Halloween ou Dia de Todos os Santos?

por Mariana Manzanares | Festas litúrgicas

Nós, católicos, celebramos o Halloween ou o Dia de Todos os Santos?
Todos os anos, quando chega o dia 31 de outubro, essa pergunta volta a surgir entre os fiéis. As ruas se enchem de abóboras, fantasias e símbolos de terror, enquanto muitos cristãos ficam em dúvida entre participar ou não de uma festa que parece inofensiva, mas cuja origem e sentido estão muito distantes da mensagem do Evangelho.

O contraste não poderia ser maior. Enquanto o Halloween exalta a escuridão, o medo e a morte, a Igreja celebra nesses mesmos dias a luz, a vida e a esperança eterna: em 1º de novembro, a Solenidade de Todos os Santos, e em 2 de novembro, a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, também conhecida como Dia de Finados.

Essas festas, profundamente cristãs, nos lembram que somos chamados à santidade e que a morte não tem a última palavra. Diante de uma cultura que banaliza o mal e esconde o sentido espiritual da vida, nós, católicos, somos convidados a redescobrir o valor dessas datas, a rezar pelos nossos falecidos e a celebrar a vitória de Cristo sobre a morte.

Neste artigo contamos a você a origem do Halloween, o sentido do Dia de Todos os Santos e como viver essas datas com esperança e alegria cristã.

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Halloween

O Ano-Novo Celta

As origens do Halloween remontam à Irlanda do século VIII. Tratava-se da celebração do Ano-Novo, na qual se invocava o deus da morte, porque nesse dia se abriam as portas do inferno para que os espíritos perturbassem os habitantes.

Os druidas — sacerdotes, bruxos e sábios celtas — iam de casa em casa para que as famílias oferecessem um sacrifício, que podia ser de mulheres virgens, crianças ou alimentos. Quem aceitava era respeitado; quem se recusava ficava marcado com um malefício, para que os espíritos pudessem atacar o lar.

Os druidas davam as boas-vindas aos espíritos bons com máscaras e, ao mesmo tempo, espantavam os maus. Outra tradição conta que os espíritos batiam às portas das casas pedindo alimentos. Poupavam a vida de quem os concedia. 

Com a chegada do cristianismo, essa festa deixou de ser celebrada, embora sua lembrança tenha permanecido. 

Uma festa comercial

Em meados do século XIX, os colonos que chegaram aos Estados Unidos entre 1845 e 1849 levaram consigo a celebração do Halloween com suas reminiscências pagãs. Nos séculos XX e XXI, graças aos meios de comunicação e ao cinema, o Halloween tornou-se conhecido no mundo inteiro. 

Atualmente, o Halloween é celebrado principalmente como uma festa lúdica e comercial, especialmente em países de língua inglesa e em muitas cidades do mundo influenciadas pela cultura norte-americana. As crianças se vestem com fantasias que representam monstros, bruxas, zumbis, fantasmas ou personagens de filmes de terror, e percorrem as ruas pedindo doces com a clássica frase “trick or treat” (gostosuras ou travessuras).

As casas são decoradas com abóboras esculpidas, esqueletos, teias de aranha e luzes laranja e pretas, enquanto lojas e shoppings aproveitam a ocasião para vender fantasias, doces e artigos temáticos. Também se tornaram comuns as festas e reuniões de adultos, nas quais se recriam cenários aterrorizantes, se exibem filmes de terror e se fazem jogos inspirados no terror e no espiritismo.

Embora muitos o vejam como uma brincadeira inofensiva, a celebração mantém reminiscências de suas raízes pagãs e continua ligada ao macabro, à morte e ao demoníaco.

O que acontece espiritualmente no Halloween?

O que poucos sabem é que o Halloween se tornou a noite mais importante do satanismo: celebra-se o ano-novo satânico e zomba-se do nascimento de Cristo. É a maior festa demoníaca registrada na história, capaz de ofuscar a Solenidade de Todos os Santos e o Dia de Finados.

Durante essa noite são realizados rituais satânicos, incluindo missas negras em que se profana o Santíssimo Sacramento. Os sacerdotes demoníacos se vestem com fantasias horríveis que representam o diabo, encarnação da própria feiura, oposta a Deus, fonte de todo bem, verdade e beleza. O propósito das fantasias é esconder-se do Senhor e recusar-se a receber o seu auxílio.

A violência dispara no dia 31 de outubro. Nessa noite são cometidos crimes terríveis. Além disso, nesse dia incutem-se nas crianças o medo, o terror e uma visão distorcida da morte. O mais grave é a exposição à influência demoníaca, especialmente nos jovens, que podem sentir-se atraídos pelo ocultismo e pelo espiritismo. Segundo exorcistas, alguns jogos e práticas do Halloween (como o tabuleiro Ouija) chegaram até a resultar em casos de possessão demoníaca.

Justamente, o Demônio, como o “macaco de Deus”, procura imitar e subverter o culto católico. Escolheu a data de 31 de outubro para se apresentar como o antissanto por excelência e nos afastar da busca da santidade.

Podemos nós, católicos, celebrar uma festa pagã em que se profana o que temos de mais sagrado: a Eucaristia?

Dia de Todos os Santos

All Hallows Evening

Nós, católicos, não celebramos o mal nem a morte. Pelo contrário, celebramos a vida dos santos. E assim tem sido desde os começos do cristianismo. Em seus primeiros séculos, a Igreja assumiu numerosas festas pagãs e lhes deu um novo sentido cristão. Assim aconteceu com o Halloween.

Desde os inícios do cristianismo, a Igreja comemora os mártires no aniversário de sua entrada no Céu. No século VII, o papa Bonifácio IV consagrou o Panteão de Roma à Virgem Maria e aos mártires, estabelecendo uma celebração em sua honra. Mais tarde, Gregório III fixou o dia 1º de novembro como data para honrar todos os santos, e Gregório IV estendeu essa solenidade a toda a Igreja.

Se prestarmos atenção, perto do fim do ano a liturgia nos propõe duas datas fundamentais: 1º de novembro, a Solenidade de Todos os Santos, na qual recordamos e pedimos a intercessão daqueles que gozam da presença de Deus na Igreja Triunfante. E 2 de novembro, a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos, dia em que rezamos pelas almas do purgatório.

A Solenidade de Todos os Santos começa na tarde de 31 de outubro, com as primeiras vésperas da festa. Em inglês antigo, essa celebração era conhecida como All Hallows Evening, expressão que com o tempo se contraiu em Halloween. Precisamente, essas datas foram instituídas para cristianizar a antiga celebração do ano-novo celta. Em vez de temer os espíritos malignos, os cristãos contemplavam o exemplo luminoso dos santos e rezavam pelos falecidos, para que alcançassem a Vida Eterna e não “vagassem pela terra dos vivos”, como acreditavam os celtas.

O sentido dessa solenidade é celebrar com alegria todos os santos — conhecidos e desconhecidos — e, segundo o papa Urbano IV, compensar qualquer omissão dos fiéis na veneração dos santos durante o ano.

Celebrar a santidade

Celebrar o Dia de Todos os Santos é uma forma de reconhecer a vitória de Deus na vida daqueles que viveram a fé com fidelidade e amor. Não se trata apenas de recordar os santos canonizados, mas também todos aqueles homens e mulheres anônimos que alcançaram a santidade no dia a dia: pais, mães, religiosos, crianças, jovens e idosos que ofereceram sua vida a Deus.

Essa solenidade nos lembra que todos somos chamados à santidade. Os santos não são seres distantes, mas exemplos concretos de que é possível seguir Cristo no meio do mundo, com as nossas limitações. Ao contemplar o seu testemunho, a Igreja nos convida a imitar suas virtudes e a renovar o desejo de alcançar o Céu.

Além disso, celebrar todos os santos tem um sentido comunitário e cheio de esperança: a Igreja do Céu (os santos), a Igreja do Purgatório (as almas em purificação) e a Igreja da Terra (nós) formamos uma só família espiritual. Assim, o dia 1º de novembro não é um dia de medo nem de escuridão, mas uma festa de luz, vida e esperança, que antecipa a alegria eterna prometida por Deus.

Dia de Finados (Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos)

Em 2 de novembro, a Comemoração de Todos os Fiéis Defuntos surge como uma expressão de caridade cristã para com aqueles que partiram deste mundo e ainda precisam de purificação para alcançar a visão de Deus. A Igreja reza por eles, oferecendo Missas e orações, convencida de que o amor pode transcender a morte.

Não é um dia de tristeza, mas de comunhão: recordamos nossos entes queridos, agradecemos por sua vida e confiamos suas almas à misericórdia divina. Como ensina o Catecismo, a nossa oração pode ajudar as almas do purgatório em seu processo de purificação. Elas, por sua vez, intercedem por nós quando chegam ao Céu.

Por isso, enquanto o mundo se deixa seduzir pela escuridão e pelo medo do Halloween, nós, católicos, olhamos com esperança para a vida eterna e renovamos a nossa confiança na promessa de Cristo:

“Eu sou a ressurreição e a vida. Aquele que crê em mim, ainda que esteja morto, viverá” (Jo 11,25).

Algumas práticas para estes dias

A Igreja propõe diversas práticas para viver com autêntico sentido cristão o Dia de Todos os Santos (1º de novembro) e o dos Fiéis Defuntos (2 de novembro):

  1. Participar da Santa Missa, em comunhão com os santos e os falecidos. Na Santa Missa damos glória a Deus junto com os anjos e santos que estão no Céu. E podemos libertar almas do purgatório ao comungar com devoção.
  2. Rezar o terço em família, oferecendo uma intenção especial pelos falecidos e meditando sobre aqueles santos que acompanharam Cristo em sua vida terrena (como Maria Santíssima, São José, os Apóstolos, as santas mulheres). Também podemos rezar os mistérios gloriosos, procurando imaginar como é o Céu.
  3. Visitar o cemitério com respeito e esperança, levando flores e orações como sinal de um amor que perdura.
  4. Oferecer indulgências pelas almas do purgatório: de 1º a 8 de novembro, a Igreja concede indulgência plenária a quem visitar um cemitério e rezar pelos falecidos, cumprindo as condições habituais (Confissão, Comunhão, Orações pelo Papa e Desapego de todo pecado).
  5. Ler ou partilhar a vida de um santo em família ou com amigos, destacando suas virtudes e como podemos seguir seu exemplo.
  6. Evitar as celebrações de Halloween e seus símbolos, que obscurecem o sentido dessas datas, escolhendo, em vez disso, atividades que exaltem a vida, a fé e a esperança.
  7. Podemos celebrar o Holywins (“a santidade vence”, em inglês) com os pequenos. Nesse dia, as crianças se vestem de santos, escutam e contam suas histórias, saem pelas ruas de seus bairros distribuindo santinhos. Devemos incentivar essa prática, pois é um modo de fazer apostolado e de despertar nelas o espírito missionário.
  8. Parar para refletir sobre o sentido cristão da morte e da vida eterna. 

Assim, nós, católicos, não apenas resistimos a uma cultura que banaliza o mal e a morte, mas proclamamos, com nossas ações e orações, a vitória de Cristo e a esperança do Céu.

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Diante da difusão de celebrações que desvirtuam o sentido cristão destes dias, nós, católicos, somos chamados a recuperar e cultivar as tradições próprias da Igreja. Não se trata apenas de rejeitar o Halloween, mas de recristianizá-lo, recordando o seu verdadeiro significado: a véspera da solenidade de Todos os Santos.

Devemos centrar a nossa atenção em Deus, mas sobretudo na beleza da santidade, na vida de tantas pessoas que nos precederam e já gozam da visão de Deus.

E nestes dias em que somos convidados a olhar para a morte e para o destino eterno, rezemos pelas benditas almas do purgatório e pensemos em nossa própria morte e no destino eterno de nossa alma. 

Substituamos as celebrações pagãs pela oração e pela vigília, pedindo a Deus que detenha a ação do demônio e a sua influência sobre tantos homens e mulheres que se entregam a ele por ignorância. E que melhor modo de fazê-lo do que velar diante do Santíssimo Sacramento exposto, reparando e consolando o Senhor por tantos sacrilégios cometidos nessas datas.

O que significa a palavra “Halloween”?

“Halloween” vem da expressão inglesa All Hallows’ Eve, que significa “Véspera de Todos os Santos”. Originalmente se referia à noite anterior ao dia 1º de novembro, quando os cristãos se preparavam para celebrar os santos do Céu.

O que a Igreja celebra em 1º de novembro?

O Dia de Todos os Santos é uma solenidade na qual a Igreja honra todos os homens e mulheres que alcançaram a santidade, tanto os conhecidos como os anônimos. É uma festa de alegria e esperança, que nos recorda o nosso chamado à vida eterna.

Qual é a diferença entre o Dia de Todos os Santos e o Dia de Finados?

Em 1º de novembro celebram-se aqueles que já estão na glória de Deus; em 2 de novembro, por sua vez, reza-se pelas almas que ainda estão em processo de purificação para chegar ao Céu. As duas datas expressam a comunhão entre a Igreja triunfante, padecente e militante.

Por que os cristãos não celebram o Halloween?

Nós, cristãos, preferimos celebrar a vida, a santidade e a vitória do amor de Deus sobre o medo.

Como podemos viver essas datas como católicos?

Podemos participar da Missa, rezar pelos falecidos, ler ou partilhar a vida de um santo ou aderir a iniciativas como o Holywins, que propõe celebrar a vitória da santidade sobre o mal. O importante é viver esses dias com fé e esperança na Vida Eterna.