O que é a Quaresma e por que dura 40 dias?

por Mariana Manzanares | Vida espiritual

A cada ano, a Igreja convida os fiéis a viver um tempo especial de preparação espiritual chamado Quaresma. Para muitos, este período desperta perguntas concretas: o que é a Quaresma, quando começa, que mudanças há na Missa, que práticas são recomendadas e como vivê-la de maneira autêntica em meio à vida cotidiana.

A Quaresma não é apenas um conjunto de tradições nem uma série de normas externas. É um caminho espiritual que conduz à celebração mais importante da fé cristã: a Páscoa, mistério da Paixão, Morte e Ressurreição de Jesus Cristo. Por meio da oração, do jejum, da caridade e da participação na liturgia, a Igreja propõe um tempo de conversão interior e de renovação do coração. Com essas práticas queremos imitar o Senhor, morrendo para nós mesmos, tomando a nossa própria cruz e seguindo-o até o Calvário. E assim, depois deste tempo de vencer a nós mesmos, poderemos ressuscitar espiritualmente com Ele. 

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O que é a Quaresma?

A Quaresma é um tempo litúrgico de preparação espiritual que a Igreja Católica celebra antes da Páscoa. Estende-se ao longo de quarenta dias, da Quarta-feira de Cinzas até a Missa da Ceia do Senhor na Quinta-feira Santa. Durante esse período, os fiéis são convidados a uma verdadeira e profunda conversão do coração.

Quando alguém se pergunta o que é a Quaresma, a resposta não se limita a um conjunto de normas ou práticas externas. Trata-se, antes de tudo, de um tempo de reflexão, penitência e esperança. Ela nos recorda os quarenta dias que Jesus passou no deserto, jejuando e orando antes de iniciar a sua vida pública. Por isso, este tempo convida os cristãos a parar, rever a sua vida e dispor-se espiritualmente para celebrar o mistério central da fé: a Ressurreição de Cristo.

Qual é a origem bíblica e litúrgica da Quaresma?

Para compreender plenamente o que é a Quaresma, é necessário olhar para a sua origem bíblica e para o seu desenvolvimento dentro da liturgia da Igreja. Desde os seus começos, este tempo litúrgico esteve ligado à preparação espiritual para a celebração da Páscoa, especialmente daqueles que iam receber o Batismo.

Do ponto de vista bíblico, a Quaresma se inspira em vários acontecimentos fundamentais da história da salvação. O número quarenta tem um forte valor simbólico na Bíblia: recorda os quarenta dias do dilúvio, os quarenta anos do povo de Israel no deserto, os quarenta dias de Moisés no Sinai e, de modo especial, os quarenta dias que Jesus passou no deserto, jejuando e orando antes de começar a sua vida pública. Esses momentos expressam sempre um tempo de prova, purificação e preparação para uma nova etapa. Esses sentidos nos ajudam a compreender o que é a Quaresma na liturgia católica.

Quanto à sua origem litúrgica, a Quaresma começou a tomar forma progressivamente nos primeiros séculos do cristianismo. Já no século IV encontram-se testemunhos de um período de preparação mais intenso para a Páscoa, centrado na penitência e na conversão. Nesse contexto, a Quaresma cumpria uma dupla função: acompanhar os catecúmenos que se preparavam para receber os sacramentos da iniciação cristã na Vigília Pascal e oferecer a toda a comunidade um tempo de renovação espiritual.

Com o passar do tempo, a Igreja foi estruturando esse período no calendário litúrgico, estabelecendo práticas comuns, textos bíblicos próprios e sinais característicos na celebração da Missa. Poderíamos resumir o que é a Quaresma afirmando que se trata de um tempo forte do ano litúrgico, marcado pela sobriedade, pelo silêncio e pelo chamado constante à conversão, sempre orientada para a alegria pascal.

Quando começa a Quaresma?

A Quaresma começa na Quarta-feira de Cinzas e termina na Quinta-feira Santa, antes da Missa da Ceia do Senhor. As datas concretas mudam a cada ano porque dependem da data da Páscoa, que não é fixa no calendário.

O início da Quaresma é marcado pela Quarta-feira de Cinzas, dia em que os fiéis recebem a imposição das cinzas como sinal de conversão e penitência. A partir desse momento, a Igreja inicia um tempo de preparação espiritual que se estende por quarenta dias.

A Quaresma não inclui a Semana Santa inteira. Liturgicamente, ela termina na Quinta-feira Santa à tarde, quando começa o Tríduo Pascal. Por isso, embora muitas pessoas associem a Quaresma a toda a Semana Santa, trata-se de momentos litúrgicos distintos.

Que práticas espirituais são recomendadas durante a Quaresma?

Para compreender o que é a Quaresma no seu sentido mais profundo, é importante olhar para as práticas espirituais que a Igreja propõe viver durante este tempo. Não se trata apenas de cumprir normas externas, mas de percorrer um caminho de conversão interior que prepare o coração para morrer com o Senhor na cruz e ressuscitar com Ele na Páscoa.

Tradicionalmente, a espiritualidade quaresmal se apoia em três pilares fundamentais:

Oração

A Quaresma convida a intensificar a vida de oração pessoal e comunitária. Isso pode se expressar por meio de:

  • a participação mais frequente na Eucaristia, por exemplo, indo à Missa durante a semana.

  • meia hora de Lectio Divina,

  • a oração da Via-Sacra,

  • uma hora de adoração eucarística semanal

  • exame de consciência diário antes de dormir.

A oração ajuda a frear o ritmo acelerado do dia a dia e a recentrar a vida em Deus. 

Jejum

O jejum é uma prática penitencial que busca educar o coração e fortalecer a liberdade interior. Além da abstinência de alimentos, a Igreja propõe viver o jejum como um gesto que ajude a:

  • desprender-se do supérfluo,

  • moderar o desejo de possuir mais,

  • tomar consciência das próprias necessidades e limites.

Vivido com sentido espiritual, o jejum recorda que a Quaresma é um tempo de despojamento necessário para seguir o Senhor.

Esmola

A esmola expressa a dimensão solidária da Quaresma. Implica abrir-se ao outro, especialmente a quem mais precisa, por meio de:

  • gestos concretos de ajuda financeira,

  • práticas das obras de misericórdia.

Que mudanças há na Santa Missa durante a Quaresma?

Durante a Quaresma, a Santa Missa apresenta uma série de mudanças litúrgicas que ajudam a expressar o caráter penitencial e de preparação espiritual próprio deste tempo. Compreender esses sinais nos permite participar de maneira mais consciente das celebrações.

Omite-se o Aleluia

Um dos sinais mais conhecidos é a supressão do Aleluia antes da proclamação do Evangelho. Esse canto, associado à alegria pascal, fica reservado para a Páscoa, e a sua ausência durante a Quaresma expressa um tempo de espera e sobriedade.

Não se canta o Glória

Salvo nas solenidades e em festas particulares, o Glória não é cantado nem recitado durante a Quaresma. Esse silêncio litúrgico reforça o clima de penitência e preparação, orientando a celebração para a Páscoa.

Uso da cor litúrgica roxa

A cor predominante nos paramentos é o roxo, símbolo de conversão, penitência e recolhimento. Em alguns momentos especiais, como o quarto domingo da Quaresma (domingo Laetare), pode-se usar a cor rosa como sinal de esperança e alegria antecipada.

Maior sobriedade na celebração

Durante a Quaresma evita-se o uso excessivo de flores e enfeites no altar. A liturgia adota um estilo mais simples.

Celebrações penitenciais e confissões

Além da Missa, muitas paróquias oferecem celebrações penitenciais, jornadas especiais de confissão em que vários padres dedicam uma tarde a atender as confissões dos fiéis. Essas celebrações ajudam a viver mais plenamente o chamado à conversão próprio deste tempo litúrgico.

Via-Sacra

Durante a Quaresma é habitual a celebração da Via-Sacra, especialmente às sextas-feiras. Essa devoção recorda e revive o caminho da cruz de Jesus.

Que leituras bíblicas são proclamadas durante a Quaresma?

As leituras bíblicas da Quaresma são cuidadosamente escolhidas pela Igreja para acompanhar o caminho de conversão e preparação para a Páscoa. Por meio da Palavra de Deus, a liturgia ajuda a compreender melhor o que é a Quaresma e qual é o seu sentido espiritual dentro do ano litúrgico. Durante este tempo, as leituras da Missa apresentam algumas características próprias. 

As primeiras leituras, tiradas principalmente do Antigo Testamento, recordam momentos-chave da história da salvação: a aliança de Deus com o seu povo, o chamado à fidelidade, a conversão do coração e a esperança na promessa divina. Esses textos dialogam diretamente com o Evangelho do dia.

Nos domingos da Quaresma, os Evangelhos ocupam um lugar central e seguem um percurso progressivo. Nos primeiros domingos são proclamadas passagens como:

  • as tentações de Jesus no deserto,
  • a Transfiguração,
  • chamados claros à conversão, 
  • a ressurreição de Lázaro

À medida que a Páscoa se aproxima, os Evangelhos se aprofundam nos últimos dias do Senhor sobre a terra antes da sua Paixão. 

As segundas leituras, geralmente tiradas das cartas de São Paulo, convidam a viver uma vida nova em Cristo, destacando temas como a reconciliação, a graça, a fé e a transformação interior, elementos centrais para entender o que é a Quaresma.

Além das leituras dominicais, as Missas dos dias de semana na Quaresma apresentam um ciclo próprio de leituras que reforça o chamado cotidiano à conversão.

Como viver bem a Quaresma?

Para viver bem a Quaresma, precisamos compreender, em primeiro lugar, o que é a Quaresma. É um tempo de preparação interior para a Páscoa que a Igreja nos dá de presente, mais do que um conjunto de obrigações externas. É um convite a parar, rever a própria vida, corrigir aquilo que nos afasta do Senhor e renovar a nossa amizade com Ele, unindo-nos especialmente ao seu Filho.

Para isso, a Igreja propõe um caminho simples e profundo, sustentado em três atitudes fundamentais: oração, jejum e caridade. A oração ajuda a reencontrar-se com Deus em meio à vida cotidiana; o jejum educa o coração e ordena os desejos; e a caridade abre para a atenção concreta aos outros, especialmente aos que mais precisam.

Participar com maior consciência da Santa Missa, escutar a Palavra de Deus, aproximar-se do sacramento da reconciliação e participar das celebrações próprias deste tempo, como a Via-Sacra, nos ajudam a viver a Quaresma de maneira mais plena. 

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Quer viver a Quaresma com devoção? Dê uma olhada nestes artigos que poderão ajudar você:

  • Tudo sobre a Quarta-feira de Cinzas: Quer começar a Quaresma da melhor maneira possível? Recolha o seu coração, medite e participe da Liturgia da Quarta-feira de Cinzas!
  • 4 Conselhos de Dom Bosco para a Quaresma: Quer viver esta Quaresma com fervor? Quer que ela seja um tempo de grande crescimento espiritual? Siga estes conselhos de Dom Bosco!
  • O Terço de Nossa Senhora das Dores: Está passando por um momento difícil? Contemple Nossa Senhora das Dores, refugie-se sob o seu manto e peça a sua intercessão para seguir em frente.

O que é a Quaresma e por que dura 40 dias?

A Quaresma é um tempo litúrgico de preparação para a Páscoa que começa na Quarta-feira de Cinzas e termina antes da Quinta-feira Santa. Dura quarenta dias porque recorda os 40 dias que Jesus passou no deserto em oração e jejum, assim como outros momentos bíblicos de prova e preparação. O seu sentido é a conversão do coração e a renovação da fé.

O que os católicos fazem na Quaresma?

Durante a Quaresma, os católicos são convidados a viver um tempo de oração, jejum e esmola. 

Que celebrações especiais há na Quaresma além da Missa?

Além da Missa, durante a Quaresma costumam ser celebrados:

  • a Via-Sacra, especialmente às sextas-feiras,

  • celebrações penitenciais comunitárias,

  • retiros espirituais,

  • momentos de oração e reflexão bíblica.

Essas celebrações ajudam a aprofundar o sentido espiritual deste tempo litúrgico.

Por que não se come carne na Quaresma?

A abstinência de carne é um sinal de penitência e sacrifício. A Igreja convida a abrir mão da carne como um gesto concreto de conversão e sobriedade, recordando o sacrifício de Cristo e ajudando a viver a Quaresma com maior consciência espiritual.

Em que dias se deve jejuar na Quaresma?

A Igreja estabelece o jejum obrigatório em dois dias:

  • Quarta-feira de Cinzas

  • Sexta-feira Santa

Além disso, todas as sextas-feiras da Quaresma são dias de abstinência de carne.

Qual é a diferença entre jejum e abstinência na Quaresma?

O jejum implica reduzir a quantidade de comida, permitindo uma só refeição completa por dia.
A abstinência consiste em não comer carne.
São práticas distintas, mas ambas buscam expressar penitência, autodomínio e preparação interior durante a Quaresma.