O que é a Missa e que milagres acontecem nela?

por Mariana Manzanares | Vida espiritual

Você participa da celebração eucarística aos domingos? Sabe o que é a Missa? Já ouviu falar dos milagres invisíveis que acontecem nela? Neste artigo vamos revelar a você não só o que é a Missa, mas também os milagres impressionantes que, embora você não possa ver, realmente acontecem no altar.

Para entender o que é a Missa, recorramos à etimologia dessa palavra. Missa vem do latim missa, que significa ‘despedida’ ou ‘envio’. Como ensinava São Boaventura, durante a Eucaristia, Deus Pai envia o seu Filho ao altar e, em troca, a Igreja envia Cristo ao Pai para que interceda por nós. Aqui acontece o primeiro milagre. Não vemos Deus Pai enviando o seu Filho. No entanto, pela fé, cremos que isso acontece.

Para os santos, a Missa era um tesouro de graças. Um presente tão grande só pode ser descrito com palavras ardentes. São Leonardo de Porto Maurício, no seu precioso livrinho O Tesouro Escondido da Santa Missa a define assim:

É o sol do mundo cristão, a alma da fé, o centro da Religião Católica, para o qual convergem todos os ritos, todas as cerimônias e todos os Sacramentos; numa palavra, é o compêndio de tudo o que há de bom, de tudo o que há de belo na Igreja de Deus.

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O sacrifício da Missa é igual ao sacrifício da Cruz

O que é a Missa? Segundo o Catecismo da Igreja Católica, é o

memorial da Paixão e da Ressurreição do Senhor que atualiza o único sacrifício de Cristo Salvador (CIC 1330).

O sacrifício da Missa é exatamente o mesmo que foi oferecido na cruz. Nosso Senhor se imola, renovando misticamente a sua morte. Mas Ele não volta a morrer, pois ressuscitou. O mesmo Corpo, o mesmo Sangue, o mesmo Jesus que se ofereceu no Calvário é o que se oferece agora em cada Eucaristia.

Mas existe uma grande diferença. Enquanto o sacrifício do Calvário foi cruento e oferecido uma só vez pelos pecados do mundo, o sacrifício do altar é incruento e pode ser renovado infinitas vezes para a salvação de toda a humanidade. O Calvário foi o meio da nossa redenção. Já na Santa Missa aplicam-se os frutos da Paixão. Por isso, a Igreja ensina que:

Sempre que no altar se celebra o sacrifício da cruz, no qual “Cristo, nossa Páscoa, foi imolado” (1Cor 5,7), realiza-se a obra da nossa redenção (LG 3).

Portanto, podemos afirmar que, quando participamos da Santa Missa, subimos ao Calvário para contemplar a morte do Senhor.

O próprio Cristo preside a Santa Missa

Nosso Senhor preside invisivelmente toda celebração eucarística. Ele instituiu o sacrifício eucarístico e se ofereceu como vítima imolada pela nossa salvação. Jesus lhe comunica toda a eficácia em virtude dos seus méritos infinitos. São Leonardo nos ensina:

Em todo tempo, todos os dias e a todas as horas, este Sacerdote Santo oferece ao seu Eterno Pai o seu Corpo, o seu Sangue, a sua Alma e a si mesmo, tudo por nós, e tantas vezes quantas forem as Missas celebradas em todo o universo.

Em cada Missa, Jesus Cristo converte o pão e o vinho no seu Corpo e no seu Sangue preciosíssimo. Muitos santos tiveram a enorme graça de ver isso com os próprios olhos.

Lembre-se: cada vez que o padre consagra as espécies, nesse instante o próprio Jesus Cristo desce e converte o pão e o vinho no seu Corpo e no seu Sangue. Imagine-o ali, no altar, oferecendo-se por você.

A Santa Missa é o maior de todos os milagres

O que é a Santa Missa? Podemos afirmar que é o grande milagre:

Este Divino Sacrifício é o milagre dos milagres, a maravilha das maravilhas. A sua principal excelência consiste em ser incompreensível à nossa fraca inteligência. (São Leonardo)

Mas em que consiste esse milagre tão grande? Ele se manifesta em realidades impressionantes, como o poder do padre, o milagre da transubstanciação e a presença real de Jesus no Santíssimo Sacramento.

O poder do padre

A voz do padre tem uma força prodigiosa. É capaz de obrigar o Filho de Deus a descer do Céu à terra para se fazer presente na Eucaristia todas as vezes que ele celebra a Santa Missa.

Não importa quão santo ou pecador seja o padre que celebra a Eucaristia. Jesus obedece ao seu chamado para consagrar e imolar-se ao mesmo tempo.

O milagre da Transubstanciação

A Transubstanciação acontece quando o padre pronuncia as palavras de Nosso Senhor na Consagração. O pão e o vinho deixam de ser pão e vinho. Pelas palavras de Cristo e pela invocação do Espírito Santo, convertem-se no Corpo e no Sangue de Cristo. Há uma mudança de substância, embora as aparências externas se conservem.

Pela conversão do pão e do vinho no seu Corpo e no seu Sangue, Cristo se faz presente na Eucaristia. Os Padres da Igreja afirmaram com firmeza a fé da Igreja na eficácia da Palavra de Cristo e da ação do Espírito Santo para operar essa conversão. Assim, São João Crisóstomo declara que:

Não é o homem que faz com que as coisas oferecidas se tornem Corpo e Sangue de Cristo, mas o próprio Cristo, que foi crucificado por nós. O sacerdote, figura de Cristo, pronuncia essas palavras, mas a sua eficácia e a sua graça vêm de Deus. Isto é o meu Corpo, diz ele. Esta palavra transforma as coisas oferecidas.

E Santo Ambrósio:

A palavra de Cristo, que conseguiu fazer do nada o que não existia, não poderia mudar as coisas existentes naquilo que ainda não eram?

Os nossos olhos veem pão e vinho, mas a fé nos ensina que ali estão o Corpo e o Sangue de Jesus.

A Presença Real

No Santíssimo Sacramento, estão “contidos verdadeira, real e substancialmente o Corpo e o Sangue, juntamente com a alma e a divindade de nosso Senhor Jesus Cristo e, por conseguinte, o Cristo todo” (Concílio de Trento: DS 1651).

Essa presença eucarística de Cristo começa no momento da Consagração e dura todo o tempo em que subsistirem as espécies. Um dado impressionante que o Catecismo da Igreja Católica nos ensina é que Cristo está presente todo em cada uma das espécies e todo em cada uma das suas partes, de maneira que a fração do pão não o divide (CIC 1377).

Dessa maneira, Jesus quis nos deixar um memorial do amor com que nos tinha amado “até o fim” (Jo 13,1), até o dom da sua vida na Cruz. Por meio da sua presença eucarística, Ele permanece misteriosamente no meio de nós.

É verdade que você não pode ver Jesus como o viram a sua Mãe Santíssima e os Apóstolos. Mas também é verdade que Ele está verdadeiramente presente na Eucaristia. Quando tiver dúvidas, siga o conselho de São Cirilo de Alexandria:

Não perguntes se isto é verdade, mas acolhe antes com fé as palavras do Salvador, porque Ele, que é a Verdade, não mente.

Antecipação do Céu

A Santa Missa é uma antecipação da vida eterna, daquele momento em que a alegria da contemplação de Deus será plena. Na Missa contemplamos Jesus velado, com a esperança de poder olhá-lo nos olhos, tal como Ele é. A Igreja também nos ensina que, pela celebração eucarística, já nos unimos à liturgia do céu, que continuamente canta a glória de Deus.

A Santa Missa é um banquete divino, no qual se celebram as núpcias do Cordeiro. Cristo desposa cada alma que o recebe na Eucaristia:

Ó sagrado banquete, em que de Cristo nos alimentamos; celebra-se a memória da sua paixão; a alma se enche de graça, e nos é dado o penhor da glória futura!

Na Oração Eucarística, suplicamos ao Senhor que nos faça entrar no seu Reino:

onde esperamos também nós saciar-nos eternamente da vossa glória; ali enxugareis toda lágrima dos nossos olhos, porque, contemplando-vos como sois, ó nosso Deus, seremos para sempre semelhantes a vós e cantaremos sem cessar os vossos louvores, por Cristo, Senhor nosso.

Anjos e santos se fazem presentes na Santa Missa

Na Missa, o Céu se faz presente na terra. Da Santíssima Trindade aos anjos e aos santos, todos participam da celebração.

A Igreja oferece o Sacrifício Eucarístico em comunhão com a Santíssima Virgem Maria e fazendo memória dela, assim como de todos os santos e santas. Na Eucaristia, a Igreja, com Maria, está como que ao pé da cruz, unida à oferta e à intercessão de Cristo.

Os nossos anjos da guarda têm uma participação ativa na Santa Missa. Eles levam ao altar do Céu as nossas ofertas e os nossos pedidos no Ofertório. Devemos aproveitar esse momento para apresentar ao Senhor todas as nossas penas, dores, esperanças e alegrias.

Além disso, durante a Consagração, anjos, santos, a Virgem Puríssima e almas bem-aventuradas se unem a nós, adorando a Santíssima Trindade. Cristo se faz presente no Santíssimo Sacramento por obra do Espírito Santo e para ser oferecido ao Pai Eterno.

Imagine a Santíssima Virgem ao pé do altar e aqueles santos amigos da sua devoção pessoal. Em cada Missa eles estão verdadeiramente ali. Aproveite para suplicar-lhes as graças de que você precisa. Lembre-se também de que, se você tem amigos ou familiares que partiram e estão no Céu, pode reencontrar-se com eles em cada Eucaristia.

Muitas almas do purgatório são libertadas em cada Missa

O Sacrifício Eucarístico é oferecido não só por nós, mas também pelos fiéis defuntos que “morreram em Cristo e não estão ainda plenamente purificados” (Concílio de Trento: DS 1743). Por meio da Missa, a Igreja intercede para que essas almas possam chegar logo ao Céu.

Essa é uma fé que acompanha a Igreja desde os seus inícios. Santa Mônica, pouco antes de morrer, pediu ao seu filho Santo Agostinho com estas palavras:

Enterrai (...) este corpo em qualquer lugar; não vos preocupeis mais com ele; só vos peço que, onde quer que estejais, vos lembreis de mim diante do altar do Senhor.

São Cirilo de Jerusalém, no século IV, já explicava o poder da Eucaristia em favor dos falecidos:

Cremos que será de grande proveito para as almas em favor das quais é oferecida a súplica, enquanto está presente a santa e adorável vítima; apresentamos Cristo imolado pelos nossos pecados, tornando propício, para eles e para nós, o Deus amigo dos homens.

Em cada Missa, temos a oportunidade de oferecer o Corpo e o Sangue de Cristo pelos nossos entes queridos que partiram, sabendo que esse é o meio mais eficaz para ajudá-los no seu caminho para o Céu. Cada vez que vivemos a Santa Missa com devoção e comungamos com fervor, podemos libertar uma alma do purgatório.

É um sacrifício de ação de graças

A Missa é um sacrifício de louvor e de ação de graças ao Pai. A própria palavra “Eucaristia” significa, antes de tudo, ação de graças. É por isso que, na Eucaristia, a Igreja agradece a Deus por todos os seus benefícios: pela criação, por todos os seus benefícios, pela redenção e pela santificação.

Por meio deste Divino Sacrifício, toda a criação amada por Deus é apresentada ao Pai por meio da morte e da ressurreição de Cristo. Esse sacrifício de louvor só é possível graças a Ele, que une os fiéis ao seu próprio louvor e à sua intercessão, para que a nossa oferta seja aceita n’Ele.

Aplaca a ira de Deus

A Santa Missa é um sacrifício tão poderoso que atua como a razão da grande misericórdia de Deus para com o mundo. Ao oferecer ao Pai a Hóstia Imaculada, o padre apresenta a própria Inocência, e o Senhor, comovido, detém os castigos que os nossos pecados mereceriam. São Leonardo insiste:

A Missa é o sol que enche de alegria a Igreja, o arco-íris que acalma as tempestades da justiça divina e a coluna poderosa que sustenta o mundo para que não seja destruído pelas suas iniquidades. Sem esse dom, a humanidade não poderia subsistir.

Ao contemplar as maravilhas que acontecem na Santa Missa, deveríamos exclamar, cheios de alegria, com o salmista:

Senhor, como são admiráveis as vossas obras!

Demos graças a Deus por esse dom tão grande, por essa prova de amor, pela sua infinita misericórdia. Demos graças a Jesus por nos salvar mediante a sua terrível Paixão, por ter ficado conosco na Eucaristia, por renovar o seu sacrifício em cada Missa.

Rezemos esta oração de São João Crisóstomo antes do início de cada Missa de que participarmos, pedindo a graça de contemplar o rosto do Senhor quando Ele quiser nos chamar:

Da vossa ceia sacramental, ó Filho de Deus, fazei-me hoje participante: não revelarei o mistério aos vossos inimigos, nem vos darei o beijo de Judas; mas, como o ladrão, eu vos reconheço e vos suplico: Lembrai-vos de mim, Senhor, no vosso reino!

O que é a Missa?

A Santa Missa é a renovação do sacrifício de Cristo na Cruz, de maneira incruenta.

Quem criou a Missa católica?

A Santa Missa foi instituída por Jesus Cristo e transmitida pelos apóstolos. Na Última Ceia, Jesus instituiu a Eucaristia ao tomar o pão e o vinho e dizer: “Isto é o meu Corpo… Este é o meu Sangue… Fazei isto em memória de mim” (cf. Lc 22,19-20). Desde então, os apóstolos e a Igreja primitiva começaram a celebrar esse memorial, seguindo o mandato do Senhor.

Quem celebra a Missa católica?

A Missa católica é celebrada pelo padre, que age na pessoa de Cristo e preside a comunidade reunida.

Qual é a importância da Santa Missa?

A importância da Missa é imensa por várias razões. É o mesmo sacrifício da Cruz. Nela o pão e o vinho se convertem no Corpo e no Sangue de Cristo, que se faz presente de forma verdadeira, real e substancial. Quando participamos dela, vivemos uma antecipação do Céu. E é fonte de graça para a nossa salvação e o nosso crescimento espiritual.