4 Conselhos de Dom Bosco para a Quaresma

por Mariana Manzanares | Vida espiritual

A Igreja, com sabedoria maternal, nos oferece ao longo do ano os chamados tempos litúrgicos. Sua finalidade é refletir a vida de Nosso Senhor Jesus Cristo na liturgia: seus mistérios, seus passos, suas dores e suas glórias se fazem presentes na Santa Missa, no Ofício Divino e nas celebrações próprias de cada tempo.

Entre todos os tempos litúrgicos, há dois que a Igreja denomina tempos fortes: o Advento e a Quaresma. São momentos de especial recolhimento, de renúncia ao pecado, de conversão sincera. Tempos que buscam transformar-nos em Cristo, porque Ele é o objetivo e o modelo de toda autêntica renovação interior. Por isso, o Senhor concede graças especiais para imitar a sua vida durante a Quaresma.

Não nos esqueçamos de que ser cristãos implica ser outros cristos no mundo e de que o nosso objetivo é a santidade. São Pedro nos exorta:

Como filhos obedientes, não vos amoldeis aos maus desejos que tínheis antes, no tempo da vossa ignorância. Assim como é santo aquele que vos chamou, sede também vós santos em todo o vosso proceder, conforme está escrito: Sede santos, porque Eu sou santo. (Pd 1,14-16)

A Quaresma, em particular, é uma preparação. É um morrer para nós mesmos para ressuscitar com Cristo e em Cristo. E, se a vivermos com fervor, pode ser um tempo de grande crescimento espiritual.

O tempo da Quaresma nos conduz às celebrações mais sublimes de todo o ano litúrgico: o Tríduo Pascal, no qual revivemos a obra redentora. Na Quinta-feira Santa contemplamos a instituição da Eucaristia e do sacerdócio na Missa da Ceia do Senhor. Depois acompanhamos Cristo no Horto das Oliveiras, em sua oração cheia de angústia e em sua entrega à Vontade do Pai. Na Sexta-feira Santa nos detemos diante de sua dolorosa Paixão. O Sábado Santo se abre com a solidão de Maria, essa fé firme que conservou intacta a esperança na Ressurreição.

E finalmente chega a grande noite: a Vigília Pascal. A celebração mais importante de todo o ano litúrgico. Começa na escuridão, quando se abençoa o fogo novo, símbolo de Cristo que rompe as trevas do pecado e da morte. A luz se expande, o Precônio Pascal proclama a vitória e, com a Ressurreição, começa o tempo da Páscoa: cinquenta dias de alegria pelo triunfo definitivo do Senhor.

Como é belo e decisivo este tempo. Na medida em que nos prepararmos bem durante a Quaresma, chegaremos ao Tríduo Pascal — e especialmente à Vigília Pascal — com um coração mais puro, mais disposto, mais aberto à graça. Por isso, vale a pena nos perguntarmos: como viver esta Quaresma de maneira concreta? Que atitudes adotar para que seja verdadeiramente fecunda?

É aqui que os santos — e de modo particular São João Bosco— se tornam guias seguros.

Você pode usar o aplicativo Horários de Missa para encontrar a igreja católica mais próxima com horários de Missa, Confissão e Adoração. Com certeza será útil para você! Baixe agora.

Conselhos de Dom Bosco para a Quaresma

São João Bosco, baseando-se em sua experiência com os jovens do oratório, recomendou uma série de propósitos práticos centrados no domínio dos sentidos e na caridade cotidiana para que o “corpo não mande” no espírito. 

O Jejum dos Sentidos

O jejum nos ajuda a dominar as nossas paixões e os nossos desejos desenfreados ou desequilibrados de prazer. Dom Bosco enfatizava que a mortificação não deve ser apenas alimentar, mas deve envolver o que percebemos e comunicamos:

  • Jejuar com os olhos: Consiste em evitar olhar imagens, fotografias ou pinturas contrárias à pureza ou à modéstia. Da mesma forma, exortava a jamais ler livros imorais ou contrários à fé. Uma excelente forma de praticar esse jejum hoje é limitar ou deixar de usar as redes sociais. Também reduzir o consumo de séries e priorizar aquelas com conteúdo sadio (e católico/cristão, se possível). E, claro, se aparecer alguma cena inapropriada, mudar imediatamente ou desligar a televisão. 
  • Jejuar com os ouvidos: Recomendava fugir de conversas que ofendam a pureza, bem como recusar-se a participar de fofocas e murmurações ou a escutá-las.
  • Jejuar com a língua: Este propósito inclui não escandalizar os outros, evitar as brincadeiras de mau gosto e deixar de falar mal de outras pessoas. Uma excelente prática é a de salvar a intenção do próximo e fugir de todo julgamento. E, se for evidente que ele agiu com maldade, ter misericórdia dele, porque é uma alma enganada pelo inimigo, e rezar por sua conversão. 

Mortificações na Vida Cotidiana

Para o santo, o autodomínio se reflete na atitude diante das pequenas dificuldades do dia:

  • Não se queixar: Recomendava não ficar se queixando das inclemências do tempo, especificamente do calor ou do frio. Também podemos praticar este conselho em outras circunstâncias: diante do cansaço, da fome, de algum inconveniente com um colega ou familiar. Nada melhor do que oferecer ao Senhor essas situações!
  • Paciência diante das contrariedades: Propunha suportar com firmeza os problemas ou dificuldades que surgem habitualmente. Além disso, vê-los com os olhos da fé: Deus os permite para o nosso bem e nada escapa aos seus planos. 
  • Evitar o mau exemplo: Destacava a importância de cuidar da conduta pessoal para não ser um tropeço para os outros. Não podemos jejuar, dar esmola e rezar em particular e, em público, comportar-nos como mundanos. É preciso ser coerentes. O nosso bom exemplo de vida pode levar muitas almas à conversão. 

Viver a caridade fraterna

Dom Bosco via na convivência uma oportunidade única para viver um espírito de penitência espiritual:

 

  • Tolerância: Um propósito central era tolerar com caridade os defeitos dos outros.
  • Silêncio caridoso: Sugeria o esforço concreto de não falar mal daquela pessoa sobre a qual se tem o costume de fazer comentários negativos. 

Cultivar a Vida Sacramental

Por fim, Dom Bosco recordava que nenhuma prática externa tem sentido sem uma união íntima com Jesus. Por isso, insistia na comunhão frequente e com fervor. Recomendava receber o Santíssimo Sacramento com um espírito de profunda gratidão pela presença do Senhor no altar. 

Como viver bem a Quaresma?

Antes de tudo, recordemos que a Quaresma é um tempo de oração, um tempo de recolhimento, um deserto espiritual que vai nos preparar também para receber as graças do Tríduo Pascal com um coração ainda mais preparado.

Ela nos obriga a morrer para a nossa vontade para depender totalmente da vontade de Deus. Por isso, é um tempo especial para discernir a vontade de Deus em nossas vidas, para tomar decisões e para pedir graças. 

Trata-se de 40 dias de combate espiritual, nos quais imitamos Nosso Senhor Jesus Cristo no deserto. Não só aprendemos a combater, mas vamos nos fortalecendo. Ela nos prepara, vai nos purificando e também nos ajuda a crescer no amor a Deus, ao renunciarmos àquilo que lhe desagrada.  

Precisamente, todos os mandamentos de Nosso Senhor se concentram em um só: amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo. Este é justamente o objetivo da Quaresma: aumentar o nosso amor e a nossa união com Deus. Isso, por sua vez, se manifesta no amor àqueles que nos rodeiam. A Deus não vemos, mas ao próximo sim. Então, por meio do amor ao próximo, amamos a Deus e nos aproximamos mais d’Ele.

Por último, a nossa cruz quaresmal tem um sentido redentor. Com os nossos padecimentos nos unimos aos padecimentos de Nosso Senhor Jesus Cristo durante a sua vida terrena, particularmente durante a sua paixão e a sua morte na cruz. E, por meio deles, podemos colaborar na salvação das almas. 

Peçamos a São João Bosco a graça de praticar os seus conselhos e de viver com fervor e devoção este tempo da Quaresma. 

Você pode usar o aplicativo Horários de Missa para encontrar a igreja católica mais próxima com horários de Missa, Confissão e Adoração. Com certeza será útil para você! Baixe agora.

Quer viver a Quaresma com devoção? Dê uma olhada nestes artigos que poderão ajudar você:

  • Tudo sobre a Quarta-feira de Cinzas: Quer começar a Quaresma da melhor maneira possível? Recolha o seu coração, medite e participe da Liturgia da Quarta-feira de Cinzas!
  • O que é a Quaresma e por que dura 40 dias?: Descubra o que é a Quaresma, por que dura 40 dias, quando começa e como viver este tempo litúrgico com suas belas práticas espirituais.
  • O Terço de Nossa Senhora das Dores: Está passando por um momento difícil? Contemple Nossa Senhora das Dores, refugie-se sob o seu manto e peça a sua intercessão para seguir em frente.

O que são os tempos fortes da Igreja?

Os tempos fortes são períodos do ano litúrgico dedicados a uma preparação espiritual mais intensa. A Igreja reconhece especialmente dois: o Advento e a Quaresma. Ambos convidam ao recolhimento, à conversão e à renovação interior para nos prepararmos para celebrar os grandes mistérios de Cristo.

Por que a Quaresma é uma preparação para o Tríduo Pascal?

A Quaresma nos conduz ao Tríduo Pascal — Quinta-feira Santa, Sexta-feira Santa e Sábado Santo —, no qual a Igreja revive a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. Viver bem estes 40 dias nos ajuda a chegar à Vigília Pascal com um coração mais purificado e disposto a receber as graças da Páscoa.

Quais são os conselhos de São João Bosco para viver a Quaresma?

São João Bosco recomendava propósitos concretos e práticos: jejuar não só com o corpo, mas também com os sentidos (olhos, ouvidos e língua), praticar pequenas mortificações diárias, evitar o mau exemplo, viver a caridade fraterna e fortalecer a vida sacramental por meio da confissão e da comunhão frequente.

O que significa dizer que a Quaresma é um combate espiritual?

Significa que durante estes 40 dias imitamos Cristo no deserto, lutando contra as nossas fraquezas e tentações. Não se trata apenas de evitar o pecado, mas de crescer em virtude, purificar-nos interiormente e fortalecer a nossa união com Deus.

Como viver concretamente o amor a Deus durante a Quaresma?

O amor a Deus se manifesta na oração, no sacrifício e na fidelidade à sua vontade, mas também no amor concreto ao próximo. Ao praticar a paciência, evitar julgamentos e oferecer os nossos pequenos padecimentos, nós nos unimos à Paixão de Cristo e colaboramos espiritualmente na salvação das almas.