próprios anjos experimentam diante da majestade divina.
  • Aperfeiçoa a humildade, mergulhando a alma no abismo de seu nada diante do tudo de Deus.

Quais são os efeitos do dom do temor na alma?

  • Adoração profunda: um vivo sentimento da grandeza de Deus que mergulha a alma na submissão e no acatamento de sua vontade.
  • Horror ao pecado: uma vivíssima contrição ao compreender a malícia de qualquer ofensa a Deus, por menor que pareça.
  • Vigilância extrema: atenção constante para evitar até as menores ocasiões de pecado.
  • Desprendimento perfeito: considerar como “lixo” todas as grandezas e riquezas da terra depois de ter vislumbrado a majestade divina.

Que bem-aventuranças e frutos derivam do dom do temor?

  • Bem-aventurança principal: “Bem-aventurados os pobres em espírito” (Mt 5,3). A reverência filial leva a não buscar o engrandecimento próprio em honras nem riquezas.
  • Bem-aventurança secundária: “Bem-aventurados os que choram”. O conhecimento da própria miséria leva ao pranto pelos erros passados.
  • Frutos do Espírito Santo: modéstia (fruto da reverência diante de Deus), continência e castidade (derivadas do ordenamento das paixões)

Quais são os vícios opostos ao dom do temor?

  • Soberba: opõe-se diretamente, porque o dom do temor a exclui pela raiz ao fazer o homem sentir o seu próprio nada diante de Deus.
  • Presunção: opõe-se indiretamente, ao injuriar a justiça divina por confiar desordenadamente na misericórdia.

Como cultivar o dom do temor?

  • Meditar na grandeza de Deus: refletir sobre seu poder criador e sua majestade absoluta.
  • Trato reverente: acostumar-se a tratar Deus como Pai, mas com profundo respeito, evitando familiaridades excessivas.
  • Horror ao pecado: considerar a malícia da ofensa a Deus.
  • Mansidão e humildade: tratar o próximo com delicadeza, vendo os outros como irmãos em Cristo.
  • Invocação frequente: pedir ao Espírito Santo o temor reverencial por meio de orações e jaculatórias.

2. Dom da Fortaleza

Qual é a natureza do dom da fortaleza?

  • Define-se como um hábito sobrenatural que robustece a alma para praticar, por instinto do Espírito Santo, virtudes heroicas com uma confiança invencível de superar qualquer perigo ou dificuldade.
  • À diferença da virtude da fortaleza, que age ao modo humano e nem sempre tira o temor, o dom age ao modo divino, porque se apoia na onipotência divina, que proporciona uma segurança inabalável.
  • Permite superar obstáculos que parecem humanamente impossíveis, como se viu nos apóstolos depois de Pentecostes, ao receberem a efusão dos dons do Espírito Santo.

Por que o dom da fortaleza é importante?

  • As virtudes infusas, por si sós, ficam “sufocadas” na atmosfera humana. O dom lhes proporciona o “ar divino” necessário para o seu pleno desenvolvimento.
  • Em tentações repentinas e violentas, em que o pecado ou o heroísmo se decide em um instante, o raciocínio humano é lento demais, por isso se requer o instinto sobrenatural do dom da fortaleza. 
  • É necessário para combater vitoriosamente as paixões internas, as seduções do mundo e os assaltos do demônio.

Quais são os efeitos do dom da fortaleza na alma?

  • Energia inabalável: determinação total de não se deter no caminho da santidade, aconteça o que acontecer.
  • Destruição da tibieza: eliminação da frouxidão e da negligência no serviço de Deus.
  • Intrepidez diante do perigo: coragem diante de qualquer inimigo.
  • Alegria no sofrimento: capacidade de suportar as maiores dores com alegria sobrenatural, como nos mártires ou em Santa Teresinha.
  • Heroísmo do pequeno: força para ser obstinadamente fiel ao dever cotidiano em seus mínimos detalhes.

Que bem-aventuranças e frutos derivam do dom da fortaleza?

  • Bem-aventurança: “Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça (santidade)” (Mt 5,6). Só uma fortaleza divina permite desejar a santidade com tal ímpeto e constância. 
  • Frutos do Espírito Santo: paciência (para sofrer males com heroísmo) e longanimidade (para perseverar no bem apesar da demora dos resultados). 

Quais são os vícios opostos ao dom da fortaleza?

  • Timidez ou temor desordenado: impede de empreender grandes coisas por Deus por medo das dificuldades.
  • Frouxidão: nascida do amor à própria comodidade, que busca evitar a humilhação e a dor.

Como cultivar o dom da fortaleza?

  • Cumprimento exato do dever: esforçar-se no que se pode com a graça ordinária. Deus não costuma dar o dom para premiar a preguiça.
  • Não pedir que a cruz seja tirada: em vez de queixar-se das provações, pedir força para suportá-las santamente.
  • Mortificações voluntárias: praticar pequenas renúncias diárias para que a alma não trema diante da dor.
  • Recorrer à Eucaristia: buscar na comunhão o “pão dos fortes” para receber a fortaleza de Cristo.

3. Dom da Piedade

Qual é a natureza do dom da piedade?

  • Define-se como um hábito sobrenatural infundido por Deus para despertar na vontade, por instinto do Espírito Santo, um afeto filial para com Deus como Pai e um sentimento de fraternidade universal para com todos os homens como irmãos e filhos do mesmo Pai.
  • Reside na vontade.
  • À diferença da virtude da piedade — que opera ao modo humano — o dom age ao modo divino, com uma perfeição e delicadeza incomparavelmente maiores.
  • É o dom que comunica à alma o espírito da família de Deus.

Por que o dom da piedade é importante?

  • É absolutamente necessário para levar à perfeição heroica as virtudes da justiça, da religião e da piedade.
  • Sem ele, o serviço a Deus pode ser realizado por dever; o dom faz com que seja cumprido sem esforço, como o serviço amoroso de um filho a seu pai.
  • É indispensável para que as virtudes infusas alcancem seu pleno desenvolvimento, permitindo à alma ver em toda a criação a “casa do Pai”.

Quais são os efeitos do dom da piedade na alma?

  • Ternura filial para com Deus: uma doce vivência do “Abá, Pai”. Em santos como Santa Teresinha provocava lágrimas de amor ao rezar o Pai-Nosso.
  • Adoração da paternidade divina: a alma se abisma na contemplação do mistério da geração eterna do Verbo.
  • Abandono filial: paz inalterável e confiança total nos braços do Pai, sem pedir nem recusar nada fora de sua vontade.
  • Fraternidade universal: ver em cada próximo um irmão em Cristo, com impulso para obras de misericórdia heroicas realizadas com naturalidade.
  • Devoção ao sagrado: amor terno à Virgem Maria como Mãe, aos anjos e santos como irmãos mais velhos, ao Papa, aos superiores e às almas do purgatório.

Que bem-aventuranças e frutos derivam do dom da piedade?

  • Bem-aventuranças: os mansos (a mansidão facilita o exercício da piedade), os que têm fome e sede de justiça (o dom aperfeiçoa essa virtude) e os misericordiosos (a piedade se manifesta na compaixão para com o irmão).
  • Frutos do Espírito Santo: diretamente, bondade e benignidade; indiretamente, mansidão.

Quais são os vícios opostos ao dom da piedade?

  • Impiedade: a quebra voluntária do dever filial para com Deus.
  • Dureza de coração: nasce do amor desordenado a si mesmo, que torna a alma insensível aos interesses de Deus e às misérias do próximo. Manifesta-se na incapacidade de chorar os pecados.

Como cultivar o dom da piedade?

  • Cultivar o espírito de filhos adotivos: recordar constantemente que Deus é Pai e recorrer a Ele com confiança e abandono.
  • Cultivar a fraternidade universal: tratar todos os homens como verdadeiros irmãos em Cristo.
  • Ver Deus na criação: considerar que tudo o que existe pertence à “casa do Pai”.
  • Praticar o abandono total: aceitar com indiferença e amor o que Deus dispuser ou permitir.

4. Dom do Conselho

Qual é a natureza do dom do conselho?

  • Define-se como um hábito sobrenatural pelo qual a alma, sob a inspiração direta do Espírito Santo, intui instantaneamente o que convém fazer em casos particulares em ordem ao fim último sobrenatural.
  • Aperfeiçoa a virtude da prudência.
  • À diferença da prudência — que raciocina e discorre de forma lenta — o dom do conselho age por instinto divino, proporcionando soluções rápidas e seguras.
  • O Espírito Santo age como causa motora única; a alma colabora como causa instrumental.

Por que o dom do conselho é importante?

  • É um dos dons do Espírito Santo indispensáveis em situações imprevistas e difíceis , em que o pecado ou o heroísmo se decidem em um instante e o raciocínio humano seria lento demais.
  • Permite conciliar virtudes aparentemente opostas: a suavidade com a firmeza, a prudência da serpente com a simplicidade da pomba.
  • Manifesta-se no Evangelho no silêncio de Jesus diante de Herodes, em sua resposta sobre o tributo a César ou no julgamento de Salomão.

Quais são os efeitos do dom do conselho na alma?

  • Preservação de uma falsa consciência: evita que a alma se engane a si mesma ou use princípios morais para justificar caprichos pessoais.
  • Segurança na dúvida: resolve com acerto situações difíceis, como ocorre frequentemente no confessionário com diretores espirituais santos.
  • Acerto no governo: inspira a superiores e diretores os meios mais oportunos para guiar outros com justiça e caridade.
  • Docilidade extrema: paradoxalmente, a alma movida por este dom é a mais inclinada a consultar os superiores e a obedecer-lhes, pois o Espírito Santo lhe inspira que Deus governa os homens por meio de outros homens.

Que bem-aventuranças e frutos derivam do dom do conselho?

  • Bem-aventurança: “Bem-aventurados os misericordiosos” (Mt 5,7) — nada é tão útil para a própria salvação como o exercício da misericórdia.
  • Frutos do Espírito Santo: bondade e benignidade.

Quais são os vícios opostos ao dom do conselho?

  • Precipitação: agir por impulso natural sem consultar o Espírito Santo.
  • Temeridade: falta de atenção às luzes da fé por excessiva confiança em si mesmo.
  • Lentidão excessiva: não executar com rapidez o que o Espírito Santo já ditou como conveniente.

Como cultivar o dom do conselho?

  • Humildade profunda: reconhecer a própria ignorância e pedir incessantemente as luzes do céu.
  • Reflexão e calma: não proceder com pressa; pelo contrário, fazer o que se pode naturalmente enquanto se espera o auxílio divino.
  • Silêncio interior: calar os ruídos do mundo e as paixões para escutar a voz do “Mestre interior”.
  • Obediência e docilidade: submeter-se fielmente ao juízo dos superiores e do diretor espiritual.

5. Dom da Ciência

Qual é a natureza do dom da ciência?

  • Define-se como um hábito sobrenatural infundido por Deus com a graça santificante, que reside no entendimento e permite julgar retamente as coisas criadas em relação a Deus.
  • À diferença da ciência humana (adquirida por raciocínio natural) ou da teologia (que discorre sobre a revelação), o dom julga a criação por instinto divino ou conaturalidade.
  • Sua função própria é o reto juízo das criaturas. Distingue-se de outros dons do Espírito Santo, como o do entendimento (que intui a verdade) e o da sabedoria (que julga as coisas divinas).
  • Constitui o que se chama a “ciência dos santos”.

Por que o dom da ciência é importante?

  • Indispensável para que a fé alcance seu pleno desenvolvimento prático.
  • Sem ele, a alma corre o risco de deixar-se seduzir pelo encanto das criaturas, por perder de vista seu nexo com o mundo sobrenatural.
  • Proporciona um instinto sobrenatural para descobrir o valor, a utilidade ou o perigo das coisas criadas em ordem à vida eterna.

Quais são os efeitos do dom da ciência na alma?

  • Reto juízo das criaturas: ensina a experimentar o vazio e o nada da criatura diante de Deus, descobrindo ao mesmo tempo a marca do Criador na natureza.
  • Guia na fé: permite discernir instintivamente se uma doutrina ou devoção está em sintonia com a fé ou se opõe a ela.
  • Conhecimento próprio: faz ver com prontidão o estado da alma e os movimentos secretos do coração.
  • Direção do próximo: inspira a pregadores e diretores as palavras mais oportunas para guiar outros a Deus.
  • Desprendimento e uso santo: ensina a considerar as criaturas como “lixo” diante de Deus e a usá-las como alavanca para elevar-se a Ele.
  • Arrependimento: ao descobrir a vaidade do que é criado e a malícia do pecado, enche a alma de vivíssima contrição.

Que bem-aventuranças e frutos derivam do dom da ciência?

  • Bem-aventurança: “Bem-aventurados os que choram” (Mt 5,5) — a alma chora ao reconhecer seus abusos passados das criaturas, mas recebe o prêmio da consolação espiritual ao ordená-las devidamente a Deus.
  • Frutos do Espírito Santo: a fé (fides) — como certeza especial sobre as verdades sobrenaturais — e a alegria espiritual (gaudium).

Quais são os vícios opostos ao dom da ciência?

  • Ignorância espiritual culpável: quando o homem se deixa absorver voluntariamente pelas coisas vãs ou pelas ciências humanas sem moderação.
  • Soberba intelectual: confiar excessivamente no próprio engenho, impedindo as iluminações do Espírito Santo.

Como cultivar o dom da ciência?

  • Meditar na vaidade do que é terreno: refletir sobre a fragilidade e a curta duração das coisas criadas.
  • Relacionar tudo com Deus: acostumar-se a ver a marca do Criador na beleza das criaturas.
  • Opor-se ao espírito do mundo: rejeitar os juízos distorcidos da sociedade, que põe sua felicidade no temporal.
  • Ver a Providência: esforçar-se por descobrir a mão de Deus em todos os acontecimentos, prósperos ou adversos.
  • Pureza de coração: guardar os sentidos e cumprir exatamente os deveres para atrair as iluminações do alto.

6. Dom do Entendimento

Qual é a natureza do dom do entendimento?

  • Define-se como um hábito sobrenatural, infundido por Deus com a graça santificante, pelo qual a inteligência do homem, sob a ação iluminadora do Espírito Santo, torna-se apta para uma penetrante intuição das coisas reveladas e naturais em ordem ao fim último.
  • À diferença da virtude da fé — que opera ao modo humano, lento e discursivo —, como os demais dons do Espírito Santo, age ao modo divino: intuitivo e rápido.
  • Sua função específica é a simples apreensão ou penetração da verdade, sem emitir juízos. Isso o distingue dos dons da sabedoria, da ciência e do conselho, que implicam, sim, um juízo sobre o que foi apreendido.

Por que o dom do entendimento é importante?

  • O conhecimento humano é por natureza discursivo e incapaz de captar a simplicidade absoluta de Deus.
  • Sem este dom, a fé permanece sempre em um estado imperfeito e “sufocado” pela atmosfera humana.
  • É necessário para alcançar a fé pura e a contemplação mística, porque permite que o entendimento se una a Deus.

Quais são os efeitos do dom do entendimento na alma?

  • Ver a substância sob os acidentes: perceber a realidade divina oculta, por exemplo, sob os véus eucarísticos.
  • Descobrir o sentido das Escrituras: entender profundamente a Palavra de Deus.
  • Captar o significado das figuras: ver realidades espirituais por meio de símbolos e cerimônias litúrgicas.
  • Intuição de causas e efeitos: ver Deus e sua Providência em todos os acontecimentos do mundo.
  • Ver a Deus “de certo modo”: purifica tanto o “olho do espírito” que permite uma vivência de Deus tão clara que se aproxima da visão intuitiva já nesta vida. 

Que bem-aventuranças e frutos derivam do dom do entendimento?

  • Bem-aventurança: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5,8). O dom depura a mente de erros e fantasmas corporais para permitir essa visão espiritual.
  • Frutos do Espírito Santo: a fé (fides) — como certeza absoluta naquilo em que se crê — e a alegria espiritual (gaudium).

Quais são os vícios opostos ao dom do entendimento?

  • Cegueira espiritual: privação total da visão dos bens divinos, causada frequentemente pela luxúria.
  • Embotamento do sentido espiritual: enfraquecimento da vista interior para as coisas do espírito, provocado pela gula e pela imersão excessiva no sensível.

Como cultivar o dom do entendimento?

  • Avivar a fé: praticar intensamente os atos de fé com a graça ordinária.
  • Pureza de alma e corpo: manter uma pureza de coração absoluta para atrair a luz divina.
  • Recolhimento interior: buscar o silêncio e a solidão para escutar o “Mestre interior”.
  • Fidelidade à graça: não negar ao Espírito Santo nenhum sacrifício e seguir suas moções com docilidade.
  • Invocação frequente: pedir o dom por meio do Veni Creator ou do Veni, Sancte Spiritus. 

7. Dom da Sabedoria

Qual é a natureza do dom da sabedoria?

  • É o mais perfeito e excelente de todos os dons do Espírito Santo, o encarregado de levar a caridade à sua última perfeição.
  • Define-se como um hábito sobrenatural, inseparável da caridade, pelo qual a alma julga retamente sobre Deus e as coisas divinas por suas últimas e altíssimas causas.
  • Sob o instinto do Espírito Santo, permite saborear Deus por uma espécie de conaturalidade ou simpatia divina (sabedoria vem de saber e sabor).
  • À diferença dos dons da ciência ou do entendimento, sua função é emitir um juízo saboroso sobre o próprio Deus.

Por que o dom da sabedoria é importante?

  • É absolutamente indispensável para que a caridade alcance seu pleno desenvolvimento.
  • Sem ele, a caridade age ao “modo humano”, mantida “sufocada” pela regulação da razão e pelas mesquinharias humanas.
  • Proporciona à caridade a atmosfera divina necessária para voar às alturas da mística e da santidade heroica.

Quais são os efeitos do dom da sabedoria na alma?

  • Sentido de eternidade: os santos julgam tudo — de um insulto a um grande acontecimento — do ponto de vista de Deus e de sua Providência, perdendo o instinto do puramente humano.
  • Vivência dos mistérios: permite penetrar nas profundezas da divindade com um olhar “à maneira de Deus”, porque participa de seu próprio modo de conhecer.
  • Sociedade com a Trindade: a alma vive em união íntima e permanente com as três Pessoas divinas, mesmo em meio às ocupações diárias.
  • Heroísmo na caridade: produz uma morte total ao egoísmo, amando a Deus por sua bondade infinita e ao próximo com abnegação sobre-humana.
  • Perfeição das virtudes: dá a todas as demais virtudes o último traço de beleza e acabamento divino.

Que bem-aventuranças e frutos derivam do dom da sabedoria?

  • Bem-aventurança: “Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus” (Mt 5,9). A sabedoria ordena todas as coisas e produz a paz
  • Frutos do Espírito Santo: principalmente caridade, alegria espiritual e paz.

Quais são os vícios opostos ao dom da sabedoria?

  • Estultícia ou insensatez espiritual: embotamento do sentido espiritual que impede de julgar as coisas segundo Deus. Nasce frequentemente da luxúria.
  • Fatuidade: incapacidade total de discernir o divino, em casos mais graves.
  • Ira: ofusca a mente e impede o juízo sereno a partir de Deus.

Como cultivar o dom da sabedoria?

  • Ver tudo a partir de Deus: descobrir a mão de Deus em cada acontecimento, indo além das causas segundas.
  • Combater a sabedoria do mundo: rejeitar a busca de honras e louvores, abraçar a “loucura” da cruz.
  • Desprendimento do que é terreno: não se apegar excessivamente às coisas do mundo — mesmo às boas, como a ciência — para não estragar o paladar espiritual.
  • Não se apegar às consolações: buscar o Deus das consolações e não as consolações de Deus, estando dispostos a servi-lo tanto na aridez como na alegria.

Tabela-resumo: os 7 dons do Espírito Santo

Dom Virtude aperfeiçoada Bem-aventurança Frutos principais
Temor de Deus Esperança, temperança, religião, humildade Pobres em espírito Modéstia, continência, castidade
Fortaleza Fortaleza Fome e sede de justiça Paciência, longanimidade
Piedade Justiça, religião, piedade Mansos, misericordiosos Bondade, benignidade, mansidão
Conselho Prudência Misericordiosos Bondade, benignidade
Ciência Fé Os que choram Fidelidade, alegria espiritual
Entendimento Fé Puros de coração Fidelidade, alegria espiritual
Sabedoria Caridade Os que promovem a paz Caridade, alegria, paz

Oração para pedir os Dons do Espírito Santo

Peçamos todos os dias os dons do Espírito Santo. Podemos fazê-lo rezando esta ou outra oração semelhante: 

Vinde, Espírito Criador, visitai as almas dos fiéis e inundai com a vossa graça os corações que Vós criastes.

Espírito de Sabedoria, que conheceis os meus pensamentos mais secretos e os meus desejos mais íntimos, bons e maus; iluminai-me e fazei-me conhecer o bem para praticá-lo, e o mal para detestá-lo sinceramente.

Intensificai a minha vida interior, pelo dom do Entendimento.

Aconselhai-me em minhas dúvidas e hesitações, pelo dom do Conselho.

Dai-me a energia necessária na luta contra as minhas paixões, pelo dom da Fortaleza.

Envolvei todo o meu proceder em um ambiente sobrenatural, pelo dom da Ciência.

Fazei que eu me sinta vosso filho em todas as vicissitudes da vida e recorra a Vós, qual criança com afeto filial, pelo dom da Piedade.

Concedei-me que eu Vos venere e Vos ame como mereceis; que ande com cautela no caminho do bem, guiado pelo dom do santo Temor de Deus; que tema o pecado mais do que qualquer outro mal; que prefira perder tudo a perder a vossa graça; e que chegue um dia àquela feliz morada, onde Vós sereis nossa Luz e Consolo e, qual terna mãe, enxugais “toda lágrima de nossos olhos”, onde não há pranto nem dor alguma, mas eterna felicidade. Assim seja.

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O que são os dons do Espírito Santo?

Os dons do Espírito Santo são sete hábitos sobrenaturais infundidos por Deus nas potências da alma junto com a graça santificante, para que a alma possa receber e secundar com facilidade as moções do Espírito Santo ao modo divino. O Catecismo da Igreja Católica os descreve como “disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do Espírito Santo” (CIC 1830).

Quais são os 7 dons do Espírito Santo?

Os sete dons do Espírito Santo são: sabedoria, entendimento, ciência, conselho, fortaleza, piedade e temor de Deus. Provêm do texto profético de Isaías 11,1-3 e foram transmitidos unanimemente por toda a tradição teológica e magisterial da Igreja.

Onde os dons do Espírito Santo aparecem na Bíblia?

Os dons do Espírito Santo aparecem em Isaías 11,1-3, onde o profeta descreve os dons que repousarão sobre o Messias. São Paulo fala do Espírito Santo e de seus efeitos em Romanos 8 e 1 Coríntios 12. O Evangelho de João recolhe as promessas de Jesus sobre o Paráclito (Jo 14-16), e os Atos dos Apóstolos mostram os efeitos de Pentecostes sobre os apóstolos.

Qual é a diferença entre os dons do Espírito Santo e as virtudes?

As virtudes infusas movem a alma ao modo humano, porque o homem age como causa principal sob a moção de Deus. Os dons movem a alma ao modo divino, já que o Espírito Santo age como causa principal única, enquanto a alma coopera como instrumento consciente e livre. Por isso os atos procedentes dos dons são incomparavelmente mais perfeitos do que os das virtudes.

Quando se recebem os dons do Espírito Santo?

Os dons do Espírito Santo são recebidos no Batismo, junto com a graça santificante e as virtudes infusas. São fortalecidos e desenvolvidos na Crisma. Permanecem na alma enquanto esta está em graça de Deus, por isso se perdem com o pecado mortal e se recuperam com a conversão e a Confissão.

Qual é o mais importante dos dons do Espírito Santo?

De todos os dons do Espírito Santo, o da sabedoria é o mais perfeito e excelente, por ser o encarregado de levar a caridade — o maior de todos os bens sobrenaturais — à sua última perfeição. O temor, por sua vez, é a base e o fundamento de todos os demais, pois a reverência diante da majestade de Deus é a condição para receber todos os outros dons do Espírito Santo.

Como encontrar horários de Missa de Pentecostes em igrejas perto de mim?

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