Liturgia Eucarística: O Coração da Santa Missa

por Mariana Manzanares | Vida espiritual

De todas as partes da Missa, a Liturgia Eucarística é, sem dúvida, a mais importante. Nela acontece o milagre mais impressionante de todos. Jesus se faz presente nas espécies eucarísticas com todo o seu ser: Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Embora com os nossos sentidos vejamos pão e vinho, Nosso Senhor está realmente ali, vivo e glorioso.  

Jesus se faz presente no Santíssimo Sacramento para oferecer-se novamente ao Pai como vítima. É imolado de modo incruento por nós, pela nossa salvação. Intercede junto a Deus para nos alcançar o seu perdão. É exatamente o mesmo sacrifício do Calvário. 

Como ensinava São João Crisóstomo:

“O mesmo Cristo que se ofereceu uma vez em sacrifício é quem agora se imola por nós”.

Santo Inácio de Antioquia afirmava:

“A Eucaristia é a carne de nosso Salvador Jesus Cristo, carne que padeceu pelos nossos pecados”.

A Igreja, seguindo as palavras do próprio Senhor na Última Ceia, celebra este mistério com profunda reverência e amor:

“Fazei isto em memória de mim” (Lc 22,19)

A seguir, veremos cada uma das partes que compõem a Liturgia Eucarística, acompanhadas de citações do Missal Romano e de ensinamentos dos santos.

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A Liturgia Eucarística é composta por:

1. Ofertório e Ofertas

Ofertório
  • Apresentação das oferendas:

A Liturgia Eucarística começa com a apresentação das oferendas. 

Quando o Senhor instituiu o sacramento da Eucaristia, serviu-se do pão e do vinho. Como a Santa Missa reitera as ações da Última Ceia, é necessário que o pão e o vinho já estejam preparados para começar o sacrifício.

Enquanto o padre dispõe tudo para o sacrifício, os fiéis depositam as suas ofertas para o sustento pessoal do celebrante e para contribuir economicamente com as obras da Igreja. São Cipriano recomendava:

Ninguém participe da Eucaristia sem antes ter oferecido algo.

No altar, o celebrante coloca a patena e o cibório com as hóstias que vai consagrar. Eleva a patena, oferecendo-a a Deus Pai:

Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo pão que recebemos de vossa bondade, fruto da terra e do trabalho humano, que agora vos apresentamos, e para nós se vai tornar pão da vida.

Bendito seja Deus para sempre!

  •  A gota de água:

Segundo um ritual judaico, no cálice pascal devia-se pôr vinho com um pouco de água. O próprio Cristo fez isso na Última Ceia. Assim, esse mesmo costume passou à Igreja primitiva.

Quando o padre derrama a gota de água no vinho, reza em voz baixa:

Pelo mistério desta água e deste vinho possamos participar da divindade do vosso Filho, que se dignou assumir a nossa humanidade.

A água simboliza as duas naturezas de Cristo: humana e divina. Também recorda a água que brotou do lado do Senhor na cruz. Além disso, representa o povo fiel, sedento, que mergulha em Cristo pela fé e pela caridade. A união entre a alma e Jesus é tão forte que nada a pode destruir, assim como seria impossível separar a água do vinho.

Em seguida, eleva o cálice e o oferece a Deus Pai:

Bendito sejais, Senhor, Deus do universo, pelo vinho que recebemos de vossa bondade, fruto da videira e do trabalho humano, que agora vos apresentamos, e para nós se vai tornar vinho da salvação.
Bendito seja Deus para sempre!

Depois, inclina-se profundamente, com humildade e reconhecendo os seus pecados, e pede em silêncio:

De coração contrito e humilde, sejamos, Senhor, acolhidos por vós; e seja o nosso sacrifício de tal modo oferecido que vos agrade, Senhor, nosso Deus.

  • Incensação das oferendas:

Em seguida, nas Missas solenes, o padre incensa as oferendas para fazê-las subir, como a fumaça, até o trono do Altíssimo. Também incensa o altar e, por fim, um acólito incensa o padre e depois o povo de Deus, que deve ficar de pé.

  • Lavabo:

O padre lava as mãos com um pouco de água. Justamente, as coisas mais preciosas devem ser tocadas com as mãos limpas. Esse rito é um lembrete de que, para oferecer o sacrifício, é necessário estarmos purificados de todas as manchas da vida cotidiana. Enquanto o realiza, reza:

Lavai-me, Senhor, de minhas faltas e purificai-me do meu pecado. 

  • “Orai, irmãos e irmãs”:

Concluído o lavabo, o padre convida os fiéis a rezar por ele. Faz essa súplica no momento em que, terminada a preparação das oferendas, à frente e em nome da comunidade, está para apresentar-se pessoalmente diante de Deus. Pede aos presentes que rezem para que ele seja digno de celebrar o sacrifício:

℣. Orai, irmãos e irmãs, para que o meu e o vosso sacrifício seja aceito por Deus Pai todo-poderoso.

℟ Receba o Senhor por tuas mãos este sacrifício, para glória do seu nome, para nosso bem e de toda a sua santa Igreja.

  • Oração sobre as oferendas:

O ofertório se encerra com uma oração sobre as oferendas, que varia segundo o tempo litúrgico. A sua finalidade é entregar os dons que foram separados para se tornarem o Corpo e o Sangue de Cristo.

Este é um exemplo do Tempo Pascal:

Santificai, Senhor, em vossa bondade, a nossa oblação e, por ela, fazei de nós uma eterna oferenda para vós. Por Cristo, nosso Senhor. Amém

2. Oração Eucarística

Oração Eucarística

É a oração central da Santa Missa e o momento mais importante da Liturgia Eucarística. Por ela, Nosso Senhor desce, faz-se presente na Eucaristia e se oferece como vítima ao Pai, renovando o sacrifício da Cruz. 

O padre costuma rezar com os braços estendidos, em postura orante e de pé. Com essa postura, recorda a imagem de Cristo crucificado, cuja Paixão é revivida sobre o altar. 

  • Prefácio:

O celebrante convida os fiéis a uma ação de graças solene. Ajuda a dispor a alma para que entre na oração, procurando afastar todo pensamento mundano para centrar a atenção unicamente no Senhor, elevando a Ele o coração.

℣. O Senhor esteja convosco.
℟ Ele está no meio de nós.

℣. Corações ao alto.

℟. O nosso coração está em Deus.

℣. Demos graças ao Senhor, nosso Deus.

℟. É nosso dever e nossa salvação. 

O padre retoma a expressão da assembleia para fazê-la sua:

Na verdade, é digno e justo, é nosso dever e salvação dar-vos graças, sempre e em todo lugar, Senhor, Pai santo, Deus eterno e todo-poderoso, por Cristo, Senhor nosso.

Depois se especifica o motivo concreto da ação de graças, geralmente em relação direta com o tempo litúrgico ou a festa que se celebra. Os prefácios contêm uma síntese preciosa dos mistérios da fé, que poderia ser meditada com calma. Por exemplo, para o tempo quaresmal, reza-se: 

Pelo jejum quaresmal corrigis nossos vícios, elevais nosso espírito, e nos dais força e recompensa, por Cristo, Senhor nosso.

O louvor do Prefácio desemboca, por fim, no hino de louvor dos coros celestes:

Por ele, os Anjos louvam vossa majestade,
as Dominações adoram, as Potestades tremem,
as Virtudes celestiais e os Serafins celebram com exultação.
Concedei também a nós, associar-nos a seus louvores,
cantando a uma só voz:

  • Canto do Santo:
A Igreja Peregrina se une à Triunfante cantando a uma só voz:

Santo, Santo, Santo, Senhor,
Deus do universo!
O céu e a terra proclamam a vossa glória.
Hosana nas alturas!
Bendito o que vem em nome do Senhor!
Hosana nas alturas!

  • Orações antes da consagração:

A primeira oração liga a ação de graças do prefácio à ação sacrifical, o oferecimento de um dom sagrado. 

O padre, de braços abertos, diz:

Pai de misericórdia,
a quem sobem nossos louvores, suplicantes, vos rogamos e pedimos
por Jesus Cristo, vosso Filho e Senhor nosso,
que aceiteis

Traça o sinal da cruz, ao mesmo tempo, sobre o pão e o cálice, dizendo:
e abençoeis + estes dons, estas oferendas,
este sacrifício puro e santo, que oferecemos,

De braços abertos, prossegue:
antes de tudo, pela vossa Igreja santa e católica:
concedei-lhe paz e proteção,
unindo-a num só corpo
e governando-a por toda a terra,
em comunhão com vosso servo o Papa N.,
o nosso Bispo N.,
e todos os que guardam
a fé católica que receberam dos Apóstolos.

    Em seguida, o padre intercede por aqueles que se confiaram às suas orações e por todos os fiéis presentes:

    Lembrai-vos, ó Pai,
    dos vossos filhos e filhas N. e N.

    Une as mãos e reza por alguns momentos por aqueles que quer recordar.

    Depois, de braços abertos, prossegue:
    e de todos os que circundam este altar,
    dos quais conheceis a fé e a dedicação ao vosso serviço.
    Por eles nós vos oferecemos e também eles vos oferecem
    este sacrifício de louvor por si e por todos os seus,
    e elevam a vós as suas preces,
    Deus eterno, vivo e verdadeiro,
    para alcançar o perdão de suas faltas,
    a segurança em suas vidas e a salvação que esperam.

      O sacrifício pelos vivos é oferecido em comunhão com todos os santos:

      Em comunhão com toda a Igreja,
      celebramos em primeiro lugar a memória
      da Mãe de nosso Deus e Senhor Jesus Cristo,
      a gloriosa sempre Virgem Maria,
      a de seu esposo São José,
      e também a dos Santos Apóstolos e Mártires:
      Pedro e Paulo, André,
      [Tiago e João,
      Tomé, Tiago e Filipe,
      Bartolomeu e Mateus,
      Simão e Tadeu,
      Lino, Cleto, Clemente, Sisto,
      Cornélio e Cipriano,
      Lourenço e Crisógono,
      João e Paulo,
      Cosme e Damião,]
      e a de todos os vossos Santos.
      Por seus méritos e preces
      concedei-nos sem cessar a vossa proteção.

      Une as mãos.
      (
      Por Cristo, nosso Senhor. Amém.)

        Conclui-se com um pedido universal: a salvação eterna dos fiéis que participam do sacrifício:

        De braços abertos, prossegue:
        Aceitai, ó Pai, com bondade,
        a oblação dos vossos servos
        e de toda a vossa família;
        dai-nos sempre a vossa paz,
        livrai-nos da condenação eterna
        e acolhei-nos entre os vossos eleitos.
        Une as mãos.
        (
        Por Cristo, nosso Senhor. Amém.)

        • Epiclese:

        O padre suplica ao Pai que abençoe e santifique, pelo Espírito Santo, a oferenda, para que se torne, para nós, o Corpo e o Sangue de Cristo.

        Neste momento, o padre estende as mãos sobre as oferendas. Esse gesto simboliza que o padre descarrega sobre a vítima os seus pecados e os dos fiéis. É o grande prelúdio do sacrifício. O povo se ajoelha, em sinal de adoração, porque chegou o momento mais santo de todos:

        Dignai-vos, ó Pai, aceitar, abençoar e santificar estas oferendas;
        recebei-as como sacrifício espiritual perfeito,
        a fim de que se tornem para nós o Corpo e o Sangue
        de vosso amado Filho,
        nosso Senhor Jesus Cristo.

        • Consagração:

        Em seguida, narra-se a instituição da Eucaristia e o padre, na pessoa de Cristo e emprestando-lhe a sua voz, consagra o pão e o vinho. Repete exatamente as ações e os gestos de nosso Senhor. Nesse momento acontece o milagre mais impressionante de todos: a transubstanciação.

        Nas fórmulas que se seguem, as palavras do Senhor sejam proferidas de modo claro e audível, como requer a sua natureza.
        Na véspera de sua paixão,

        Toma o pão e, mantendo-o um pouco elevado acima do altar, prossegue:

        ele tomou o pão em suas santas e veneráveis mãos,
        Eleva os olhos,
        elevou os olhos ao céu,
        a vós, ó Pai todo-poderoso,
        pronunciou a bênção de ação de graças,
        partiu o pão
        e o deu a seus discípulos, dizendo:
        Inclina-se levemente.
        TOMAI, TODOS, E COMEI:
        ISTO É O MEU CORPO,
        QUE SERÁ ENTREGUE POR VÓS.

        Mostra ao povo a hóstia consagrada, coloca-a na patena e genuflete em adoração.

        90. Então prossegue:
        Do mesmo modo, ao fim da Ceia,

        Toma o cálice nas mãos e, mantendo-o um pouco elevado acima do altar, prossegue:
        ele tomou este precioso cálice
        em suas santas e veneráveis mãos,
        pronunciou novamente a bênção de ação de graças
        e o deu a seus discípulos, dizendo:

        Inclina-se levemente.

        TOMAI, TODOS, E BEBEI:
        ESTE É O CÁLICE DO MEU SANGUE,
        O SANGUE DA NOVA E ETERNA ALIANÇA,
        QUE SERÁ DERRAMADO
        POR VÓS E POR TODOS
        PARA REMISSÃO DOS PECADOS.

        FAZEI ISTO EM MEMÓRIA DE MIM.

        Mostra o cálice ao povo, coloca-o sobre o corporal e genuflete em adoração.

        O pão e o vinho se transformam verdadeiramente no Corpo e no Sangue de Cristo, conservando as aparências exteriores. Jesus se faz presente na Eucaristia verdadeira, real e substancialmente, com o seu Corpo, Sangue, Alma e Divindade. 

        O padre eleva a hóstia e o cálice para que os fiéis os honrem. A nossa atitude neste momento deve ser de uma estreita unidade na caridade e nos sentimentos que Cristo tinha ao morrer na cruz, que são os mesmos que neste momento experimenta ao imolar-se sobre o altar.

        Em seguida, o celebrante diz uma das seguintes fórmulas:
        Mistério da fé!
        Ou:
        Mistério da fé e do amor!
        E o povo prossegue, aclamando:
        Anunciamos, Senhor, a vossa morte
        e proclamamos a vossa ressurreição.
        Vinde, Senhor Jesus!

        • Anamnese:

        Agora, a Igreja realiza o memorial da paixão, da ressurreição e da volta gloriosa do Senhor.

        Em seguida, o padre, de braços abertos, diz:
        CC

        Celebrando, pois, a memória
        da bem-aventurada paixão
        do vosso Filho,
        da sua ressurreição dentre os mortos
        e gloriosa ascensão aos céus,
        nós, vossos servos,
        e também vosso povo santo,
        vos oferecemos, ó Pai,
        dentre os bens que nos destes,
        o sacrifício puro,
        santo e imaculado,
        Pão santo da vida eterna
        e Cálice da perpétua salvação.

        • Oblação:

        O padre, na oblação, apresenta ao Pai Eterno a oferenda do seu Filho para reconciliar com Ele a humanidade pecadora. Aqui os fiéis podem oferecer a sua vida e as suas dores em união com Cristo pela redenção do mundo.

        Recebei, ó Pai, com olhar benigno,
        esta oferta,
        como recebestes os dons do justo Abel,
        o sacrifício de nosso patriarca Abraão
        e a oblação pura e santa
        do sumo sacerdote Melquisedeque.

        94. Une as mãos e, inclinando-se, diz:
        Suplicantes, vos pedimos, ó Deus onipotente,
        que esta nossa oferenda seja levada à vossa presença,
        no altar do céu,
        pelas mãos do vosso santo Anjo,
        para que todos nós, participando deste altar
        pela comunhão do santíssimo Corpo e Sangue do vosso Filho,

        Ergue-se e faz sobre si o sinal da cruz, dizendo:
        sejamos repletos de todas as graças e bênçãos do céu.

        Une as mãos.
        (
        Por Cristo, nosso Senhor. Amém.)

        • Intercessões:

        Em seguida, nas intercessões, a Igreja expressa que a Eucaristia é celebrada em comunhão com toda a Igreja do Céu e da Terra, dos vivos e dos falecidos:

        95.Memento dos mortos.
        De braços abertos, diz:

        Lembrai-vos, ó Pai,
        dos vossos filhos e filhas N. e N.,
        que nos precederam com o sinal da fé
        e dormem o sono da paz
        Une as mãos e reza por alguns momentos pelos falecidos que quer recordar.

        Depois, de braços abertos, prossegue:
        A eles, e a todos os que descansam no Cristo,
        concedei o repouso,
        a luz e a paz.

        Une as mãos.
        (
        Por Cristo, nosso Senhor. Amém.)

        96. Bate no peito com a mão direita, dizendo:
        E a todos nós pecadores,
        De braços abertos, prossegue:
        que esperamos na vossa infinita misericórdia,
        concedei o convívio
        dos Apóstolos e Mártires:
        João Batista e Estêvão,
        Matias e Barnabé,
        [Inácio, Alexandre,
        Marcelino e Pedro,
        Felicidade e Perpétua,
        Águeda e Luzia,
        Inês, Cecília, Anastácia,]
        e de todos os vossos Santos;
        acolhei-nos na sua companhia,
        não por nossos méritos,
        mas por vossa bondade.
        Une as mãos:
        CP

        Por Cristo, nosso Senhor.

        • Doxologia Final:

        A Oração Eucarística termina com a Doxologia Final na qual se glorifica a Santíssima Trindade, apresentando-lhe e oferecendo-lhe Cristo Vítima. 

        E continua:
        Por ele não cessais de criar e
        santificar, vivificar, abençoar estes bens
        e distribuí-los entre nós.

        98. Toma a patena com a hóstia e o cálice e, elevando-os, diz:
        CP ou CC

        Por Cristo, com Cristo e em Cristo,
        a vós, Deus Pai todo-poderoso,
        na unidade do Espírito Santo,
        toda a honra e toda a glória,
        por todos os séculos dos séculos.

        O povo aclama:
        Amém.

        3. Pai-Nosso

        Pai-Nosso

        O Pai-Nosso é rezado como oração preparatória para a Comunhão. Nele, pedimos o “pão nosso de cada dia”, que no sentido mais profundo se refere à Eucaristia.

        Pelo sacrifício de Cristo e pelos seus méritos, tornamo-nos filhos de Deus. Na Eucaristia encontramos o remédio contra a tentação, e o próprio Jesus, em nossos corações, vencerá o Maligno quando ele quiser nos tentar. 

        Tendo colocado o cálice e a patena sobre o altar, o padre diz, de mãos unidas:
        Obedientes à palavra do Salvador
        e formados por seu divino ensinamento, ousamos dizer:

        O padre abre os braços e prossegue com o povo:
        Pai nosso que estais nos céus,
        santificado seja o vosso nome;
        venha a nós o vosso reino,
        seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu;
        o pão nosso de cada dia nos dai hoje;
        perdoai-nos as nossas ofensas,
        assim como nós perdoamos
        a quem nos tem ofendido;
        e não nos deixeis cair em tentação,
        mas livrai-nos do mal.

        O último pedido do Pai-Nosso se prolonga. Porque, possuindo a verdadeira paz, poderemos conservar-nos livres do pecado e seguros em toda perturbação. Assim, as nossas almas podem receber com mais proveito o pão do céu. 

        O padre prossegue sozinho, de braços abertos:
        Livrai-nos de todos os males, ó Pai,
        e dai-nos hoje a vossa paz.
        Ajudados pela vossa misericórdia,
        sejamos sempre livres do pecado
        e protegidos de todos os perigos,
        enquanto aguardamos a feliz esperança e a vinda
        do nosso Salvador, Jesus Cristo.

        O padre une as mãos.

        O povo conclui a oração, aclamando:
        Vosso é o reino,
        o poder e a glória
        para sempre!

        4. Rito da paz

        Rito da paz

        O rito da saudação da paz é preparado com uma oração que o padre dirige a Cristo, o Príncipe da paz.

        Depois o padre, de braços abertos, diz em voz alta:
        Senhor Jesus Cristo, dissestes aos vossos Apóstolos:
        “Eu vos deixo a paz, eu vos dou a minha paz”.
        Não olheis os nossos pecados,
        mas a fé que anima vossa Igreja;
        dai-lhe, segundo o vosso desejo,
        a paz e a unidade.

        O padre une as mãos.

        Vós, que sois Deus com o Pai e o Espírito Santo.

        O povo responde: Amém.

        127. O padre, voltado para o povo, estendendo e unindo as mãos, acrescenta:
        A paz do Senhor esteja sempre convosco.

        O povo responde: O amor de Cristo nos uniu.

        128. Em seguida, se for oportuno, o diácono ou o padre diz:
        Irmãos e irmãs, saudai-vos em Cristo Jesus.

        Este rito nos recorda as devidas disposições com que devemos nos aproximar da comunhão. Não podemos receber o Senhor se estamos em inimizade com o próximo. 

        5. Fração do pão 

        Fração do pão

        O padre parte a hóstia à imitação do Senhor. Representa a multiplicação da presença de Cristo por meio da Eucaristia. Recorda a morte na cruz, pela qual o seu corpo foi quebrantado. 

        Depois, na comistão, deixa cair a partícula de pão consagrado no cálice que contém o Sangue do Senhor, simbolizando a unidade do sacrifício, celebrado sob as duas espécies. Também essa unidade se perpetua, pois há um único sacrifício de Cristo que continua sobre os altares até o fim do mundo. 

        Esta união do Corpo e do Sangue
        de Jesus, o Cristo e Senhor nosso,
        que vamos receber,
        nos faça participar da vida eterna.

        Enquanto isso, os fiéis cantam o Cordeiro de Deus:

        Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
        Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
        Cordeiro de Deus, que tirais o pecado do mundo, dai-nos a paz.

        Essa invocação caracteriza o Senhor como vítima, que carregou os pecados do mundo e a quem se suplica misericórdia. 

        6. Preparação para a Comunhão

        Preparação para a Comunhão (1)

        O padre se prepara em particular para comungar, rezando esta oração ou outra semelhante:

        Senhor Jesus Cristo, o vosso Corpo e o vosso Sangue, que vou receber,
        não se tornem causa de juízo e condenação;
        mas, por vossa bondade,
        sejam proteção
        e remédio para minha vida.

        Depois de ter rezado, o celebrante toma a sagrada Hóstia e, mostrando-a ao povo, diz:

        Felizes os convidados para a Ceia do Senhor.
        Eis o Cordeiro de Deus,
        que tira o pecado do mundo.

        E acrescenta, com o povo:
        Senhor, eu não sou digno
        de que entreis em minha morada,
        mas dizei uma palavra
        e serei salvo.

        7. Comunhão

        Comunhão

        A Liturgia Eucarística é coroada com o rito da Comunhão.

        Primeiro, o celebrante comunga. Ao fazê-lo, reza esta bela oração:

        O Corpo de Cristo me guarde para a vida eterna.

        O Sangue de Cristo me guarde para a vida eterna.

        Começa depois a Comunhão dos fiéis, que avançam em procissão rumo ao altar. Normalmente é acompanhada por um canto.

        A Eucaristia produz frutos maravilhosos na alma. Por ela, se alcança a união pessoal, íntima e mais estreita que se possa imaginar com Cristo. Além disso, unimo-nos a toda a Igreja.

        8. Oração depois da Comunhão

        Pós-comunhão

        Terminada a comunhão, segue-se um tempo de silêncio. O celebrante purifica a patena e o cálice, enquanto os fiéis, de joelhos ou sentados, dialogam em seu coração com o Hóspede Divino.

        Enquanto faz a purificação, o celebrante diz em silêncio:

        Fazei, Senhor, que conservemos num coração puro
        o que a nossa boca recebeu.
        E que esta dádiva temporal
        se transforme para nós em remédio eterno.

        A Liturgia Eucarística termina com a oração sacerdotal na qual o celebrante agradece a grandeza dos dons recebidos e pede os efeitos próprios do sacramento. Geralmente, insiste no progresso da obra redentora de Cristo em nós e na vitória sobre as dificuldades interiores e exteriores. Mas, acima de tudo, pede a vida eterna.  

        Concedei, ó Deus todo-poderoso, que sejamos sempre contados entre os membros de Cristo, cujo Corpo e Sangue comungamos.

        Por Cristo, nosso Senhor.

        Amém. 

        Para refletir sobre a Liturgia Eucarística:

        Cada vez que formos à Missa, meditemos nos gestos e nas palavras tão profundos e cheios de símbolos que fazem parte do sacrifício. Isso nos ajudará a ficar mais concentrados e aumentará em nossas almas o fervor e o desejo de receber Jesus.

        Vivamos a Liturgia Eucarística seguindo este belo ensinamento de São João Paulo II: 

        Nunca nos acostumemos à Eucaristia. Que cada celebração seja um renovado assombro diante do amor infinito de Deus.

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        O que é a Liturgia Eucarística?

        A Liturgia Eucarística é a parte mais importante da Santa Missa. Nela, Jesus se faz presente no Santíssimo Sacramento para oferecer-se novamente ao Pai como vítima. É imolado de modo incruento pela nossa salvação. Intercede junto a Deus para nos alcançar o seu perdão.

        Quando começa a Liturgia Eucarística?

        A Liturgia Eucarística começa com o Ofertório.

        Por que a Liturgia Eucarística é importante?

        A Liturgia Eucarística é muito importante porque nela acontece o milagre mais impressionante de todos. Jesus se faz presente nas espécies eucarísticas com todo o seu ser: Corpo, Sangue, Alma e Divindade. Embora com os nossos sentidos vejamos pão e vinho, Nosso Senhor está realmente ali, vivo e glorioso. 

        Como se divide a Liturgia Eucarística?

        A Liturgia Eucarística se divide em 8 partes:

        1. Ofertório e Ofertas,
        2. Oração Eucarística,
        3. Pai-Nosso,
        4. Rito da paz,
        5. Fração do pão,
        6. Preparação para a Comunhão, 
        7. Comunhão,
        8. Oração depois da Comunhão.