Corpus Christi é, nas palavras de São Pedro Julião Eymard, “a festa de Deus”: o único dia do ano litúrgico consagrado a honrar exclusivamente a pessoa adorável de Jesus Cristo e sua presença real e viva entre nós. Celebramos de modo solene e jubiloso que Cristo está aqui, agora, verdadeiramente presente na Eucaristia.
É o mistério que São Josemaria Escrivá descrevia com uma simplicidade desconcertante: “O nosso Deus decidiu permanecer no Sacrário para nos alimentar, para nos fortalecer, para nos divinizar”. E é o mistério diante do qual Santo Tomás de Aquino — o maior teólogo da história — se prostrava de joelhos antes de escrever uma única linha.
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Corpus Christi: significado etimológico
Corpus Christi é uma expressão latina que significa literalmente “o Corpo de Cristo”. É o nome com que a Igreja designa a Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo. Esta festa proclama publicamente, diante do mundo inteiro, que Jesus Cristo está verdadeira, real e substancialmente presente na Eucaristia: com seu Corpo, com seu Sangue, com sua Alma e com sua Divindade.
A escolha desse nome não é acidental. A Igreja não chama esta festa de “a festa da Eucaristia” ou “a festa do Sacramento”: ela a chama de Corpus Christi, o Corpo de Cristo. Porque o que ela celebra não é um rito nem um símbolo: é uma Pessoa. É o próprio Cristo, que quis ficar entre nós da maneira mais próxima e mais humilde possível, oculto sob as aparências do pão e do vinho.
Corpus Christi: significado espiritual
São Pedro Julião Eymard explicou o sentido espiritual desta festa com uma clareza sem igual:
“As demais festas celebram algum mistério de sua vida passada: são belas e honram a Deus. Contudo, não são mais que uma recordação, um aniversário de um passado já distante que só revive em nossa piedade. O Salvador já não está nesses mistérios; Ele os realizou uma vez, e depois permanece apenas a sua graça. Mas aqui há um mistério atual: a festa se dirige à pessoa viva de nosso adorável Salvador, que está presente entre nós”.
O significado espiritual de Corpus Christi tem três dimensões inseparáveis:
- A presença real
Cristo não está na Eucaristia de maneira simbólica ou figurada, mas está real e substancialmente presente. O dogma da transubstanciação ensina que, quando o padre pronuncia as palavras da consagração in persona Christi, o pão se converte no Corpo de Cristo e o vinho em seu Sangue. A aparência não muda (continuamos vendo pão). Mas a essência muda por completo. São João Crisóstomo declara que não é o homem quem realiza essa conversão, mas o próprio Cristo crucificado, cujas palavras, pronunciadas pelo padre, transformam as ofertas pelo poder do Criador.
- O alimento divino
Cristo não apenas está presente, mas também se entrega como alimento. Quem recebe a Comunhão não apenas presta homenagem a Cristo de fora: recebe-o dentro de si.
“Vós sois o corpo de Cristo e cada um, de sua parte, é um dos seus membros” (1Cor 12,27).
A Eucaristia nos transforma porque a alma que comunga com devoção é assimilada por Cristo, que passa a ser a sua vida.
- A companhia permanente
O Sacrário é a morada em que Cristo escolheu ficar. São Josemaria Escrivá dizia que o Sacrário sempre havia sido para ele
“Betânia, o lugar tranquilo e aprazível onde está Cristo, onde podemos contar-lhe as nossas preocupações, os nossos sofrimentos, os nossos sonhos e as nossas alegrias, com a mesma simplicidade e naturalidade com que lhe falavam aqueles seus amigos, Marta, Maria e Lázaro”.
Corpus Christi: significado bíblico
Embora a Eucaristia tenha sido instituída por Nosso Senhor Jesus Cristo, o certo é que no Antigo Testamento podemos encontrar numerosas prefigurações, imagens que anunciavam este mistério:
As prefigurações do Antigo Testamento
- O maná no deserto (Ex 16,13-14)
Durante quarenta anos, Deus alimentou o seu povo no deserto com um pão que caía do céu a cada manhã. Era gratuito, abundante, cotidiano — e só se podia recolher o de cada dia, sem acumular. O próprio Jesus o evoca no discurso de Cafarnaum para anunciar que Ele é o verdadeiro Pão do céu:
“Vossos pais, no deserto, comeram o maná e morreram. Este é o pão que desceu do céu, para que não morra todo aquele que dele comer” (Jo 6,49-50).
- O sacerdócio de Melquisedec (Gn 14,18)
Melquisedec, rei de Salém e sacerdote do Deus Altíssimo, oferece pão e vinho a Abraão depois de sua vitória. A carta aos Hebreus apresenta Cristo como “sacerdote eternamente, segundo a ordem de Melquisedec” (Hb 6,20). Cristo se oferece a si mesmo, sob as espécies do pão e do vinho, ao Pai Celeste como vítima propiciatória pelos nossos pecados.
- A água da rocha (Ex 17,1-6)
Moisés bate na rocha e brota água que sacia a sede do povo no deserto. São Paulo identifica essa rocha com Cristo: “Essa rocha era Cristo” (1Cor 10,4). A água que brota do lado de Cristo na Cruz (Jo 19,34) — sangue e água — é a fonte dos sacramentos do Batismo e da Eucaristia.
As palavras de Jesus no Evangelho
O texto mais denso sobre Corpus Christi na Bíblia é o discurso do Pão da vida no capítulo 6 do Evangelho de João, pronunciado na sinagoga de Cafarnaum:
“Eu sou o pão vivo que desceu do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. E o pão que eu hei de dar é a minha carne para a vida do mundo” (Jo 6,51).
“Em verdade, em verdade vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia” (Jo 6,53-54).
Quando muitos discípulos se escandalizaram e foram embora, Jesus não suavizou o discurso nem o explicou como metáfora. Pelo contrário, perguntou aos Doze:
“Quereis vós também retirar-vos?” (Jo 6,67).
A Igreja sempre leu esta passagem como a promessa explícita da Eucaristia, cumprida na Última Ceia.
- A instituição na Última Ceia
Na noite anterior à sua Paixão, Jesus tomou o pão, abençoou-o, partiu-o e o deu aos seus discípulos, dizendo:
“Tomai e comei; isto é o meu corpo, que é entregue por vós; fazei isto em memória de mim”.
E, do mesmo modo, o cálice:
“Este cálice é a Nova Aliança no meu sangue; todas as vezes que o beberdes, fazei-o em memória de mim” (1Cor 11,24-25).
São Paulo acrescenta a dimensão eclesial:
“O cálice de bênção que abençoamos não é a comunhão do sangue de Cristo? E o pão que partimos não é a comunhão do corpo de Cristo? Uma vez que há um único pão, nós, embora sendo muitos, formamos um só corpo” (1Cor 10,16-17).
Corpus Christi: significado e história
A festa de Corpus Christi nasceu no século XIII em Liège, na Bélgica, a partir das visões místicas de Santa Juliana de Mont-Cornillon (1193-1258). Juliana contemplava repetidamente uma lua cheia resplandecente com uma mancha escura. O Senhor lhe mostrou que essa mancha era a ausência, no calendário litúrgico, de uma solenidade específica para honrar a Presença Real de Cristo na Eucaristia.
A festa foi instituída no calendário universal pelo Papa Urbano IV por meio da bula Transiturus de hoc mundo em 8 de setembro de 1264, impulsionada também pelo Milagre Eucarístico de Bolsena , ocorrido em 1263, quando o sangue de Cristo brotou da hóstia consagrada, manchando o corporal, que hoje é venerado na catedral de Orvieto.
O Papa Urbano IV confiou a redação do Ofício e dos hinos da nova festa ao maior teólogo de seu tempo: Santo Tomás de Aquino. O Doutor Angélico compôs cinco hinos que são, ao mesmo tempo, o ápice da poesia litúrgica e da teologia eucarística: Lauda Sion, Adoro Te Devote, Pange Lingua — cuja conclusão é o célebre Tantum Ergo —, Sacris Sollemniis — que contém o Panis Angelicus — e Verbum Supernum — do qual se extrai o O Salutaris Hostia.
Conta-se que, quando Santo Tomás apresentou sua obra ao Papa, outro grande teólogo — São Boaventura — rasgou o próprio trabalho que havia preparado, porque reconheceu que era impossível superá-lo.
Os hinos eucarísticos de Santo Tomás de Aquino
Adoro Te Devote
O Adoro Te Devote é o hino da adoração pessoal e contemplativa diante do Deus escondido sob os véus sacramentais. Santo Tomás sustenta que a vista, o tato e o paladar são falíveis ao julgar a Eucaristia. Mas o ouvido espiritual que acolhe a Palavra do Filho de Deus proporciona uma certeza absoluta.
Duas imagens do hino ficaram gravadas na espiritualidade cristã: o pedido do bom ladrão no Calvário — “lembra-te de mim” — como modelo da atitude da alma diante da Eucaristia; e a imagem de Cristo como o “bondoso pelicano” — ave que, segundo a tradição medieval, alimenta seus filhotes com o próprio sangue —, cujo sangue eucarístico possui um poder infinito, capaz de redimir o mundo inteiro com uma só gota.
Eu vos adoro devotamente, ó Divindade escondida, verdadeiramente oculta sob estas aparências. A Vós o meu coração se submete por inteiro e desfalece totalmente ao vos contemplar.
A vista, o tato e o gosto se enganam a vosso respeito; mas basta o ouvido para crer com firmeza; creio em tudo o que disse o Filho de Deus: nada é mais verdadeiro do que esta Palavra de verdade.
Na Cruz se escondia somente a Divindade, mas aqui se esconde também a Humanidade; contudo, creio e confesso ambas, e peço o que pediu o ladrão arrependido.
Não vejo as chagas, como Tomé as viu, mas confesso que sois o meu Deus: fazei que eu creia cada vez mais em Vós, que em Vós espere e que vos ame.
Ó memorial da morte do Senhor! Pão vivo que dais vida ao homem: concedei à minha alma que de Vós viva e que sempre saboreie a vossa doçura.
Senhor Jesus, bondoso Pelicano, lavai-me, a mim que sou imundo, com o vosso Sangue, do qual uma só gota pode libertar de todos os crimes o mundo inteiro.
Ó Jesus, a quem agora vejo oculto, peço-vos que se cumpra o que tanto desejo: que, ao contemplar o vosso rosto face a face, eu seja feliz vendo a vossa glória.
Amém.
Lauda Sion
A sequência Lauda Sion Salvatorem é cantada na Missa de Corpus Christi antes do Evangelho. É a exposição mais precisa do dogma eucarístico em forma poética: o pão e o vinho consagrados são verdadeiros sinais que encerram realidades divinas. Uma só de suas estrofes resume séculos de reflexão teológica:
“Pão e vinho, eis o que vemos; mas ao Cristo é que nós temos em tão ínfimos sinais. Alimento verdadeiro, permanece o Cristo inteiro quer no vinho, quer no pão”.
O pregador da Casa Pontifícia Raniero Cantalamessa destaca que Santo Tomás segue aqui a regra que ele mesmo se impunha: pôr-se primeiro de joelhos diante do mistério, para que o Espírito Santo infunda a palavra antes de redigir qualquer tratado.
Terra, exulta de alegria,
louva teu pastor e guia
com teus hinos, tua voz!
Tanto possas, tanto ouses,
em louvá-lo não repouses:
sempre excede o teu louvor!
Hoje a Igreja te convida:
ao pão vivo que dá vida
vem com ela celebrar!
Este pão, que o mundo o creia!
Por Jesus, na santa ceia,
foi entregue aos que escolheu.
Nosso júbilo cantemos,
nosso amor manifestemos,
pois transborda o coração!
Quão solene a festa, o dia,
que da santa Eucaristia
nos recorda a instituição!
Novo Rei e nova mesa,
nova Páscoa e realeza,
foi-se a Páscoa dos judeus.
Era sombra o antigo povo,
o que é velho cede ao novo:
foge a noite, chega a luz.
O que o Cristo fez na ceia,
manda à Igreja que o rodeia
repeti-lo até voltar.
Seu preceito conhecemos:
pão e vinho consagremos
para nossa salvação.
Faz-se carne o pão de trigo,
faz-se sangue o vinho amigo:
deve-o crer todo cristão.
Se não vês nem compreendes,
gosto e vista tu transcendes,
elevado pela fé.
Pão e vinho, eis o que vemos;
mas ao Cristo é que nós temos
em tão ínfimos sinais.
Alimento verdadeiro,
permanece o Cristo inteiro
quer no vinho, quer no pão.
É por todos recebido,
não em parte ou dividido,
pois inteiro é que se dá!
Um ou mil comungam dele,
tanto este quanto aquele:
multiplica-se o Senhor.
Dá-se ao bom como ao perverso,
mas o efeito é bem diverso:
vida e morte traz em si.
Pensa bem: igual comida,
se ao que é bom enche de vida,
traz a morte para o mau.
Eis a hóstia dividida...
Quem hesita, quem duvida?
Como é toda o autor da vida,
a partícula também.
Jesus não é atingido:
o sinal é que é partido;
mas não é diminuído,
nem se muda o que contém.
Eis o pão que os anjos comem,
transformado em pão do homem;
só os filhos o consomem:
não será lançado aos cães!
Em sinais prefigurado,
por Abraão foi imolado,
no cordeiro aos pais foi dado,
no deserto foi maná.
Bom pastor, pão de verdade,
piedade, ó Jesus, piedade,
conservai-nos na unidade,
extingui nossa orfandade,
transportai-nos para o Pai!
Aos mortais dando comida,
dais também o pão da vida;
que a família assim nutrida
seja um dia reunida
aos convivas lá do céu!
Amém. Aleluia.
Como viver o dia de Corpus Christi
São Pedro Julião Eymard ensinava que Corpus Christi é “uma festa de franca alegria e de grandes esperanças”. É o dia em que Jesus Cristo se mostra como Rei e concede mercês. Não é um dia de puro recolhimento austero: é uma festa, no sentido mais pleno e cristão da palavra.
São Josemaria Escrivá propunha:
“Dizei-lhe muitas vezes, com um ato de fé que vos saia de dentro: ‘Senhor, creio que estás aí realmente presente, com o teu Corpo, com o teu Sangue, com a tua Alma, com a tua Divindade’”.
Concretamente, o dia de Corpus Christi convida a:
- Participar da Missa com especial recolhimento
É a celebração central do dia. Em muitos países é dia de preceito, e onde é transferida para o domingo a obrigação se cumpre nesse domingo. Mas, para além do preceito, é o dia em que a Igreja celebra com maior solenidade o mistério que pulsa no coração de cada Missa do ano.
- Participar da procissão eucarística
A procissão de Corpus Christi é uma das manifestações públicas de fé mais antigas e belas da tradição cristã. Sair às ruas acompanhando Cristo no ostensório é um ato de fé que ultrapassa a devoção privada: é a Igreja proclamando diante do mundo que o seu Senhor está vivo e presente.
- Fazer uma visita ao Santíssimo Sacramento
Corpus Christi inaugura a Oitava de Corpus Christi: oito dias em que muitas paróquias oferecem adoração eucarística especial. Deter-se diante do Sacrário, ainda que por alguns minutos, e dizer a Cristo o que São Josemaria lhe dizia: “Senhor, creio que estás aí. Eu te amo. Aumenta a minha fé”.
- Comungar com fé viva
São Pedro Julião Eymard o afirmava sem rodeios: “Para as almas que sabem comungar não há senão uma festa: comungar!”. A comunhão bem recebida é o Corpus Christi mais íntimo e mais pleno: Cristo que entra na alma não como em um templo de pedra, mas como em sua morada mais querida.
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Quer viver a solenidade de Corpus Christi com devoção? Aqui estão alguns artigos que poderão ajudar você:
- O que se celebra em Corpus Christi?: Tudo sobre a origem e a história desta solenidade: as visões de Santa Juliana e os milagres eucarísticos de Bolsena e Lanciano.
- 3 Impressionantes Milagres Eucarísticos: História de três impressionantes milagres eucarísticos na Argentina e na Itália.
- 4 Provas da Presença Real de Cristo na Eucaristia: evidências na Bíblia, na tradição, nos milagres eucarísticos e na vida dos santos que provam a Presença Real do Senhor no Santíssimo Sacramento.
- Os 7 Frutos da Comunhão na Vida Espiritual: Os frutos da Comunhão em nossas almas e as disposições necessárias para que a Eucaristia realmente transfigure a nossa vida.
O que significa Corpus Christi e por que se celebra?
Corpus Christi significa “o Corpo de Cristo” em latim. É celebrado para proclamar solenemente a presença real, substancial e verdadeira de Jesus Cristo na Eucaristia, com seu Corpo, seu Sangue, sua Alma e sua Divindade. Diferentemente de outras solenidades que comemoram mistérios do passado, Corpus Christi celebra um mistério atual: Cristo presente agora e sempre no Santíssimo Sacramento. A Igreja o situa na quinta-feira — ou no domingo seguinte — depois da Santíssima Trindade, para que toda a alegria de Pentecostes possa derramar-se na celebração.
Qual é a verdadeira história de Corpus Christi?
A festa nasceu em Liège, na Bélgica, a partir das visões de Santa Juliana de Mont-Cornillon (1193-1258), que contemplava uma lua com uma mancha escura, revelação que ela entendeu como a ausência de uma solenidade eucarística no calendário litúrgico. O bispo Roberto de Thourotte instituiu a festa diocesana em 1246. Em 1264, o Papa Urbano IV — que havia conhecido Santa Juliana em Liège — a estendeu a toda a Igreja por meio da bula Transiturus de hoc mundo, confiando a Santo Tomás de Aquino a composição de seu Ofício litúrgico. O Missal Romano de São Pio V (1570) consolidou sua observância universal no rito latino.
O que a Bíblia diz sobre Corpus Christi?
Na Bíblia encontram-se prefigurações da Eucaristia no Antigo Testamento, como, por exemplo, o maná no deserto (Ex 16), a água da rocha (Ex 17, cf. 1Cor 10,4) e o sacerdócio de Melquisedec, que oferece pão e vinho (Gn 14,18). No Novo Testamento, o discurso do Pão da vida (Jo 6,48-58) é o texto fundamental: Jesus afirma que a sua carne é verdadeira comida e o seu sangue verdadeira bebida, e que quem os come tem a vida eterna. A instituição da Eucaristia na Última Ceia (Mt 26,26-28; 1Cor 11,23-25) e a teologia eucarística de São Paulo (1Cor 10,16-17) completam o fundamento bíblico de Corpus Christi.
É pecado não ir à Missa de Corpus Christi?
Depende do país e de a solenidade ser mantida como dia de preceito. Nos lugares onde a quinta-feira de Corpus Christi é dia de preceito, como a República Dominicana, não participar da Missa sem causa grave constitui descumprimento do preceito dominical, que a teologia moral considera matéria grave. Nos países onde a solenidade é transferida para o domingo, como Espanha, México ou Estados Unidos, a obrigação se cumpre nesse domingo como em qualquer outro. Em caso de dúvida, o mais indicado é consultar o pároco da própria diocese.
Qual é o milagre eucarístico que deu origem à celebração de Corpus Christi?
O Milagre Eucarístico de Bolsena, ocorrido em 1263. Um padre boêmio chamado Pedro de Praga, que duvidava da presença real de Cristo na Eucaristia, celebrava a Missa na igreja de Santa Cristina, em Bolsena (Itália), quando, ao partir a hóstia consagrada, começou a brotar sangue, que manchou o corporal. O fato chegou aos ouvidos do Papa Urbano IV, que se encontrava em Orvieto. O corporal manchado se conserva hoje na catedral de Orvieto, e o milagre levou definitivamente o Papa a instituir a solenidade universal de Corpus Christi no ano seguinte.
Quais são as três quintas-feiras que brilham mais que o sol?
A expressão popular espanhola “três quintas-feiras há no ano que brilham mais que o sol” refere-se a três solenidades do ano litúrgico que tradicionalmente eram celebradas na quinta-feira: a Quinta-feira Santa — início do Tríduo Pascal e comemoração da Última Ceia —, a Ascensão do Senhor — quarenta dias depois da Ressurreição — e Corpus Christi — sessenta dias depois da Ressurreição. As três quintas-feiras têm em comum o fato de celebrarem mistérios de primeira grandeza relacionados com Cristo: a instituição da Eucaristia e do sacerdócio, a sua entrada na glória do Pai e a sua presença real no Santíssimo Sacramento.
O que se deve fazer no dia de Corpus Christi?
O dia de Corpus Christi convida a três atos principais: participar da Missa com fé especialmente viva — cumprindo o preceito onde for o caso —; participar da procissão eucarística, se a paróquia a realizar, acompanhando publicamente Cristo no ostensório; e fazer uma visita ao Santíssimo Sacramento para adorar Cristo presente no Sacrário. A Oitava de Corpus Christi — os oito dias seguintes — é um tempo propício para frequentar a adoração eucarística. São Josemaria Escrivá propunha uma oração simples e direta: “Senhor, creio que estás aí realmente presente, com o teu Corpo, com o teu Sangue, com a tua Alma, com a tua Divindade. Eu te amo”.
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