Começa o Sacrifício: Os Ritos Iniciais da Missa

por Mariana Manzanares | Vida espiritual

No artigo Quais são as partes da Missa e o seu significado?, explicamos a estrutura da Santa Missa, que se compõe de quatro momentos fundamentais: Ritos Iniciais, Liturgia da Palavra, Liturgia Eucarística e Ritos Finais. Cada um deles cumpre uma função específica dentro da celebração.

Nesse contexto, os Ritos Iniciais desempenham um papel fundamental, pois dispõem os fiéis a entrar na presença de Deus com o devido recolhimento. Por meio do canto de entrada, da saudação do padre, do ato penitencial, do Glória e da oração coleta, os fiéis passam do cotidiano ao sagrado, preparando-se para escutar a Palavra de Deus e celebrar o sacrifício eucarístico.

Neste artigo, exploraremos o significado e a estrutura desses ritos, apoiando-nos no Missal Romano e na tradição litúrgica da Igreja.

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Os Ritos Iniciais são:

1. Procissão de entrada

Ritos Iniciais-Procissão de entrada

A Santa Missa começa com a procissão de entrada. Essa marcha, presidida pelo padre, representa a entrada do Salvador no mundo, pela qual começou o seu sacrifício e oferecimento desde a Encarnação. 

Nas Missas solenes, o celebrante é precedido pelo estandarte da cruz, cujo sacrifício vai ser renovado. Atrás vão os acólitos, que levam velas acesas, simbolizando a entrada da luz que ilumina todo homem. Depois seguem os turiferários, que levam os turíbulos, cujo perfume representa o aroma do louvor a Deus e do bom odor de Cristo. Também entram os ministros inferiores, que recordam os profetas do Antigo Testamento e os apóstolos do Novo Testamento. Fechando a procissão, avança o celebrante, que representa o próprio Cristo. 

Este primeiro rito inicial nos recorda o conselho da Sagrada Escritura:

Anda na minha presença e sê perfeito. (Gn 17, 1)

Essa marcha nos recorda que as nossas vidas são um caminho para o Céu. A Santa Missa é uma antecipação do banquete celeste. Com a graça de Deus e transfigurados com Cristo, que se entrega a nós no Santíssimo Sacramento, poderemos alcançar a perfeição do amor. 

Neste momento, nós, fiéis, devemos nos dispor a entrar na presença de Deus. São Francisco de Sales ensina:

Desde o princípio até que o padre suba ao altar, prepare-se juntamente com ele, o que você fará colocando-se na presença de Deus, reconhecendo a sua indignidade e pedindo-lhe perdão pelos seus defeitos.

2. Subida e beijo do altar

Ritos Iniciais-Incensação do altar

Quando a procissão chega ao presbitério, o celebrante sobe ao altar. O altar é o monte santo, o novo Calvário. Subamos com o padre rumo ao Gólgota para sermos testemunhas da renovação do sacrifício. 

O altar ocupa o lugar mais sagrado da igreja. Deve estar em um lugar alto, mais perto de Deus, e ser de pedra. Ali será oferecido o sacrifício do Cordeiro imaculado. É a mesa sagrada sobre a qual Jesus Cristo instituiu a Eucaristia. Também recorda a Cruz, onde Cristo se sacrificou pela nossa redenção. Além disso, assemelha-se à rocha do sepulcro sobre a qual foi colocado o seu corpo. Por último, é o trono celeste no qual se assenta a Vítima Imolada.  

Em seguida, o padre beija o altar onde vai realizar o sagrado mistério. Ali beija o próprio Cristo que, como ensina São Paulo, é a pedra angular. Para os Padres da Igreja, era o beijo no sepulcro onde Cristo jazia adormecido.

Com o beijo, também se veneram as relíquias dos mártires que se encontram ao pé do altar. Os que derramaram gloriosamente o seu sangue por Jesus Cristo repousam ao pé do altar onde se oferece o Sangue do Senhor. Eles estão intimamente unidos ao Cordeiro de Deus pelos tormentos que sofreram. É justo que triunfem com Ele. 

A Igreja, esposa de Cristo, na pessoa do padre, saúda o seu Amado. Todos somos chamados a amá-lo, a entregar-nos a Ele e a dar a nossa vida por Ele. O beijo do altar é um ato de delicadeza e fidelidade, cheio de ternura para com o Senhor. Repara o horrível beijo de Judas, que o entregou aos judeus com esse gesto. 

3. Incensação

Ritos Iniciais-Incensação do altar

Na Missa solene, depois do beijo do altar, segue-se a sua incensação. 

Esse ato é uma expressão visível do sacrifício interior dos que participam da celebração. Os carvões que se consomem até o fim simbolizam os fiéis, que devem consumir a sua vida servindo e louvando a Deus. 

Significa o bom odor de Cristo que devemos levar e espalhar em cada ambiente da nossa vida cotidiana: no trabalho, entre amigos, na família, na universidade, na escola. 

A fumaça do incenso simboliza a oração que se eleva a Deus. Ajuda-nos a arder de amor por Ele, para que se consuma em nossos corações tudo o que não é de Deus. As nossas orações, que expressam os desejos do coração, devem ser animadas e purificadas pelo fogo do amor divino. E são reunidas às de todos os nossos irmãos para serem elevadas diante de Deus. Recorda a oração dos santos, o perfume mais agradável ao Senhor. 

4. Sinal da cruz e saudação inicial

Ritos Iniciais-Padre na cadeira presidencial-Coleta

Os Ritos Iniciais continuam com a invocação do Deus uno e trino por meio da cruz de Cristo. O celebrante e os fiéis fazem o sinal da cruz para começar propriamente a Santa Missa, pois esta renova a memória do sacrifício do Senhor em honra da Santíssima Trindade.

O padre quer realizar o sacrifício em nome de Deus Pai, que enviou o seu Filho para nos salvar; de Deus Filho, que se entregou à morte por nós; e do Espírito Santo, cujo amor eterno foi o fogo que consumiu a Vítima e cujo sopro derrama o Sangue do Salvador sobre as nossas almas. Ao Pai nos dirigimos, por Cristo oferecemos e o fazemos no Espírito Santo.

É preciso fazer o sinal da cruz como se fosse a primeira e a última vez, com devoção e amor. Deve ser um sinal lento, amplo, da testa ao peito e de um ombro ao outro. Evitemos rotinas e automatismos. Coloquemos nele todo o nosso corpo, alma, coração e pensamentos. Ele deve apoderar-se de nós, consagrar-nos e santificar-nos.

Depois do sinal da Cruz, o padre saúda a assembleia e coloca toda a celebração sob o olhar da Santíssima Trindade:

A graça de nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam convosco.

5. Ato Penitencial

Ritos Iniciais-Ato penitencial

O Ato Penitencial nos permite ver as nossas misérias diante da santidade de Deus. Reconhecemos o seu domínio, imploramos-lhe, indignos, a sua ajuda e pedimos-lhe perdão, porque somos pecadores.

Ao nos humilharmos diante da santidade de Deus, podemos dimensionar um pouco do seu infinito amor, que o levou a enviar o seu Filho Único e Amado para nos salvar do pecado e nos dar a vida eterna.

O padre convida ao arrependimento. Podemos fazer um rápido exame de consciência e pedir, com sinceridade, perdão pelos nossos pecados:

O Senhor Jesus, que nos convida à mesa da Palavra e da Eucaristia, nos chama a segui-lo fielmente. Reconheçamos ser pecadores e invoquemos com confiança a misericórdia do Pai.

O Ato Penitencial é composto por três momentos:

1. Confesso a Deus:

Os fiéis reconhecem diante de Deus e da comunidade os seus pecados. Também suplicam a intercessão dos anjos e santos e dos seus irmãos. Pecamos por pensamentos, por não nos conformarmos aos critérios de Deus; por palavras, por não usarmos a nossa língua como instrumento do Verbo divino; por atos, ao não imitarmos as ações de Cristo; e por omissões, por não fazermos todo o bem que poderíamos ter feito. 

Batemos no peito para expressar a dor pelos nossos pecados. E, porque somos fracos, imploramos a ajuda de poderosos intercessores. 

Confesso a Deus todo-poderoso
e a vós, irmãos e irmãs,
que pequei muitas vezes
por pensamentos e palavras, atos e omissões,
por minha culpa, minha culpa, minha tão grande culpa.
E peço à Virgem Maria,
aos anjos e santos
e a vós, irmãos e irmãs,
que rogueis por mim a Deus, nosso Senhor.

2. Miseratur:

O ato de contrição deve nos fazer tomar consciência da fealdade do pecado e da necessidade da graça divina para lutar contra ele. 

O padre conclui com a seguinte prece:

Deus todo-poderoso tenha compaixão de nós, perdoe os nossos pecados e nos conduza à vida eterna.

Amém. 

3. Senhor, tende piedade de nós

Depois, canta-se ou recita-se esta oração. Nela reconhecemos a majestade e a extrema bondade de Jesus. É uma oração confiante ao nosso Salvador.  

℣. Senhor, tende piedade de nós.
℟. Senhor, tende piedade de nós.
℣. Cristo, tende piedade de nós.
℟. Cristo, tende piedade de nós.
℣. Senhor, tende piedade de nós.
℟. Senhor, tende piedade de nós.

6. Canto do Glória

Ritos Iniciais-Glória

O canto do Glória é um dos ritos iniciais mais antigos. É um texto inspirado nos salmos e cânticos do Evangelho. Cantamos um hino de louvor e de vitória sobre o pecado. As suas primeiras palavras foram pronunciadas pelos anjos quando apareceram aos pastores para anunciar o nascimento do Menino Jesus. 

O Glória se divide em três partes. Começa com o canto dos anjos, continua com louvores a Deus Pai e, por último, uma invocação a Cristo. No final, nomeia-se o Espírito Santo. Assim canta a honra da Santíssima Trindade. Louva-se e dá-se graças ao Pai, reconhece-se Cristo como Filho de Deus e Salvador da humanidade, em união com o Espírito Santo.

A Deus se dá a glória, e nós, homens, pela vinda do Salvador, recebemos a paz.  

Glória a Deus nas alturas,
e paz na terra aos homens
por Ele amados.
Senhor Deus, Rei dos céus,
Deus Pai todo-poderoso:
nós vos louvamos,
nós vos bendizemos,
nós vos adoramos,
nós vos glorificamos,
nós vos damos graças
por vossa imensa glória.
Senhor Jesus Cristo, Filho Unigênito,
Senhor Deus, Cordeiro de Deus, Filho de Deus Pai.
Vós que tirais o pecado do mundo, tende piedade de nós.
Vós que tirais o pecado do mundo, acolhei a nossa súplica.
Vós que estais à direita do Pai, tende piedade de nós.
Só vós sois o Santo,
só vós, o Senhor,
só vós, o Altíssimo, Jesus Cristo,
com o Espírito Santo, na glória de Deus Pai.
Amém.

7. Oração Coleta

Ritos Iniciais-Padre na cadeira presidencial-Coleta

O padre, ao pronunciar o “Oremos”, convida os fiéis a aderir mentalmente à sua prece, pedindo pelas suas intenções particulares. Estende os braços e depois os recolhe. Dirige-se a Deus em nome de toda a comunidade, como porta-voz da Igreja, e lhe apresenta todas as intenções dos fiéis que participam da Santa Missa. 

Para refletir sobre os Ritos Iniciais da Missa:

Você tem consciência de que, ao começar a Missa, se dispõe a entrar no mistério da fé? Como poderíamos receber Jesus devotamente sem uma preparação adequada?

Lembre-se: os Ritos Iniciais não são uma mera formalidade exterior, mas um momento fundamental para se colocar na presença de Deus e adentrar o sacrifício. Eles nos ajudam a:

  • Entrar em silêncio interior e recolher o coração para participar da Missa, deixando para trás todo o barulho do mundo que nos impede de escutar a voz de Deus. 
  • Reconhecer a nossa condição de pecadores, pedir misericórdia e fazer o firme propósito de lutar contra todo pecado, até os menores.
  • Louvar e dar graças a Deus desde o início da celebração pela sua infinita bondade.
  • Pedir pelas nossas necessidades e pelas da Igreja.

Quando participamos ativamente desses ritos, preparamos o nosso coração para receber a Palavra de Deus e a Sagrada Eucaristia com maior proveito.

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Os Ritos Iniciais da Missa nos introduzem no mistério da fé, dispondo-nos para uma participação plena e consciente. Do canto de entrada à oração coleta, cada gesto e cada oração têm um profundo significado espiritual.

Na próxima vez que você for à Missa, viva esses momentos com atenção e devoção, predispondo-se a participar do sacrifício eucarístico. Se você se esforçar, com a graça de Deus, poderá deixar para trás as distrações e preparar o seu coração, transformá-lo em um sacrário vivo, para que Jesus habite nele.

O que são os ritos iniciais da Missa e por que são importantes?

Os ritos iniciais são o começo da celebração eucarística e dispõem os fiéis a entrar na presença de Deus. Incluem a procissão de entrada, o beijo do altar, o sinal da cruz, o ato penitencial, o Glória e a oração coleta. Vivê-los com atenção e recolhimento ajuda a preparar o coração para a Liturgia da Palavra e a Eucaristia.

Como posso me preparar espiritualmente antes do início da Missa para viver melhor os Ritos Iniciais?

Para se preparar espiritualmente antes da Missa, você pode chegar alguns minutos antes à igreja, guardar silêncio e recolhimento, fazer uma breve oração pedindo a graça de participar com fé e devoção, e oferecer a Missa por uma intenção especial. Também é útil ler as leituras do dia para preparar o coração e entrar em sintonia com a liturgia.

Como fazer o sinal da cruz com verdadeira devoção no início da Missa?

O sinal da cruz é um gesto de consagração e entrega a Deus. Para fazê-lo com mais devoção, devemos realizá-lo de maneira pausada, consciente e com fé, lembrando que nos marcamos com a Cruz de Cristo e renovamos a nossa identidade de filhos de Deus.

Qual é o significado do Ato Penitencial e como vivê-lo com mais profundidade?

O Ato Penitencial nos convida a reconhecer a nossa fragilidade e a pedir a misericórdia de Deus. Para vivê-lo melhor, podemos fazer um breve exame de consciência antes da Missa, rezar o Confesso a Deus com sinceridade e receber com fé a absolvição do padre, que nos prepara para escutar a Palavra de Deus com um coração limpo.

Qual é o sentido do canto do Glória? Como viver melhor esse momento?

O Glória é um hino de louvor a Deus, por isso deve ser cantado com alegria e reverência. Para fazê-lo com devoção, é importante lembrar o seu significado: é uma proclamação da glória de Deus e um ato de adoração. Cantá-lo com gratidão e atenção às palavras ajuda a vivê-lo plenamente. Além disso, se não for cantado, mas recitado, é recomendável fazê-lo com voz clara e pausada, deixando que cada frase ressoe no coração.