Quando uma alma corresponde docilmente à ação do Espírito Santo, produz atos de virtude primorosos que podem ser comparados aos frutos maduros de uma árvore. Eles se caracterizam por sua grande suavidade e doçura. Esses são os frutos do Espírito Santo.
A imagem é bíblica e precisa. São Paulo os enumera no original grego da carta aos Gálatas: “O fruto do Espírito é caridade, alegria, paz, paciência, afabilidade, bondade, fidelidade, mansidão, temperança” (Gl 5, 22-23). A Vulgata latina amplia a lista para doze ao acrescentar modéstia, continência e castidade.
Quer saber mais sobre o Espírito Santo e todas as graças que Ele tem reservadas para os batizados? Fique atento. Publicaremos uma série de artigos sobre a Terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Para que assim seja mais conhecido, mais amado e escutado. Uma alma dócil e obediente às suas inspirações pode alcançar a santidade com maior facilidade e rapidez.
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O que são os frutos do Espírito Santo?
Frutos do Espírito Santo: Catecismo da Igreja Católica
Os frutos do Espírito Santo são atos primorosos de virtude que a alma produz quando, docilmente, corresponde à moção interior do Espírito Santo. Nem todos os atos que procedem da graça são estritamente frutos, mas somente aqueles mais maduros e perfeitos. São, nas palavras de Santo Tomás, “os atos nos quais a alma encontra consolação espiritual” (I-II q. 70 a. 2).
O Pe. Royo Marín, em sua obra O Grande Desconhecido, esclarece que eles são completamente contrários às obras da carne: enquanto a carne tende aos bens sensíveis que estão abaixo do homem, o Espírito Santo move a alma para aquilo que está acima dela.
Quantos são os frutos do Espírito Santo?
São Paulo cita nove frutos do Espírito Santo no texto original grego de Gálatas 5, 22-23: caridade, alegria, paz, longanimidade, afabilidade, bondade, fé, mansidão e temperança. A Vulgata latina enumera doze, acrescentando modéstia, continência e castidade. O Catecismo da Igreja Católica adota esta última enumeração (CIC 1832).
Como observa Santo Tomás, seguindo Santo Agostinho, o Apóstolo não teve a intenção de enumerá-los todos, mas citou alguns a título de exemplo. Na realidade, os frutos são ou podem ser muitos mais, já que se trata de atos e não de hábitos, como os dons.
Qual é a diferença entre os frutos, os dons e as bem-aventuranças?
A tradição cristã distingue entre os dons do Espírito Santo, os frutos e as bem-aventuranças, indicando que cada um possui uma natureza própria, uma relação de causalidade específica e um grau distinto de perfeição. A diferença fundamental está em que os dons são hábitos permanentes, enquanto os frutos e as bem-aventuranças são atos concretos que se manifestam na vida do fiel.
Os dons são disposições sobrenaturais infundidas por Deus nas potências da alma. Sua função é preparar e tornar dócil o ser humano para seguir as moções do Espírito Santo. Já os frutos do Espírito Santo e as bem-aventuranças não são hábitos, mas ações derivadas desses dons e virtudes, isto é, sua expressão visível.
Para explicar a relação entre eles, Royo Marín recorre à analogia da árvore. Os dons são comparados aos ramos, que representam a causa. Os frutos são o produto maduro que brota desses ramos e se distinguem dos dons como o efeito se distingue de sua causa. Desse modo, os dons geram atos virtuosos, e esses atos, quando alcançam a plenitude, tornam-se frutos e, eventualmente, bem-aventuranças.
Quanto ao grau de perfeição, estabelece-se uma hierarquia clara. Os frutos são atos de virtude que se caracterizam por sua suavidade e doçura espiritual. As bem-aventuranças, por sua vez, representam atos mais acabados e perfeitos, já que representam o ápice da vida cristã na terra. Por isso, pode-se afirmar que todas as bem-aventuranças são frutos, mas nem todos os frutos chegam a ser bem-aventuranças, já que estas últimas exigem um nível superior de perfeição e heroísmo.
Em síntese, o Espírito Santo move os dons, que são hábitos; dessa moção brotam os frutos do Espírito Santo, atos virtuosos e suaves; e quando esses atos alcançam sua máxima perfeição, tornam-se bem-aventuranças, coroando a vida cristã.
São três realidades distintas, mas relacionadas, dentro da vida sobrenatural:
| Dons | Frutos | Bem-aventuranças | |
|---|---|---|---|
| O que são | Hábitos infundidos pelo Espírito | Atos primorosos de virtude | Atos mais perfeitos e acabados |
| Relação | Como o ramo da árvore | Como o fruto do ramo | Como o fruto mais maduro e saboroso |
| Exemplo | Dom de sabedoria | Alegria espiritual e paz | Bem-aventurados os puros de coração |
Quais são os frutos do Espírito Santo e seu significado?
1. Caridade
A caridade é o primeiro dos frutos do Espírito Santo, fundamento e raiz de todos os demais. O Espírito Santo, que é pessoalmente o Amor infinito, comunica à alma a sua chama, fazendo-a amar a Deus de todo o coração, com todas as forças e com todo o entendimento, e ao próximo por amor a Deus.
Onde falta esse amor não se pode encontrar nenhuma ação sobrenatural, nenhum mérito para a vida eterna, nenhuma verdadeira felicidade. A caridade é um fruto dulcíssimo porque amar a Deus é alcançar o próprio fim na terra e o princípio da união eterna com Ele. São Paulo o confirma: “o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (Rm 5, 5).
O Pe. Royo Marín o vincula diretamente ao dom de sabedoria: a caridade é o fruto mais próprio de quem alcançou um gosto e uma fruição das coisas divinas por meio desse dom.
2. Alegria
A alegria emana espontaneamente da caridade, como o perfume da flor ou a luz do sol. Dá à alma um gozo profundo, produto da satisfação pela vitória alcançada sobre si mesma e por ter feito o bem.
O que distingue essa alegria de qualquer outra é a sua resistência: ela não se apaga nas tribulações, mas cresce por meio delas. É a alegria transbordante de que fala São Paulo quando escreve da prisão:
“Alegrai-vos sempre no Senhor. Repito: alegrai-vos!” (Fl 4, 4).
O Pe. Royo Marín vincula esse fruto do Espírito Santo ao dom de ciência: a alegria espiritual é o fruto que nasce do gosto e do deleite que a vontade experimenta nas verdades sobrenaturais conhecidas por esse dom.
3. Paz
A verdadeira alegria traz em si a paz como sua perfeição, porque supõe e garante o tranquilo gozo do objeto amado. O objeto amado por excelência não pode ser outro senão Deus, e por isso a paz é a tranquila segurança de possuí-lo e de estar em sua graça.
Esta é a paz do Senhor que, como diz São Paulo, “ultrapassa todo o entendimento” (Fl 4, 7). É uma alegria que supera todo gozo fundado na carne ou nas coisas materiais. O Pe. Royo Marín vincula esse fruto do Espírito Santo ao dom de sabedoria: quem saboreia a Deus como sumo bem experimenta na alma uma serenidade que nenhuma circunstância exterior pode arrebatar.
4. Paciência
A vida é uma luta permanente contra inimigos visíveis e invisíveis e contra as forças do mundo. A paciência é o fruto do Espírito Santo necessário para suportar com heroísmo os sofrimentos e males sem que a perturbação destrua a paz interior.
O Pe. Royo Marín a vincula diretamente ao dom de fortaleza: “o fruto da paciência corresponde ao dom de fortaleza para suportar com heroísmo os sofrimentos e males”. Não é resignação passiva, mas uma fortaleza sobrenatural que transforma a dor em caminho para Deus.
5. Longanimidade
A longanimidade confere à alma uma amplitude de visão e de generosidade pelas quais ela sabe esperar a hora da Divina Providência quando vê que se atrasa o cumprimento de seus desígnios, e sabe ter bondade e paciência com o próximo sem se cansar por sua resistência ou oposição.
Esse fruto do Espírito Santo dá grande coragem e grande ânimo nas dificuldades que se opõem ao bem, um ânimo que é sobrenaturalmente grande para conceber e executar as obras de Deus. Assim como a paciência, o Pe. Royo Marín a vincula ao dom de fortaleza: a paciência para os males presentes, a longanimidade para não desfalecer na prática prolongada do bem.
6. Benignidade
A benignidade é a disposição constante à indulgência e à afabilidade no falar, no responder e no agir. Pode-se ser bom sem ser benigno, tendo um trato rude e áspero com os outros. A benignidade, como fruto do Espírito Santo, torna a pessoa sociável e doce nas palavras e no trato, apesar da rudeza e da aspereza dos outros.
É um grande sinal da santidade de uma alma e da ação do Espírito Santo nela. O Pe. Royo Marín a vincula ao dom de piedade: quem trata os outros como filhos do mesmo Pai tende naturalmente à doçura e à indulgência no trato.
7. Bondade
A bondade é o afeto que leva a buscar sempre o bem do próximo, o fruto prático da benignidade para com quem sofre e precisa de ajuda. Se a benignidade é a disposição interior, a bondade é a sua expressão exterior em obras concretas.
A bondade, efeito da união da alma com Deus, que é bondade infinita, infunde o espírito cristão em relação ao próximo, movendo a fazer o bem à imitação de Jesus Cristo. O Pe. Royo Marín vincula esse fruto do Espírito Santo ao dom de piedade e ao dom de conselho: quem age guiado pela misericórdia divina busca naturalmente o bem concreto do próximo.
8. Mansidão
A mansidão é um fruto do Espírito Santo que se opõe à ira e ao rancor. Opõe-se à ira que quer se impor aos outros; opõe-se ao rancor que quer se vingar das ofensas recebidas. A mansidão dá ao cristão doçura nas palavras e no trato diante da prepotência dos outros.
O Pe. Royo Marín a vincula indiretamente ao dom de piedade: a mansidão afasta os impedimentos (a ira, o rancor) para os atos de piedade. É também o traço que Jesus destacou nas bem-aventuranças: “Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra” (Mt 5, 4).
9. Fidelidade
A fidelidade é manter a palavra dada e ser pontual nos compromissos. É a virtude que glorifica a Deus, que é verdade. Quem promete sem cumprir, quem chega atrasado aos encontros, quem é cortês diante de uma pessoa e a despreza pelas costas, falta à simplicidade que Jesus Cristo sugeriu com a imagem da pomba e induz os outros à incerteza nas relações sociais.
A fidelidade é o fruto do Espírito Santo no qual se manifesta a veracidade de Deus refletida na alma. O Pe. Royo Marín a vincula ao dom de ciência: a certeza sobrenatural sobre as verdades da fé produz naturalmente uma alma reta e fiel em todas as suas relações.
10. Modéstia
A modéstia, como o próprio nome diz, regula a maneira apropriada e conveniente de se vestir, de falar, de caminhar, de rir, de brincar. Como reflexo da calma interior, esse fruto do Espírito Santo guarda os olhos para que não se fixem em coisas vulgares, harmoniza os lábios unindo ao sorriso a simplicidade e a caridade, e exclui o que é áspero e mal-educado.
O Pe. Royo Marín a vincula ao dom de temor: a reverência diante da divina majestade produz naturalmente ordem e compostura em toda a conduta exterior da alma.
11. Continência
A continência mantém a ordem no interior do homem e contém nos justos limites a concupiscência, não só no que diz respeito aos prazeres sensuais, mas também no que se refere ao comer, ao beber, ao dormir, ao divertir-se e aos outros prazeres da vida material.
A satisfação desordenada de todos esses instintos que assemelham o homem aos animais é regulada pela continência, cuja energia tem como fim o amor a Deus. É um dos frutos do Espírito Santo vinculados ao dom de temor: a alma que teme ofender a Deus regula naturalmente seus apetites para não se afastar d’Ele.
12. Castidade
A castidade é a vitória alcançada sobre a carne, que faz do cristão templo vivo do Espírito Santo. Existe a castidade virginal e a castidade conjugal — a perfeita ordem e uso do matrimônio — porque em ambos os estados a alma pode reinar sobre o seu corpo em grande paz.
A alma casta sente em si a inefável alegria da íntima amizade de Deus, pois Jesus disse: “Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus” (Mt 5, 8). O Pe. Royo Marín a vincula ao dom de temor: a moderação e o direcionamento das paixões concupiscíveis são efeito próprio de quem teme afastar Deus de sua alma.
Como os frutos do Espírito Santo se relacionam com os dons?
O Pe. Royo Marín estabelece uma correspondência precisa entre os doze frutos do Espírito Santo e os sete dons. Não é uma correspondência rígida — um mesmo fruto pode brotar de mais de um dom —, mas há uma lógica interior:
| Dom do Espírito Santo | Frutos que produz principalmente |
|---|---|
| Sabedoria | Caridade, alegria espiritual, paz |
| Ciência | Fidelidade, alegria espiritual |
| Entendimento | Clareza na fé |
| Conselho | Bondade, benignidade |
| Fortaleza | Paciência, longanimidade |
| Piedade | Bondade, benignidade, mansidão |
| Temor de Deus | Modéstia, continência, castidade |
A lógica é clara: os dons são os hábitos infusos que o Espírito Santo deposita na alma como ramos de uma árvore. Os frutos são os atos primorosos que esses ramos produzem quando a alma coopera docilmente com a graça. Quanto mais os dons se desenvolvem, mais abundantes e maduros são os frutos do Espírito Santo.
Oração para obter os Frutos do Espírito Santo
Espírito Santo, Amor eterno do Pai e do Filho;
concedei-me o fruto da Caridade, que me une a Vós pelo amor;o fruto da Alegria, que me enche de santa consolação;
o fruto da Paz, que produz em mim a tranquilidade da alma;
o fruto da Paciência, que me faz suportar humildemente tudo o que possa contrariar meus gostos particulares;
o fruto da Benignidade, que me leva a aliviar as necessidades do meu próximo;
o fruto da Bondade, que me faz bom para com todos:
o fruto da Longanimidade, que impede que eu desanime por qualquer demora;
o fruto da Mansidão, que acalma em mim todo movimento de cólera, detém toda murmuração, suprime toda suscetibilidade em minhas relações com o próximo;
o fruto da Fé, que me impele a confiar com firme segurança na palavra de Deus;
o fruto da Modéstia, que regula o meu exterior;
os frutos da Continência e da Castidade, que conservam o meu corpo na santidade própria do Vosso templo, para que, depois de ter conservado, com a Vossa ajuda, a pureza do meu coração na terra, eu mereça em Jesus Cristo, segundo as palavras do Evangelho, ver o meu Deus para sempre na morada da glória.
Amém.
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O que são os frutos do Espírito Santo?
Os frutos do Espírito Santo são atos primorosos de virtude que a alma produz quando corresponde docilmente à ação interior do Espírito Santo. Chamam-se frutos porque, como os frutos de uma árvore, são o resultado maduro e saboroso de uma vida sobrenatural bem cultivada. O Catecismo os define como “perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna” (CIC 1832)
Quais são os 12 frutos do Espírito Santo?
Os doze frutos do Espírito Santo segundo a Vulgata latina, adotados pelo Catecismo (CIC 1832), são: caridade, alegria, paz, paciência, longanimidade, benignidade, bondade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência e castidade. São Paulo cita nove no texto grego original (Gl 5, 22-23), indicando — segundo Santo Tomás — que não teve a intenção de enumerá-los todos.
Qual é a diferença entre os dons e os frutos do Espírito Santo?
Os dons são hábitos sobrenaturais que o Espírito Santo infunde na alma para dispô-la a seguir suas moções. São como os ramos da árvore. Os frutos do Espírito Santo são os atos primorosos de virtude que esses ramos produzem quando a alma coopera com a graça. Os dons são mais permanentes; os frutos são atos concretos que manifestam a presença do Espírito.
Qual é o primeiro fruto do Espírito Santo?
O primeiro e mais importante é a caridade: o amor a Deus e ao próximo. É o fundamento e a raiz de todos os demais frutos. Sem a caridade, nenhum outro fruto pode existir verdadeiramente, porque todos os demais são expressões ou consequências do amor infundido na alma pelo Espírito Santo.
Como obter os frutos do Espírito Santo?
Os frutos do Espírito Santo não se obtêm por esforço puramente humano. São o resultado da cooperação da alma com a graça. O caminho é dispor-se a receber o Espírito Santo: por meio dos sacramentos, especialmente a Eucaristia e a Reconciliação; por meio da oração; e por meio da docilidade às suas moções interiores, evitando o pecado e cultivando as virtudes.
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