Quem é o Espírito Santo e o que Ele faz?

por Mariana Manzanares | Festas litúrgicas

O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade. Não se trata de uma força impessoal, uma energia cósmica, uma entidade espiritual, como o interpretam erroneamente na Nova Era. Pelo contrário, é Deus. Consubstancial ao Pai e ao Filho, igual a eles em dignidade e em adoração, distinto deles como Pessoa.

Santo Tomás de Aquino oferece a definição mais precisa e mais bela: assim como a Palavra de Deus é o Filho (seu conhecimento eterno), o Amor de Deus é o Espírito Santo. Esse amor é tão intenso que se manifesta em uma Pessoa divina, real, que habita em nós e age em nós.

No entanto, como observava o Pe. Antonio Royo Marín em sua obra O Grande Desconhecido, se São Paulo voltasse a perguntar hoje o que perguntou em Éfeso: “Recebestes o Espírito Santo quando abraçastes a fé?” (At 19, 2), obteria de muitos cristãos uma resposta desconcertantemente parecida com a daqueles primeiros discípulos: “Nem sequer ouvimos dizer que existe o Espírito Santo”.

Para combater a ignorância que existe em torno de quem é o Espírito Santo, publicaremos uma série de artigos sobre Ele. Para que assim seja mais conhecido, mais amado e escutado. Uma alma dócil e obediente às suas inspirações pode alcançar a santidade com maior facilidade e rapidez.

Quer encontrar as celebrações de Pentecostes em uma igreja católica? O app Horários de Missa mostra a você os horários atualizados de mais de 110.000 igrejas em 200 países. Baixe agora.

Quem é o Espírito Santo segundo o Catecismo e a Bíblia?

Quem é o Espírito Santo segundo a Igreja Católica?

O Catecismo da Igreja Católica ensina que o Espírito Santo é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade, consubstancial ao Pai e ao Filho, isto é, da mesma natureza divina; e inseparável deles tanto na vida íntima de Deus como em sua ação no mundo (CIC 689).

O Espírito Santo procede do Pai e do Filho. Não é uma criatura nem um ministro de Deus: é o próprio Deus. Por isso o Credo Niceno-Constantinopolitano o chama de “Senhor que dá a vida” e afirma que “com o Pai e o Filho é adorado e glorificado” (CIC 685).

O Pe. Royo Marín observa que os Concílios definiram que o Pai está todo no Filho e no Espírito Santo; o Filho está todo no Pai e no Espírito Santo; o Espírito Santo está todo no Pai e no Filho. Nenhum precede o outro em eternidade, nem o excede em grandeza ou em poder. É o que a teologia chama de circuminsessão: a mútua e inseparável inabitação das três Pessoas divinas.

Quem é o Espírito Santo segundo a Bíblia?

A Bíblia o revela progressivamente, não de uma só vez. O Espírito de Deus aparece já no primeiro versículo do Gênesis, pairando sobre as águas da criação (Gn 1, 2). Fala pelos profetas, prepara a vinda do Messias, desce sobre Jesus no batismo e é derramado sobre a Igreja em Pentecostes.

É Jesus quem o revela plenamente. Chama-o de “Paráclito” — literalmente “aquele que é chamado para junto de alguém”, o Consolador, o Defensor (Jo 14, 16). Chama-o de “Espírito da Verdade” , que guiará seus discípulos à verdade plena (Jo 16, 13). E o promete como o seu maior dom antes de sua Paixão.

São Paulo acrescenta os nomes que a tradição conservou: Espírito da promessa (Gl 3, 14), Espírito de adoção (Rm 8, 15), Espírito de Cristo (Rm 8, 11), Espírito de glória (1Pd 4, 14). Todos apontam para a mesma realidade: uma Pessoa divina que age na história para unir os homens a Deus (CIC 693).

Por que o Espírito Santo é o “grande desconhecido”?

O Pe. Royo Marín identifica três razões que explicam esse desconhecimento. A primeira é a discrição de suas manifestações: o Pai se manifesta na criação visível, o Filho se encarnou e viveu entre nós, mas o Espírito Santo só se manifestou de forma sensível três vezes. A primeira, em forma de pomba sobre Jesus no Jordão, de nuvem resplandecente no Tabor e de línguas de fogo no Cenáculo.

A segunda razão é a falta de doutrina: o ensinamento sobre o Espírito Santo foi historicamente o mais escasso e o menos desenvolvido de toda a catequese cristã.

A terceira é a falta de devoções: enquanto as festas do Natal e da Páscoa são celebradas com grande solenidade, Pentecostes, que no rito litúrgico tem o mesmo grau que ambas, passa frequentemente despercebido para a maioria dos fiéis.

O Catecismo acrescenta uma razão teológica mais profunda: o Espírito Santo “não fala de si mesmo” (Jo 16, 13). Sua missão própria é revelar o Filho, não revelar a si mesmo. Essa discrição é a forma própria do amor: quem ama de verdade não busca o próprio protagonismo, mas o bem do amado (CIC 687).

Quais são os nomes e símbolos do Espírito Santo?

O que significam os nomes do Espírito Santo?

O nome próprio “Espírito Santo” traduz o hebraico Ruah — sopro, ar, vento. Jesus utiliza justamente a imagem do vento para revelar a Nicodemos a novidade transcendente daquele que é pessoalmente o Sopro de Deus (Jo 3, 5-8). “Espírito” e “Santo” são atributos divinos comuns às três Pessoas, mas, ao uni-los, a Escritura designa sem equívoco a Pessoa inefável do Espírito Santo (CIC 691).

Jesus o chama também de “Paráclito” — Consolador, Advogado, Defensor. Santo Tomás observa que todos os nomes do Espírito Santo apontam para a sua natureza de Amor: é o amor com que o Pai ama o Filho e o Filho ama o Pai — e esse amor pessoal, eterno, é quem habita em nós quando estamos em graça.

Quais são os símbolos do Espírito Santo?

Água

A água simboliza a ação do Espírito Santo no Batismo. Assim como o primeiro nascimento acontece na água, a água batismal significa o novo nascimento no Espírito Santo: “Quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus” (Jo 3, 5).

Mas o Espírito não é só a água do Batismo: é pessoalmente a Água viva que brota do lado de Cristo crucificado (Jo 19, 34) e que em nós jorra para a vida eterna (Jo 4, 14). A água que sacia sem que a sede volte, isso é o Espírito Santo (CIC 694).

Fogo

O fogo simboliza a energia transformadora do Espírito Santo. Diferentemente da água, que evoca o nascimento e a fecundidade, o fogo não deixa nada igual: purifica, ilumina, consome o que não deve permanecer e transforma o que toca.

João Batista anunciou que o Messias “batizaria no Espírito Santo e no fogo” (Lc 3, 16). E Jesus confirmou: “Eu vim para lançar fogo sobre a terra, e como gostaria que já estivesse aceso!” (Lc 12, 49). No dia de Pentecostes, o Espírito se manifestou justamente em forma de “línguas como de fogo” que pousaram sobre cada um dos discípulos (At 2, 3-4). São João da Cruz chamou o Espírito Santo de “chama viva de amor”. Esta é, talvez, a imagem mais exata de sua ação na alma que a mística cristã produziu (CIC 696).

Pomba

A pomba é o símbolo mais universalmente reconhecido do Espírito Santo. Sua origem está em dois textos bíblicos que a liturgia relaciona: a pomba de Noé, que volta à arca com um ramo de oliveira e que é sinal de que as águas do dilúvio cessaram e a terra é habitável. E, em segundo lugar, o batismo de Jesus, em que “o Espírito Santo desceu sobre ele em forma corpórea, como uma pomba” (Lc 3, 22). A pomba indica a mansidão, a pureza e a paz do Espírito, e sua descida sobre Jesus revela que n’Ele repousa a plenitude do Espírito de Deus (CIC 701).

Nuvem e luz

A nuvem e a luz são inseparáveis nas manifestações do Espírito Santo. A nuvem que guiou Israel pelo deserto, que cobriu o Monte Sinai, que encheu o Templo de Salomão, é o sinal da presença gloriosa de Deus, a Shekinah. No Novo Testamento, o Espírito Santo cobre Maria na Anunciação “com a sua sombra” (Lc 1, 35), envolve Jesus na Transfiguração (Lc 9, 34) e o oculta aos olhos dos discípulos na Ascensão (At 1, 9). A nuvem não esconde, mas revela a presença divina justamente ao velá-la, porque a glória de Deus supera a capacidade do olho humano (CIC 697).

Como o Espírito Santo age na vida do cristão?

O Espírito Santo não habita na alma de maneira passiva. Como ensina o Pe. Royo Marín, Ele habita em nós para desenvolver uma atividade vivíssima, orientada a nos aperfeiçoar de grau em grau e a nos conduzir (se não colocarmos obstáculos) até os cumes mais elevados da união com Deus.

Santo Tomás de Aquino enumera cinco frutos concretos que o Espírito Santo produz em quem o recebe:

1. Purifica-nos dos pecados 

Aquele que cria é o mesmo que repara. O Espírito Santo que criou a alma humana é quem a restaura quando o pecado a danificou. A razão teológica é precisa: todos os pecados são perdoados por amor, e o Espírito Santo é o Amor de Deus derramado em nossos corações (Rm 5, 5). “Enviai o vosso Espírito e tudo será criado, e renovareis a face da terra” (Sl 103, 30). O CIC 734 o confirma: “O primeiro efeito do dom do Amor é a remissão dos nossos pecados”.

2. Ilumina o entendimento

Todo conhecimento verdadeiro sobre Deus vem do Espírito Santo. Jesus o prometeu: “O Paráclito, que o Pai enviará em meu nome, vos ensinará tudo e vos recordará tudo o que eu vos disse” (Jo 14, 26). O Espírito não acrescenta uma revelação nova, mas faz compreender em profundidade a revelação de Cristo e guia o discernimento da vontade de Deus nas situações concretas da vida.

3. Ajuda-nos a guardar os mandamentos 

Ninguém pode guardar os mandamentos de Deus sem amá-lo. E ninguém pode amar a Deus sem o Espírito Santo. O Espírito faz amar a Deus, e esse amor move a guardar os seus mandamentos. A promessa de Ezequiel o expressa de forma definitiva: “Eu vos darei um coração novo e porei em vós um espírito novo; tirarei do vosso peito o coração de pedra e vos darei um coração de carne” (Ez 36, 26). O Espírito Santo é a fonte do amor que torna possível vivê-los.

4. Fortalece a esperança na vida eterna 

O Espírito Santo é o penhor da herança eterna, a garantia que assegura o cumprimento da promessa: “Fostes marcados com o selo do Espírito Santo prometido, que é o penhor da nossa herança” (Ef 1, 13-14). A vida eterna cabe ao homem enquanto filho de Deus, e essa filiação se realiza na medida em que o Espírito de Cristo habita em nós: “O próprio Espírito dá testemunho ao nosso espírito de que somos filhos de Deus” (Rm 8, 16).

5. Age na oração 

O Espírito Santo é o Mestre da oração. São Paulo o diz com uma honestidade desconcertante: “Não sabemos pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis” (Rm 8, 26). O sinal mais profundo de sua presença na oração é uma só palavra: Abbá, Pai. “Deus enviou aos nossos corações o Espírito de seu Filho, que clama: Abbá, Pai” (Gl 4, 6). Quem pode chamar a Deus de Pai com verdade, o faz no Espírito Santo. 

Como o Espírito Santo age nos sacramentos?

O Pe. Royo Marín ensina que o Espírito Santo age na alma juntamente com a graça santificante e as virtudes infusas, que são os hábitos sobrenaturais que o Espírito infunde para nos capacitar a agir como filhos de Deus. Mas a sua ação mais visível se manifesta nos sacramentos.

Batismo

O Batismo é o sacramento do novo nascimento no Espírito Santo. A água batismal age porque o Espírito Santo a santificou mediante a epiclese. Ao ser mergulhado nela, o batizado morre para o pecado e ressuscita em Cristo pelo poder do Espírito. O selo que o Batismo imprime é o do Espírito Santo, que é indelével, permanente, e marca o batizado como filho de Deus para sempre (CIC 698).

Confirmação

O sacramento da Confirmação equivale a um verdadeiro Pentecostes para cada batizado. Como observa o Pe. Royo Marín: assim como os apóstolos passaram da covardia da Paixão à fortaleza sobre-humana de Pentecostes, o cristão confirmado recebe a plenitude do Espírito Santo para confessar e defender a fé com coragem. A Confirmação imprime um caráter indelével que faz do cristão soldado de Cristo, com direito às graças atuais necessárias para essa missão durante toda a vida.

Eucaristia

Em cada celebração eucarística, o padre invoca o Espírito Santo na epiclese para que transforme o pão e o vinho no Corpo e no Sangue de Cristo. Mas a ação do Espírito não termina nas espécies eucarísticas. O CIC 737 afirma que o Espírito “torna presente o mistério de Cristo, principalmente na Eucaristia, para reconciliá-los e conduzi-los à comunhão com Deus”. Além disso, como ensina o Pe. Royo Marín, em cada comunhão bem recebida realiza-se na alma uma inabitação mais penetrante das três Pessoas divinas, porque onde está o Filho estão também o Pai e o Espírito Santo, em virtude da circuminsessão intratrinitária.

Você pode usar o aplicativo Horários de Missa para encontrar a igreja católica mais próxima com horários de Missa, Confissão e Adoração. Com certeza será útil para você! Baixe agora.

Quer viver Pentecostes com fervor? Dê uma olhada nestes artigos que podem ajudar você:

Quem é o Espírito Santo?

O Espírito Santo é a terceira Pessoa da Santíssima Trindade — Deus, consubstancial ao Pai e ao Filho, igual a eles em dignidade e adoração. Santo Tomás de Aquino o define assim: como o Filho é a Palavra de Deus — seu conhecimento eterno —, o Espírito Santo é o Amor de Deus, que procede do Pai e do Filho. O Catecismo ensina que esse amor foi “derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado” (CIC 733, cf. Rm 5, 5).

Por que o Espírito Santo é chamado de “o grande desconhecido”?

Porque, diferentemente do Pai — cuja grandeza se manifesta na criação visível — e do Filho — que se encarnou e viveu entre nós —, o Espírito Santo age de forma interior e discreta. Só se manifestou de forma sensível três vezes no Evangelho, e sua ação santificadora escapa à percepção dos sentidos. O Pe. Royo Marín observa que essa discrição é própria de sua natureza como Amor: quem ama de verdade não busca protagonismo, mas o bem do amado.

Quais são os símbolos do Espírito Santo?

O Catecismo enumera: a água (novo nascimento no Batismo), o fogo (energia transformadora), a pomba (mansidão e paz), a nuvem e a luz (presença gloriosa de Deus), a unção (consagração), o selo (caráter indelével dos sacramentos), a mão (imposição nos sacramentos) e o dedo (a Lei escrita no coração).

Quem é o Espírito Santo e o que Ele faz em nós?

Segundo Santo Tomás de Aquino, o Espírito Santo produz cinco frutos em quem o recebe: purifica dos pecados, ilumina o entendimento, ajuda a guardar os mandamentos, confirma a esperança da vida eterna e aconselha nas dúvidas, fazendo conhecer a vontade de Deus.

Quando veio o Espírito Santo?

O Espírito Santo esteve presente desde a criação e agiu nos profetas e na Encarnação. Mas foi derramado de forma plena e definitiva sobre a Igreja no dia de Pentecostes, cinquenta dias depois da Ressurreição, quando Cristo glorificado o enviou sobre os apóstolos reunidos com Maria no Cenáculo (At 2, 1-4).

Quem é o Espírito Santo para os católicos e qual a sua relação com a Igreja?

O Espírito Santo é a alma da Igreja. O CIC 747 ensina que é Ele quem “constrói, anima e santifica” o Corpo de Cristo. Por meio dos sacramentos, comunica a vida de Cristo aos membros do seu Corpo e os une em uma comunhão que reflete a Santíssima Trindade. Como ensina o Pe. Royo Marín, a Igreja é o lugar privilegiado do seu conhecimento e da sua ação: nas Escrituras que Ele inspirou, na Tradição, no Magistério, na liturgia sacramental e no testemunho dos santos.

Como encontrar horários de Missa de Pentecostes em igrejas perto de mim?

A forma mais rápida é baixar o app Horários de Missa, disponível para iOS e Android. Ele permite buscar pela localização atual, pelo nome da paróquia ou pela cidade, com horários atualizados em tempo real em mais de 110.000 igrejas de 200 países. Você também pode consultar o site ou as redes sociais da sua paróquia.

Quem é o Espírito Santo de Deus?

O Espírito Santo, segundo a fé cristã, é a terceira pessoa da Santíssima Trindade, junto com Deus Pai e Deus Filho (Jesus Cristo). Não é uma força impessoal, mas uma Pessoa Divina que age no mundo e na vida dos fiéis.